Saiba como mais de R$35 milhões para o Hugo acabou custeando viagens e aquisição de imóveis

OS responsável pela unidade de saúde é investigada por supostos desvios

Postado em: 23-10-2021 às 10h41
Por: Redação
OS responsável pela unidade de saúde é investigada por supostos desvios | Foto: Reprodução

Por Yago Sales

Um grosso calhamaço de documentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) diagnostica o problema no Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz, gerido pela Organização Social Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS). Em visita no dia 17 de setembro deste ano à unidade, a Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS) constatou falta de materiais de Órtese e Prótese para cirurgias de pacientes da ortopedia internados. Fato que agravou dados do relatório em que a reportagem do jornal O Hoje teve acesso.

Naquele dia, foram encontrados 16 pacientes aguardando cirurgias. A partir da análise do percurso deles dentro do hospital até à sala de cirurgia, técnicos encontraram demora na avaliação do médico especialista. “O paciente só é reconhecido dentro da unidade quando encaminhado para o andar da cirurgia onde há demora na solicitação de exames para o risco cirúrgico”, diz o texto apurado que ainda destaca que não havia disponibilidade de órteses e próteses no almoxarifado da unidade. Também foram encontrados pacientes na fila, aguardando cirurgia desde o dia 12 de agosto de 2021. Na ocasião, a Diretoria Técnica reconheceu que faltavam insumos há 15 dias. Havia indícios de mais de 30 dias.

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Por outro lado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) identificou a compra de imóveis com valores que ultrapassam R$35 milhões, pela Organização Social, apontada. A justificativa, no entanto, de que os valores correspondem a ‘rateio de despesas administrativas, não constavam no Sistema de Prestação de Contas Econômico Financeiro (Sipef). Ferramenta utilizada para dar publicidade aos gastos públicos e evitar irregularidades.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) solicitou documentos à OS que postergou a entrega. A demora tinha uma justificativa. Embora seja uma entidade sem fins lucrativos, a OS usou dos recursos para comprar imóveis de R $24 milhões em Camaçari, município da Bahia que ficam a 2 km do Hospital Geral de Camaçari, que tem contrato com o INTS para contratação de equipe médica. Em Salvador, capital baiana, o INTS comprou uma casa por R$11 milhões e salas comerciais avaliadas em R$400 mil. No balancete financeiro também foi revelado gastos que chegam a R$70 mil com viagens aos Estados Unidos. A reportagem de O Hoje não conseguiu contato com o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde, mas aguarda resposta. (Especial para O Hoje)

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