Empresas de transporte de Goiânia fazem ‘lobby’ para manter subsídios

Secretário de Governo aponta que plano emergencial de subsídio às empresas pode ser mantido no mesmo percentual atual

Postado em: 13-11-2021 às 08h48
Por: Raphael Bezerra
Secretário de Governo aponta que plano emergencial de subsídio às empresas pode ser mantido no mesmo percentual atual | Foto: Reprodução

As empresas do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia trabalham para a manutenção do subsídio do Estado e da prefeitura da Capital para conseguir manter o preço das passagens no ano que vem. A justificativa das empresas é a mesma, de que a redução do número de usuários e o aumento do custo do combustível provocaram prejuízos na operação do sistema.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (SET), Adriano Oliveira, alega que o repasse dos prejuízos ao usuário seria o pior caminho e diz que há tratativas com o Estado e a prefeitura de Goiânia em busca de um acordo. Uma das propostas levantadas pelo SET seria a adoção de duas tarifas, uma que seria paga pelo usuário, com valor reduzido, e a tarifa técnica, que seria aportada pelo poder público.

O que a gente defende é a existência de duas tarifas, que é a de remuneração que leva em conta o contrato e o custo de operação, a tarifa técnica, que vai remunerar os serviços prestados. E a tarifa pública que vai ser paga pelo usuário. Com essas duas figuras você passa a ter essa diferença”, defende Adriano.

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A medida está sendo levada à mesa de negociação do poder público junto ao pedido de permanência do plano emergencial de socorro às empresas do transporte coletivo. “Em 2021 o Estado e a prefeitura entraram em acordo, pois o sistema estava em via de colapso com a terceira onda e o embarque prioritário e cada um (Estado e a Prefeitura de Goiânia) assumiram 41% desse déficit. Ao longo do ano inteiro, em torno de R$ 70 milhões de déficit”.

Com a pandemia, uma ação Civil Pública do Ministério Público de Goiás (MP-GO) cobrou o socorro do Estado e municípios da Região Metropolitana de Goiânia. Além do subsídio do governo de Goiás e de Goiânia, Senador Canedo arcou com 8% e a prefeitura de Aparecida de Goiânia, que deveria subsidiar com 9%, optou por ficar de fora da subversão.

O secretário da Governadoria, Adriano da Rocha Lima, aponta para a manutenção do subsídio criado com o plano emergencial. Em entrevista à Rádio Sagres 730, o secretário disse que os percentuais devem ser mantidos e que uma ação judicial pede que o município de Aparecida de Goiânia seja obrigado a contribuir com o aporte. “Para que o valor do custo não seja repassado para o usuário e sim arcado nessa proporção pelos entes envolvidos”, argumenta.

Segundo o secretário e o presidente do Sindicato, essa proposta de modernização deve ser apresentada ainda no mês de novembro. “Não é tanto dinheiro, não é uma fortuna, ainda mais para o orçamento público, estamos falando de algo possível que é uma região metropolitana que vai repartir entre estado e várias prefeituras”, diz o presidente da SET.

“O próprio Estado tem se mostrado preocupado em ter uma solução para a mudança, a prefeitura da mesma forma. Acreditamos que teremos uma solução e uma transformação que com certeza não repassa o custo para o usuário, que seria o segundo pior cenário, o pior é não fazer nada”, completa.

Déficit e redução de usuários

A redução de usuários com as medidas de isolamento para a contenção da disseminação da Covid-19 provocou déficit operacional na ordem de R$ 80 milhões, segundo o presidente da SET. Outro fator que prejudicou as operações foram os constantes aumentos no preço do diesel, que somente esse ano subiu 50%.

A tendência é que para os próximos anos, o número de usuários se mantenha em queda pela concorrência de aplicativos de transportes individuais e a má qualidade do serviço público pelas empresas de ônibus. “Se nada for feito, com certeza vai continuar caindo, a gente não retorna aos números de antes da pandemia como a tendência é de queda. A gente acredita que na Região Metropolitana é que a gente precisa de uma reformulação e uma reestruturação”, diz Adriano. (Especial para O Hoje)

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