Goiás é o 3º estado com mais mortes por dengue no Brasil em 2021

Postado em: 27-12-2021 às 07h10
Por: Redação
Ovos do mosquito, depositados, podem permanecer vivos por quase um ano. Nas chuvas, eles eclodem e se transformam em milhares de vetores da dengue, zika e chikungunya \ Foto; Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz, 

Goiás é o 3º estado com mais mortes por dengue no Brasil neste ano (21 casos). Atrás, apenas, de São Paulo (58), e Paraná (28). Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que já foram notificados 67, 2 mil casos da doença.

De acordo com a superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, que conduziu reunião virtual de alerta em Goiás, para fortalecer o trabalho de combate à dengue, zika e febre chikungunya o momento é de acionar os profissionais de Saúde, que atuam na linha de frente sobre casos de  urgência e emergência, para intensificar ações de controle dos vetores, em especial pelo aumento da proliferação do Aedes aegypti durante o período chuvoso. 

O encontro foi direcionado aos representantes dos municípios da região metropolitana de Goiânia, mas também contou com a presença de profissionais de outras cidades, das regionais de Saúde e do Corpo de Bombeiro Militar.

Na reunião ficou definido que o Levantamento Rápido de Índice para o Aedes aegypti (LIRA) precisa ser executado pelos municípios em janeiro. Este trabalho é uma pesquisa amostral para identificar o índice de infestação das cidades e as regiões com mais focos do mosquito. Após a execução desta estratégia, os municípios acionarão as equipes de limpeza urbana para direcionarem as ações nas áreas mais críticas identificadas pelo LIRA.

De acordo com Flúvia, o LIRA é uma ferramenta de gestão fundamental para promover a controle dos vetores e precisa ser realizado de maneira multisetorial. “É necessário ter uma visão de unidade no combate ao Aedes. Somar forças com as outras secretarias da prefeitura é indispensável para o trabalho ter êxito”, comentou. Muitos técnicos da atuam no controle de vetores puderam contribuir com o encontro, relatando o planejamento estratégico dos municípios e as dificuldades do trabalho, em especial dos Agendes de Combate à Endemias.

Flúvia finalizou a reunião ressaltando a importância de conscientizar a população sobre a manutenção da limpeza das residências. “Todos devemos trabalhar para combater o mosquito”, concluiu.

O encontro de hoje está na esteira das mobilizações que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) tem realizado para conter os casos de doenças transmitidas pelo Aedes. No último dia (21), uma equipe da Suvisa reuniu-se com membros da Federação Goiana dos Municípios (FGV) e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Goiás (Cosems) para alinhar ações.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) alerta os municípios goianos para o controle ambiental e químico de combate à proliferação do mosquito Aedes aegipty, transmissor da dengue, zika e chikungunya, doenças chamadas de arboviroses e endêmicas em Goiás e toda a Região Centro-Oeste. Com o início do período chuvoso, o mosquito se reproduz com maior facilidade e o número de casos tende a aumentar.

“É importante que os gestores municipais priorizem ações de controle sanitário, como a limpeza urbana, a fiscalização de pontos estratégicos, como borracharias e ferro-velhos, visitas dos agentes de saúde aos domicílios e aplicação de fumacê nos locais específicos. Essas rotinas têm que ser intensificadas diante do possível aumento de casos nesse período”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim.

A dona de casa Iramar Jesus de Lima, moradora do Jardim Europa relata que no seu bairro por exemplo, está um caso sério. No setor inteiro, minha mãe pegou dengue, quase morreu, minha família inteira, umas 10 pessoas ou mais com essa doença, tem uma chácara aqui próximo que está só o mato, puro mato, quando chove, fica poças de água, com isso gerando focos de dengue, e outras doenças, o dono não está nem aí, só é dono pra dizer que é dono, essa chácara é o foco transmissor principal aqui do bairro, pois é cheia de matos, sem cuidado algum”, diz

Chikungunya

Em 2019, 396 casos de chikungunya foram registrados pelas autoridades, sem nenhum óbito. A Secretaria da Saúde afirmou que emitiu, em maio de 2021, um alerta sanitário sobre possível epidemia de Chikungunya no território goiano. A pasta informou que esse documento foi repassado para as 18 regionais de saúde e aos 246 municípios, com orientações sobre a identificação e monitoramento de casos suspeitos e ações de bloqueio do mosquito transmissor.

