Prato goiano: extração do pequi avança no Estado, mas preço dispara

Pesquisa do IBGE aponta que extração de pequi avançou 10,4% em volume no Estado; valor de produção subiu 19,9%

Postado em: 07-10-2021 às 09h09
Por: Maiara Dal Bosco
Pesquisa do IBGE aponta que extração de pequi avançou 10,4% em volume no Estado; valor de produção subiu 19,9% | Foto: Reprodução

Depois do aumento no preço do milho, o que encareceu um dos pratos típicos mais populares de Goiás: a pamonha, os goianos já podem sentir no bolso o aumento de outro item típico no Estado: o pequi. Isso porque, como mostra Pesquisa de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 a extração de pequi em território goiano avançou, mas o valor da produção também.

Ao todo, o Estado chegou a extrair 2.582 toneladas, o que representa 97,1% da extração de produtos alimentícios em Goiás e 10,4% a mais do que o extraído em 2019. Entretanto, o valor da produção do fruto avançou ainda mais, 19,9%, atingindo R$ 3,8 milhões.

Com estes resultados, Goiás se manteve na terceira posição entre os maiores produtores de pequi do País, atrás apenas de Minas Gerais e do Tocantins. Entre os municípios goianos, Damianópolis assumiu a posição de maior produtor, seguido por cidades como Santa Terezinha de Goiás, Campos Verdes e Crixás. Neste cenário, o Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tiago Mendonça destacou a relevância do fruto no Estado. “A pesquisa do IBGE indica que, além da relevância gastronômica e cultura, o pequi ganha cada vez mais importância na economia local”, afirmou o secretário.

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No segmento de extração vegetal como um todo, o Estado cresceu 19,6% em valor de produção, saindo de R$ 15,9 milhões em 2019 para R$ 19 milhões no ano passado. A média nacional foi de 6,3% no mesmo período.  No caso do pequi, para se ter uma ideia, o valor da produção do fruto teve um crescimento de 14,3% em 2020 na comparação com 2019, saltando de R$ 3,3 milhões para 3,8 milhões.

Pamonha

Diferentemente do pequi, que teve aumento na produção e pode registrar aumento nos preços, o milho, que também registrou aumento ao consumidor final, teve diminuição na produção. No mês passado, conforme apurado pela reportagem de O Hoje, a queda na safra do grão chegou a 30%, o que resultou na diminuição do produto e no consequente aumento dos preços, além da baixa oferta do item para a produção de seus derivados, entre eles, a pamonha.

Pequi pode desaparecer no Oeste de Goiás

Tradicional fruto em Goiás, o pequi pode desaparecer no Estado, ao menos no Oeste goiano. É o que aponta pesquisa realizada no Instituto Federal Goiano (IF Goiano) – Campus Iporá que mostrou que, ao longo de dois anos de acompanhamento, que o pequi (Caryocar brasiliense) plantado tanto em área de pastagem quanto de reserva não apresentou germinação e nem rebrotas.

Isso porque, possivelmente, a população dessa espécie precisa de mais tempo para a formação de novas plantas, mas o extrativismo – ou seja, a coleta para a alimentação – não deixa sementes suficientes no ambiente para que isso ocorra. “Com a retirada constante, o longo período que as sementes levam para germinar e o avanço da soja substituindo as pastagens – local onde grande parte da população ainda é encontrada – ao longo do tempo o pequi tende a desaparecer da região”, explica a bióloga Vânia Sardinha dos Santos Diniz, coordenadora do estudo.

Além disso, a pesquisadora, que é doutora em Ecologia e Evolução, alerta que o que foi observado na região de Iporá pode se estender por todo o Estado. “Combinando trabalhos de outros autores com os nossos resultados, podemos dizer que não apenas o pequi, mas várias outras espécies nativas do Cerrado, tendem a desaparecer ao longo do tempo”, alerta.

Solução

Para evitar que frutos como o pequi acabem, a professora lembra da importância da conservação do Cerrado, preservando suas áreas. Ela também aposta na implantação de novas áreas de plantio, mesmo que sejam consorciadas com a pastagem – desde que o manejo seja correto na fase inicial de crescimento. “Tivemos resultados positivos com o plantio de sementes diretamente em campo ao invés de produzir as mudas e transplantar”, revela a pesquisadora.

Segundo Vânia, após um ano de plantio das sementes, 60% das plantas sobreviveram, sem adubação, correção do solo, uso de herbicidas ou agrotóxicos. O fundamental, conforme a pesquisadora, é controlar o crescimento de outras plantas, para que não haja sombreamento das mudas, bem como realizar o controle de formigas cortadeiras, pois elas prejudicam o crescimento e aumentam a mortalidade da espécie em áreas de plantio.  (Especial para O Hoje)

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