Crise faz consumidor deixar contas para trás e priorizar o pagamento do aluguel

Postado em: 26-11-2021 às 08h51
Por: Redação
Pessoas deixam contas como de lojas, cartões ou de água e luz em segundo plano | Foto: Jota Eurípedes

Por Alzenar Abreu

Entidades que fazem levantamento de crédito no País chegaram à conclusão que o perfil de inadimplentes prioriza o dinheiro que ganham para pagar o aluguel. Foram 365 entrevistados que deixaram contas como de lojas de departamento, cartões de crédito ou de água e luz em segundo plano com medo de ficarem sem teto.

No cômputo da pesquisa, a maior parte deles (60%) tem entre 30 e 49 anos, ensino médio completo (29%) ou graduação completa (27%), são empregados (36%) ou trabalham por conta própria, incluindo empresários (37%). Uma fatia de 18% estava desempregada.

Em Goiânia, o casal Maria Arlete e Zaquel de Conceição que mora no bairro Buena Vista está nessas condições. “Aqui em casa só meu esposo trabalha. Eu tenho um filho pequeno de 4 anos que não conseguiu vaga nos dois Cmeis [Centro Municipal de Educação Infantil] daqui. Não tenho com quem deixar. O dinheiro não dá. Temos uma conta de uma loja atrasada de R$ 400 e às vezes não pagamos a água ou a luz. Quando está para cortar arrumamos, no sufoco, o dinheiro”, diz.

Ela diz que não sobra dinheiro para comprar roupas e calçados. “Meu marido tem carteira assinada e trabalha como pintor em uma empresa. Acho que no final do ano poderemos fazer umas poucas compras”, diz.

Levantamento da empresa de recuperação de crédito Intervalor revela que, no caso de falta de dinheiro, (31,5%) responderam que a prioridade é pagar aluguel. Na sequência, vêm as contas de consumo, como luz e água e (26,4%) e o cartão de crédito (13,1%).

No estudo, o cartão de crédito é usado como complemento de renda. Mas, quando falta dinheiro, garantir a moradia e as condições básicas relacionadas ao morar, como água e luz, vêm em primeiro lugar.

Vida financeira desordenada

A pesquisa concluiu que 90,7% dos entrevistados tiveram a vida financeira desordenada pela pandemia em 2020. Grande parte, ou alguém da família perdeu o emprego – o que raptou parte da renda da casa – e os informais e autônomos deixaram de trabalhar devido aos lockdowns aplicados para conter a proliferação do vírus da Covid 19.

Infelizmente, tal condição se mantém este ano para a maioria, 85,8% dos pesquisados. Especialistas também ressaltam que a falta de dinheiro foi uma onda que se generalizou.

O objetivo da pesquisa foi entender os motivos que levaram ao descontrole financeiro e ao atraso no pagamento das contas. A perda do próprio emprego ou de alguém da família foi o principal motivo para a inadimplência para 43%. A pesquisa mostra que ninguém ficou de fora do abalo. De certa forma ou proporções, indivíduos de classes sociais diferentes e níveis de escolaridade foram afetados.

Prévia da inflação apresentou maior variação desde 2005

Dados divulgados ontem (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em novembro, Goiânia registrou variação mensal de 1,86% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – IPCA-15. A maior taxa desde 2005, quando o índice chegou em 2,14% em novembro. Com isso, o acumulado no ano atinge 10,07%, e o acumulado nos últimos doze meses, 11,09%.

Todas as áreas pesquisadas apresentaram alta em novembro. A maior variação foi a de Goiânia (1,86%), cujo resultado foi puxado pela energia elétrica (10,93%) e pela gasolina (5,87%). O menor resultado ocorreu na região metropolitana de Belém (0,76%), onde houve queda nos preços da energia elétrica (-2,05%) e do açaí (-9,30%).

Com isso, o acumulado no ano atinge (9,75%) no Brasil contra (10,7%) em Goiânia. Na variação acumulada nos últimos 12 meses, Goiânia bateu a marca de 11,09%, contra (10,73%), no Brasil.

O IPCA é medido mensalmente pelo IBGE. É somado a partir dos preços determinados por segmentos de produtos e serviços, tais como alimentação, moradia e educação. A soma das variações mensais compõem o Índice anual. Diferente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apenas no período de coleta

Combustíveis e energia elétrica puxaram a inflação

Essa alta se deu pelo aumento de mais de 6% nos combustíveis e de mais de 10% na energia. Com maior peso na cesta de compras das famílias (com rendimentos entre 1 e 40 salários-mínimos) estão veículo próprio, que subiu 1,17% em novembro; combustíveis de veículos, com alta de 6,03%; e energia elétrica residencial, 10,93%.

Destacam-se os combustíveis, que já acumulam 46,35% de alta no ano. Entre eles, a gasolina subiu 5,87% nesta prévia de novembro, acumulando 44,34% em 2021. O etanol subiu 6,06% no mês, acumulando 56,85% no ano. Por fim, o óleo diesel avançou 10,03% em novembro, acumulando 46,13% no ano.

Gás

Gás de botijão atinge alta de 40% no ano e energia elétrica chega a 25% em 2021. A análise por grupos mostra que, dos nove pesquisados, oito apresentaram alta na prévia da inflação de novembro em Goiânia.

A maior alta no mês ocorreu no grupo Habitação (4,66%), que atingiu sua sétima alta consecutiva, puxada mais uma vez pelo gás de botijão (3,12%), que só em 2021 já subiu 39,62% e acumula alta de 43,58% nos últimos 12 meses; e pela energia elétrica residencial (10,93%), que acumula alta de 25,75% no ano e de 34,46% nos últimos 12 meses.

Em seguida, vem o grupo dos Transportes (3,14%) com 17 meses sem quedas nos seus preços, com destaque para, além dos combustíveis supracitados, o transporte por aplicativo, que subiu 25,61% em novembro e já acumula alta de 54,71% no ano e 69,68% nos últimos 12 meses.

Comida na mesa

O grupo de Alimentação e bebidas (0,59%) alcançou sua nona alta consecutiva, e já acumula 8,72% em 2021 e 11,72% nos últimos 12 meses. A elevação nos preços foi pressionada principalmente pelos subitens refeição (0,76%), que já acumula 8,73% no ano, frango em pedaços (3,41%), que já acumula 23,0% em 2021, óleo de soja (1,98%), que acumula 9,94% no ano, e cerveja (4,04%), que acumula 7,72% no ano e 11,69% nos últimos doze meses. O único grupo com queda foi Artigos de residência (-0,65%), com quedas nos preços do computador pessoal (-4,26%), ar-condicionado (-3,78%), televisor (-1,75%) e refrigerador (-1,53%).

Atualmente a população-objetivo do IPCA-15 abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes em 11 áreas urbanas das regiões de abrangência do SNIPC, as quais são: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

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