Embora os casos de chikungunya tenham aumentado, os números da dengue e zika vírus até a primeira semana de dezembro não ultrapassaram os valores de todo o ano passado. Em 2021, Goiás notificou 90 casos de zika em todo o estado, segundo a SES-GO. Já em 2020, o estado registrou 258 casos da doença em todo o território goiano. Não foram registradas mortes nos dois anos. Em relação à dengue, o estado teve até agora 67,2 mil casos de dengue neste ano, contra 84,3 mil em 2020.

“Goiás nunca teve uma epidemia por chigungunya. Nos preocupa porque temos muitas pessoas susceptíveis a esses vírus e nós ainda não tivemos o fim da pandemia de Covid. Então é muito importante que as pessoas se atentem”, afirmou a superintendente de vigilância em Saúde, Flúvia Amorim.

Outro motivo de atenção sobre a chikungunya é que  Goiás registrou 726 casos notificados da doença, um aumento de 168% em relação ao mesmo período do ano passado. São 306 registros confirmados em 24 municípios goianos, com a presença autóctone (transmissão local) do vírus. 

Por apresentar sintomas muito debilitantes e maior risco de sequelas, principalmente nas articulações, a doença é motivo de preocupação das autoridades sanitárias. “O engajamento de toda população no combate aos focos do mosquito é importante. Assim como a dengue, a chikungunya pode levar a quadros graves de internação e óbito”, reforça Flúvia Amorim.

Transmissão

A chikungunya também é transmitida pela picada do Aedes aegypti. Por ter uma transmissão bastante rápida, é necessário ficar atento a possíveis criadouros do mosquito e, assim, eliminar esses locais para evitar a propagação da doença, que pode causar sequelas como dores crônicas nas juntas por longo período de tempo.

A transmissão da mulher grávida para o feto só ocorre quando a mãe fica doente na última semana de gravidez. Nesse caso, mesmo que nasça saudável, a criança deve permanecer internada por uma semana, para observação e tratamento imediato, caso desenvolva a doença, que pode levar a quadros graves, com manifestações neurológicas e na pele. Também existe transmissão por transfusão sanguínea.

Sintomas

Após a picada do mosquito, o vírus entra na pele e na corrente sanguínea. Após a replicação inicial nos fibroblastos dérmicos, se espalha pela corrente sanguínea, atingindo o fígado, músculos, articulações, baço, nódulos linfáticos e cérebro. A doença é caracterizada por febre alta – acima de 39 graus –, frequentemente acompanhada de dor nas articulações e mialgia, além de erupção cutânea, que pode variar de leve e localizada a uma erupção cutânea extensa envolvendo mais de 90% da pele. 

A dor nas articulações costuma ser muito debilitante e, geralmente, dura alguns dias, mas pode se prolongar por semanas, meses ou até anos. Outros sinais e sintomas comuns incluem inchaço nas articulações, dor de cabeça, náuseas e fadiga. Ao apresentar tais sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento.

Alerta

Diante do cenário atual, a SES-GO alerta profissionais de saúde e população para adotarem as seguintes medidas:

População:


1. Acondicionamento adequado do lixo doméstico.


2. Limpeza do imóvel: quintal, calhas, piscinas.


3. Manter cobertos os reservatórios de água: caixas d’água, cisternas, fossas, outros reservatórios.


4. Ações de controle mecânico: destruição e limpeza permanente de recipientes para impedir o acúmulo de água e criadouros do mosquito.

-Controle químico: nos locais de permanência dos casos suspeitos e confirmados, em seu período de viremia, intensificar as ações de controle químico realizado pelos agentes de saúde, por meio de nebulização de inseticidas por bombas costais e/ou por bombas veiculares (fumacês) e aplicação de larvicidas.

-Observação: O novo inseticida, Cielo, deve ser nebulizado por bomba costal fora do domicílio, observando-se a distância recomendada pelo fabricante para a aspersão do produto.

– Fiscalização sanitária de pontos estratégicos: borracharias, lavajatos, ferros-velhos, cemitérios, depósitos e empresas de recicláveis, depósitos de lixo.

– Manejo ambiental: intensificar as ações de limpeza urbana regular, por meio da coleta de lixo, e os cuidados com a limpeza de praças, logradouros e prédios públicos.

– Ações de controle mecânico: destruição e limpeza permanente de recipientes para impedir o acúmulo de água e criadouros do mosquito.

5. Comunicação do risco por meio de canais de comunicação existentes no município.

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