Saiba quais soluções engenheiros apontam para o aumento dos buracos em vias públicas

Antes da pavimentação é preciso realizar um levantamento técnico e aplicar sistemas de drenagem

Postado em: 24-11-2021 às 08h22
Por: Redação
Antes da pavimentação é preciso realizar um levantamento técnico e aplicar sistemas de drenagem | Foto: Jota Eurípedes

Por Alzenar Abreu

A situação do pavimento asfáltico de Goiânia ganha destaque com mais um capítulo que se repete todo ano com a chegada das chuvas. Todo ano novos buracos surgem, enquanto outros são recapeados com massa asfáltica, os famosos tapa-buracos. Para especialistas em engenharia de trânsito e mobilidade, o modelo de gestão adotado, desde sempre, nunca contemplou o cerne do problema: que é contratar empresas competentes com tecnologia para executar serviços de excelência para fazer asfalto de qualidade. Tendo como base a execução conjunta de projetos de drenagem para sugar a água da chuva.

De acordo com o perito de trânsito e especialista em mobilidade, Antenor Pinheiro, a gestão para escolha dos contratos foi ruim e a execução, também. Ele acredita que a negligência por ignorarem a aplicação dos sistemas de drenagem dos solos e a fiscalização são falhas pungentes. “Combinamos tudo isso em uma ebulição de buracos nas ruas de Goiânia”, resumiu.

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Antenor explica que antes da pavimentação é preciso realizar um levantamento técnico e aplicar sistemas de drenagem da água, antes de aplicar o asfalto. Isso porque, são esses sistemas de engenharia que, colocados em locais estratégicos, vão drenar a água das chuvas. Que, não avançarão mais com tanta violência sobre as vias e, assim, manterão os pavimentos com menos buracos expostos.

Prédios em áreas nobres

Enquanto explodem vídeos na web sobre buracos asfálticos que estragam veículos e põem em risco a vida das pessoas, empreiteiras que constroem prédios em áreas nobres como no Parque Flamboyant não são multadas por colaborarem com o caos. “Todo mundo sabe que os prédios possuem bombas de dreno de água do solo que minam constantemente sob os prédios edificados e são jogadas na rua, sem qualquer fiscalização”, diz.

O especialista explica que o mesmo ocorre em prédios de luxo edificados nas ‘Ts’ 3, 4 e 5. “A água pura que sai do solo, ao invés de ser reaproveitada, para uso do próprio condomínio vai para rua para destruir o asfalto. Porque esses condomínios não investem num sistema de reaproveitamento dessa água. É porque quem fiscaliza faz vista grossa?”, questiona Antenor.

Riscos por todos os lados

Para outro estudioso do tema, o professor de engenharia de Transporte do Instituto Federal de Goiás (IFG), Marcos Rothen, em período de chuvas, qualquer lugar para trafegar em Goiânia é perigoso. “Porque, infelizmente, é imprevisível com o asfalto ruim que temos. Eu mesmo perdi dois pneus. Um na Avenida D e outro na Anhanguera onde meu carro caiu em buracos. Se acontece em avenidas de grande porte, imagine nas menores”, conta Marcos.

Pelo consenso dos especialistas é preciso reavaliar o trabalho executado e refazer o que está ruim. Com uso de tecnologia de ponta para não ter mais esse tipo de problema.

Marcos diz que um asfalto bem feito pode durar cerca de 20 anos. E que algumas etapas no preparo do solo são de extrema importância porque o solo precisa ser devidamente bem compactado e estar em um lugar fixo. Para tanto, uma estrutura lisa é fundamental e a massa usada tem de ter de quatro a cinco centímetros para que possa amortecer o impacto dos veículos.

Marcos pontua que o peso do volume dos carros que passam por cima do asfalto deve ser levado em consideração. “Uma estrada, por exemplo, tem um trabalho maior para a confecção de um asfalto, pois um caminhão pesa mais que um veículo de passeio. Se for bem feito, a durabilidade de 20 anos pode ultrapassar”.

Segundo ele, a adoção do tapa-buracos é uma situação que resolve de maneira passageira o problema crônico das grandes cidades. “A causa daquele problema ainda continua ali. A mesma coisa é o tapa-buraco. Isso funcionará de maneira paliativa”, pontuou.

Projeto 630

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Seinfra, publicou em agosto de 2019 no Diário Oficial aviso de licitação referente à Concorrência Pública do tipo menor preço, para contratação de empresa para executar as obras de restauração e reconstrução das ruas da Capital. O projeto conhecido como 630 foi contratado à época pela Prefeitura de Goiânia, em gestão anterior a do prefeito Rogério Cruz, para reconstrução asfáltica de 111 bairros em Goiânia.

Orçado, preliminarmente por R$ 400 milhões, incluindo a supervisão e sinalização das vias, vindos do Tesouro municipal, a obra é dividida em quatro lotes, que compreendem todas as regiões de Goiânia.

Os 630 km de vias previstos compreendem, segundo gestores à época, a mudança quase que total da pavimentação asfáltica em todas as regiões de Goiânia, numa área que abrange praticamente toda a cidade.

Secretaria de Infraestrutura diz que ainda há muito a ser feito

De acordo com o secretário de Infraestrutura Urbana de Goiânia (Seinfra), Fausto Sarmento, dizer que “nunca houve um trabalho profissional para executar asfalto em Goiânia é subjetivo”. O que temos é uma extensa malha asfáltica metropolitana. Para se ter uma ideia, do projeto 630, foram executados apenas 14% da cidade. “Considero que temos, realmente, algumas deficiências. Com o crescimento da cidade, temos galerias de drenagem antigas que não comportam mais o volume das chuvas. Principalmente na região Central que alaga constantemente”, diz Fausto.

O secretário explica que muito deve ser feito. Devemos atuar por etapas. No final do ano vamos concluir o projeto 630  que não podemos alterar, apenas cumprir, por força de lei nos contratos) e lançar outro projeto. “Estamos em busca de recursos para adiantar porque sabemos que os buracos ainda existem e as chuvas não vão segurar o asfalto em algumas ruas”, pontuou.

Galerias de Drenagem

De acordo com secretário, todas as obras de asfalto realizadas na atualidade precedem a inclusão de equipamentos de drenagem como bueiros, para não sobrecarregar o asfalto com a chuva. “Entregamos, recentemente, no bairro Shangrilá,  asfaltamento completo. “Nenhuma obra mais está sendo realizada sem a drenagem prévia construída”, afirmou.

Condomínios

Sobre a questão das águas jogadas nas ruas provenientes dos condomínios no bairro Jardim Goiás e demais que comportam edificações de prédios recentes, que tiveram sistema de drenagem de água de subsolo aplicada, Fausto diz que já está sendo realizado levantamento  para trabalho conjunto, entre secretarias, para acabar com o problema.  “Nesses locais, além da água não mantém asfalta em boa qualidade ali, em momento algum, têm-se a mistura do ataque químico contra o asfalto. Porque são geradas as águas drenadas das fontes dos subsolos e as que se misturam com produtos para lavar os prédios”, pontuou. O secretário garante que todos os condomínios terão de se adaptar às normas para não jogar mais água nas ruas.

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