Trabalho informal é o sustento de 1,3 milhão de goianos

Postado em: 14-10-2021 às 07h40
Por: Daniell
Houve uma melhora na taxa de desemprego, porém o número ainda é bastante alto, aponta especialista. | Foto: Reprodução/Internet

O número de trabalhadores informais em Goiás se manteve estável no primeiro trimestre deste ano em comparação aos três meses anteriores. É o que aponta pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima cerca de 1,32 milhão de pessoas nesta categoria  –  40,9% da população goiana ocupada. O Estado ficou acima da taxa média nacional, que foi de 40,6% para o segundo trimestre deste ano.

São considerados informais as categorias de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; domésticas sem carteira assinada; empregadores sem registro no CNPJ; trabalhadores por conta própria, também sem CNPJ; e trabalhadores familiares auxiliares.

A artesã Maria Cleonice Pereira, de 55 anos, acorda às 5 horas para trabalhar. Ela vendia bolos e salgados em uma escola, mas por conta da pandemia do Coronavírus a unidade teve as atividades suspensas. Agora, ela vende seus produtos para os vizinhos e clientes que adquiriu durante este período.

Por não ter uma renda fixa, decidiu trabalhar sem os direitos que a carteira assinada oferece. “É cansativo, mas vale a pena. Depois das vendas não faltou dinheiro em casa”, conta. Vendendo produtos alimentícios, ela encontrou uma alternativa para quitar as dívidas.

Embora a informalidade venha crescendo de maneira frenética, a modalidade é muito melhor que o desemprego, como explica o economista Everaldo Leite, experiente na área de Economia e Políticas Públicas. “Quanto mais pessoas desempregadas, menos renda disponível há para haver consumo. As pessoas que trabalham informalmente atuam em alguma função e obtêm renda, que, consequentemente retorna para o mercado”, destaca.

No Brasil nos últimos seis anos, o ritmo na criação de empregos informais dobrou. De um total de 89 milhões de ocupados, 36,3 milhões são informais. Segundo o IBGE, eles representam quadro em cada 10 ocupados. Apesar do aumento de 27% nos anos de estudo na metade mais pobre do País, sua renda caiu 26,2% em dez anos, segundo a FGV Social. Quase 32 milhões de brasileiros trabalham menos do que gostariam ou estão desocupados.

Sem arrecadação

A economista e gestora em finanças, Tassiana Gomes, avalia que a economia informal não contribui para o Produto Interno Bruno (PIB). “A informalidade impacta de forma negativa o mercado brasileiro. Empregos sem registros são sinônimos de falta de arrecadação de impostos, taxas e contribuições para os cofres públicos”, avalia.

Por outro lado, o economista Everaldo Leite, experiente na área de Economia e Políticas Públicas, explica que o desemprego é ainda mais negativo para a economia. “Quanto mais pessoas desempregadas, menos renda disponível para haver consumo. As pessoas que trabalham informalmente, atuam em alguma função e obtêm renda, que, consequentemente retorna para o mercado”, afirma Everaldo.

Desemprego atingiu 12%

Segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desocupação no Estado registrou 12,4% no segundo trimestre deste ano, o que indica estabilidade em comparação ao trimestre anterior. Em números absolutos, o valor representa 447 mil desocupados no Estado entre os meses de abril e junho.

O quantitativo em Goiás foi de 1,7% menor que a nacional. Assim, o Estado se posicionou como o oitavo com a menor taxa de desocupação do País. A pesquisa averiguou que Goiás possuía 3,61 milhões de pessoas na força de trabalho no trimestre em questão. A força de trabalho é composta pelos ocupados (incluindo subocupados por insuficiência de horas) e desocupados. Já a taxa de desocupação é o percentual de pessoas desocupadas em relação às pessoas na força de trabalho durante o período analisado.

Segundo o chefe do IBGE em Goiás, Edson Roberto Vieira, houve uma melhora na taxa de desemprego, porém o número ainda é bastante alto. Ele explica que é comum o índice do segundo trimestre do ano ser menor em relação ao primeiro, por mais que esteja em um contexto de desequilíbrio econômico. Isto ocorre porque pessoas que não estavam procurando emprego no início do ano passam a ir atrás de uma oportunidade. Além disso, o fim de contratos temporários firmados para as festas de fim de ano pesa nos dados do primeiro trimestre. (Especial para O Hoje)

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