Macacos voltam para antigo abrigo após 40 anos sem reforma

Postado em: 25-11-2021 às 08h00
Por: Redação
Ilha dos Primatas foi reformada com limpeza de áreas assoreadas e projeto arquitetônico. Foto: Jota Eurípedes - O Hoje

Por Alzenar Abreu (especial para O Hoje)

Uma das atrações mais divertidas do zoológico de Goiânia ganhou novo visual com reforma das seis ilhas onde vivem 16 macacos, de diversas espécies, que adoram fazer graça para o público. Em principal, crianças. Em reforma há mais de três meses, os bichos foram alojados em outro espaço no zoo.

Segundo o presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer da Prefeitura de Goiânia (Agetul), Valdery Júnior, eles estão mais felizes do que nunca porque voltaram para o antigo lar, em meio às ilhas que ganham quatro vezes mais espaço do que antes. A visitação está disponível já para o próximo domingo (28).

A reforma foi necessária porque as águas do Lago das Rosas, assim como de vários córregos que cortam a cidade de Goiânia, recebem, sempre, no período das chuvas, a sobrecarga de lixo acumulado e barro que se desprende do solo e segue rumo aos cursos das águas. No caso do Lago das Rosas, onde fica o zoológico, foi necessária a retirada de 800 carretas de lama para desassorear o lago. Depois, o lago foi secado para fazer enxertos de solo em locais muito profundos.

Foi a primeira vez que aquele lago teve retirada de tanto barro acumulado. “Para se ter uma ideia, a profundidade ideal de determinado trecho que era de um metro estava com 10 cm”, explica Valdery. Um perigo para fuga dos animais. Os 14 primatas foram transferidos para as seis ilhas reconstruídas.  O presidente conta que a maior surpresa foi quando tiveram de secar o lago. As águas turvas não deixavam exibir as belezas naturais dos peixes que conseguiram sobreviver em alguns pontos mais profundos.

Com ajuda de estudantes de veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG) e técnicos da Agetul foram retirados 40 tambaquis que foram devolvidos para o lago revitalizado, após ficarem na espera em outro lado de Goiânia. “Resgataram um deles de 48 kg. Foram necessários quatro homens para retirá-lo da rede”, disse.

A obra orçada em cerca de R$ 2 milhões contou com recursos próprios da prefeitura e de órgãos ligados para reestruturar a obra. “As ilhas estavam quase por desmoronar.  Refizemos o espaço e usamos pedras especiais para dar base de sustentação às estruturas das seis ilhas”, explica Valdery.

As ilhas ganham novo visual com replantio de novas plantas e árvores, equipamentos para garantir a brincadeira dos bichos como mangueiras, teias de aranha artificiais, tocos para passagens e casinhas. “Foi emocionante quando os soltamos nas ilhas remodeladas. A euforia foi uma só”, diz o presidente.

As novas ilhas também contêm plataformas, postes com mangueiras de bombeiro e pontos de visualização, além do plantio de mudas de árvores do Cerrado.

Espécies

Duas espécies em Goiânia tipo siamangs são as únicas em todo território brasileiro dentro dos zoos nacionais. “É umas das maiores atrações que temos dentre outros muito bonitos. Mas é importante ressaltar que os zoológicos não são espaços onde vivem animais capturados da natureza.  Nós recebemos os que são vítimas de tráfico. Que chegam feridos nas matas por caçadores e lá são tratados pelos veterinários – como um sussuarana que tem uma patinha amputada – ou aqueles que, por algum motivo, se desprendem dos grupos familiares ”, diz.

Foram transferidos para as novas ilhas seis macacos-aranha-de-cara-branca, três macacos-aranha-de-cara-preta, dois babuínos-verdes, um babuíno-sagrado e dois macacos siamangs. A equipe de veterinários e biólogos do zoológico realizou a soltura e os animais já curtem os novos espaços, que são maiores e mais confortáveis. 

O prefeito de Goiânia Rogério Cruz destacou que a reforma é mais um sinal que os animais do Parque Zoológico desfrutam de espaços preparados para o bem-estar animal. “Nosso zoológico tem um papel fundamental na preservação de espécies. Esses novos espaços garantem aos primatas um ambiente de aconchego e muita diversão”, disse o prefeito.

Peixes dos lagos foram remanejados

Para que a reforma fosse realizada, o zoológico remanejou os animais temporariamente para um lago em outra parte do parque. A transferência dos peixes para o segundo lago foi feita por funcionários da Agetul, Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG). 

Os peixes que viviam há décadas no zoo serão mantidos no Lago 2 do parque. Agora, o presidente da Agetul informa que novas espécies nativas devem ser colocadas no lago reformado, em parceria com a Amma e a Escola de Veterinária da UFG.

Mas a revitalização não se restringiu às ilhas dos macacos.  A tecnologia agora é aliada dos visitantes que desejam um roteiro teleguiado via aplicativo. Cada habitat dos animais foi mapeado e o trajeto fica à disposição de quem deseja ver os leões, primeiro, ou as aves. Isso além dos painéis eletrônicos dispostos em tamanho gigante que também dão a visão panorâmica do zoo. “É um prazer entregar essa obra. Que fica no coração de Goiânia para nossa população ter uma atração a mais para visitar”, diz.

O Parque Zoológico de Goiânia é responsável pelos cuidados de 124 espécies de aves, mamíferos e répteis. Dentre elas, 92 são representantes da fauna brasileira e 32 são exóticas, cuja distribuição geográfica natural engloba áreas dos continentes Americano, Africano, Europeu, Asiático e Oceania.

Espécies em extinção

Outro dado relevante é o número de espécies ameaçadas de extinção: Arara Azul, Ararajuba, Papagaio de Peito Roxo, Macaco Aranha da Cara Preta, Onça Pintada, Macaco Syamang, Macaco Cuxiú e Tigre são alguns exemplos das 31 espécies que estão sob nossos cuidados e apresentam algum nível de ameaça de extinção.

O zoo também empreende esforços para abrigar animais vindos do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Tal ação possibilita aos animais acolhidos melhor qualidade de vida, haja vista que muitos deles, por serem oriundos de resgate ou apreensão por posse ilegal, não têm condições de retornar à natureza. (Especial para O Hoje)

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