Estado perde participação no setor cultural nos últimos 10 anos

Postado em: 09-12-2021 às 10h43
Por: Daniell Alves
Mostra Nacional em Pirenópolis envolveu o trabalho de 355 pessoas, gerando empregos na cidade | Foto: Reprodução

O Estado perdeu participação no setor cultural nos últimos 10 anos, aponta pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2019, cerca de 9,6 mil unidades locais das empresas ou organizações atuaram nas atividades do setor cultural em Goiás e corresponderam a 5% do total das unidades locais formais em Goiás. Houve perda de participação do setor na comparação com 2009, quando a cultura representava 6,1% das unidades locais. 

Segundo a pesquisa, essas unidades locais ocuparam 34,5 mil pessoas assalariadas em 31 de dezembro de 2019, com salário médio mensal de R$ 2.115. Em Goiás, as atividades econômicas dentro do conjunto atividades culturais centrais respondem pela maioria das organizações e dos assalariados nesse setor, 64,7% e 57,0% do total, respectivamente, e pagaram R$ 1.369 mensais, em média. Enquanto as atividades culturais periféricas incluíram o restante das organizações (35,3%) e dos assalariados (43,0%), mas com remuneração média maior, de R$ 1.950 mensais.

O analista do estudo, Leonardo Athias, explica que, com raras exceções, a pandemia desacelerou a economia. Ele cita o caso das atividades consideradas não essenciais. “No setor cultural, isso ficou ainda mais evidente no segmento de eventos e recreação, com o fechamento total de casas de espetáculo, cinemas, teatros e outros equipamentos culturais, com a menor mobilidade das pessoas para controle do vírus”, ressalta. 

Para explorar os domínios culturais, tais como definidos no Marco da Unesco, as atividades consideradas culturais foram classificadas como centrais (letras A, B, C, D, E, F, H, domínio transversal Educação e capacitação) e periféricas (domínio transversal Equipamentos e materiais de apoio), compondo dois conjuntos: atividades culturais centrais e atividades culturais periféricas.

Livro e imprensa 

Durante este período, Livro e imprensa foi o domínio no setor cultural cujo número de unidades locais mais caiu, com a redução de 598 unidades (-28,4%), aponta a pesquisa. Já o Esporte e recreação perdeu 190 unidades locais, o que representa uma queda de 45,9% no setor. Por outro lado, Design e serviços criativos ganhou 942 unidades locais (116,0%) na comparação entre 2019 e 2009. Assim, as Atividades Culturais Centrais cresceram 8,9%, enquanto as Atividades Culturais Periféricas caíram 9,2% nos últimos dez anos.

24,5 mil perderam empregos 

Com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE,  foi possível detalhar o mercado de trabalho do setor cultural para pessoas com vínculo formal (como no Cempre e nas pesquisas estruturais) ou informal, captando a inserção laboral da população a partir de entrevistas domiciliares. 

Em 2020, o setor cultural goiano representou 137 mil ocupados (4,4% do total), uma queda de 15,1% em relação a 2019, quando o setor ocupava 162 mil pessoas e representava 4,7% do total. A pandemia de Covid-19 teve forte efeito na ocupação e o setor cultural perdeu mais postos de trabalho em comparação com o total, 8,8% a menos (de 3,4 milhões para 3,1 milhões de pessoas).

“A pandemia destruiu mais postos de trabalho informais do que formais. Apesar de um perfil com maior nível de instrução, houve mais trabalhadores em ocupações informais no setor cultural do que em todos os setores juntos”, observa Leonardo. Em todo o país, esse percentual foi de 41,2% dos ocupados no setor cultural e 38,8% dos ocupados em todos os setores. 

A 20ª edição do Canto da Primavera – Mostra Nacional de Música de Pirenópolis, realizada neste por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), contribuiu para retomar o fôlego no setor. Nesta edição, o Canto da Primavera contou com 355 pessoas envolvidas diretamente com o evento, entre elas: apoio, produtores, professores, músicos e equipe técnica. Além disso, a Mostra foi responsável pela geração de empregos temporários na cidade, movimentando não só pousadas e hotéis, mas ainda bares e restaurantes. (Especial para O Hoje).

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