Entenda como o início fracionado do BRT divide opiniões de especialistas

Postado em: 13-10-2021 às 08h05
Por: Maiara Dal Bosco
Previsão é que primeira fase seja inaugurada no aniversário da Capital, 24 de outubro | Foto: Reprodução

A Prefeitura de Goiânia planeja inaugurar o Trecho II do BRT Norte-Sul, que liga o Terminal Recanto do Bosque, na região Noroeste da Capital, ao Terminal Isidória, na região Sul, no próximo dia 24, quando o município completa 88 anos. Anunciada como a maior obra de mobilidade urbana da história de Goiânia, o BRT- Norte Sul, a inauguração do Trecho II divide opiniões. Para compreender melhor o cenário da inauguração do trecho do BRT Norte-Sul na Capital, a reportagem de O Hoje conversou com especialistas sobre o assunto. 

O especialista em Trânsito e Transporte, Marcos Rothen vê com decepção a inauguração do trecho. “São seis ônibus em um trecho pequeno. Será uma obra que está há tantos anos em execução, começando por um pedacinho. O BRT deveria ter sido construído primeiro nos lugares em que há mais demanda na Capital, ou seja, nos bairros mais habitados. Além disso, o investimento é alto e o retorno será mínimo. Exemplo disso é a estação na Praça do Trabalhador, que é enorme e ainda não sabemos de que forma será utilizada”, afirmou. 

Na avaliação do especialista, a inauguração do trecho neste mês não ajudará nem um pouco a questão do transporte na Capital. “São poucos ônibus. Talvez a mudança seja até pior para os passageiros atuais com relação ao que era antes, porque diminui a oferta [dos ônibus], então é preciso verificar se será mais rápido de fato, e se a espera não vai ser grande. Além disso, é uma obra que somente terá sucesso no que se propõe daqui há 40, 50 anos, já que na região em que está sendo realizada, não há demanda. Hoje, o crescimento de Goiânia não se dá naquela região ”, exemplificou Marcos. 

Marcos Rothen elenca ainda que o principal problema do transporte goianiense é a falta de planejamento. “Goiânia precisa ter planejamento. As obras têm que ser feitas com mais cuidado, mais técnica. Falta controle, organização. Não há justificativa para a Capital ainda não saber planejar”, apontou. 

Ressalvas 

Já Antenor Pinheiro, geógrafo e especialista em Mobilidade Urbana, apesar de destacar que a entrega das obras está atrasada, vê de forma positiva a inauguração do trecho. “Qualquer operação, qualquer sistema de BRT em qualquer cidade do mundo é qualidade, otimização dos transportes. Se vai entregar uma parte, que seja operacionalizado da melhor forma possível, implantando o que foi planejado”, afirmou. 

Segundo o especialista, é necessário que haja monitoramento e que sejam realizados ajustes. “Não é de hoje para amanhã que teremos respostas, mas a tendência é sempre qualificar”, apontou. Para Antenor, contudo, o que falta desde o início é uma ciclovia. “O sistema [BRT-Norte Sul] poderia ter uma ciclovia agregada. Faltou ter aproveitado uns três metros da calha do BRT para oferecer a opção da bicicleta. Além disso, outro ponto é que esperamos que as calçadas sejam adequadas em obediência ao que manda a legislação no que se refere à acessibilidade”, destacou. 

Entretanto, mesmo com a entrega do trecho, Antenor Pinheiro destaca ainda que a gestão é, hoje, o principal desafio quando falamos de transporte na Capital. “Não temos mais como sustentar o sistema de transporte com base apenas na tarifa, como é feito hoje. Temos tecnologia, infraestrutura, legislação favorável, o que precisamos é de decisão política e de vontade de resolver o problema”, apontou. 

BRT Norte-Sul De acordo com a Prefeitura de Goiânia, o trecho do BRT Norte-Sul tem quase 22 km de extensão totalmente exclusivos para a via entre o Recanto do Bosque até o Terminal Isidória. Quando entrar em operação, a estimativa da gestão é que o BRT Norte-Sul beneficiará mais de 150 mil passageiros que trafegam entre as regiões. (Especial para O Hoje)

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