Laboratórios goianos alertam ameaça de desabastecimento de insumos para os testes de Covid-19

Postado em: 14-01-2022 às 08h28
Por: Maiara Dal Bosco
Goiás registrou aumento de 75% na demanda por testes | Foto: Reprodução

Além de refletir diretamente nos sistemas de saúde, com o aumento das internações e da demanda por leitos hospitalares, o crescimento nos casos de Covid-19 registrado nos últimos dias também impactou no aumento da procura por realização de testes para a doença. Esse cenário levou a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) a alertar, nesta semana, para a ameaça de desabastecimento de insumos para as testagens.

Em Goiás, os laboratórios privados goianos, filiados ao Sindicato dos Laboratórios de Análises e Bancos de Sangue no Estado de Goiás (Sindilabs-GO), que já haviam registrado em dezembro de 2021 um aumento de 60% na procura por testes de Covid-19 em relação a novembro, viram esse percentual crescer ainda mais com a chegada de 2022. Nos primeiros dias de janeiro, o aumento na demanda pelos testes foi 75% em relação a novembro passado.

Mesmo assim, esse não foi o único número que subiu. Segundo o Sindilabs-GO, em dezembro, os casos positivos de Covid-19 ficavam em torno de 10% de todos os testes realizados. Já nos primeiros dias de janeiro, esse índice já chegou a 25%, de acordo com a presidente do Sindilabs-GO, Christiane do Valle.

Diante deste quadro, Christiane do Valle enfatiza a importância da vacinação e da manutenção das medidas preventivas, como o distanciamento social, o uso correto de máscaras e a higienização frequente das mãos, fundamentais para a prevenção de contaminações.

Priorizar pacientes graves

Em nota técnica, a Abramed recomendou a priorização de pacientes para a realização das testagens, a partir de uma escala de gravidade, mesmo afirmando que o ideal seria seguir com a testagem de todas as pessoas que estiveram expostas ao vírus de alguma forma.

“Com o cenário que vislumbramos a curto prazo, recomendamos fortemente que sejam submetidos a testes apenas os pacientes que tenham maior gravidade de sintomas, pacientes hospitalizados e cirúrgicos, pessoas no  grupo de risco, gestantes, trabalhadores assistenciais da área da saúde, e colaboradores de serviços essenciais, cessando a testagem de contactantes, assintomáticos e pessoas com sintomas leves, que devem permanecer em isolamento até que o cenário seja normalizado, deixando a possibilidade de teste para os pacientes mais críticos”, afirma o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik.

Segundo a Abramed, a alta transmissibilidade da nova variante Ômicron causou aumento exponencial de casos, o que vem demandando significativo aumento da capacidade produtiva global de testes, tanto de PCR como de antígeno, e se os estoques não forem repostos rapidamente poderá ocorrer a falta de oferta de exames. 

“Quando avaliamos as notícias que vêm de outros países, de que eles já estão sem insumos, é certo que o problema chegará ao Brasil”, explica o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik. “Não é possível mensurar nesse momento até quando poderemos atender, pois os estoques são variados dependendo do laboratório e da região, mas há um risco real de desabastecimento”, alerta o executivo.

A Abramed reforçou ainda, em comunicado, que outras entidades do setor de saúde também serão contatadas sobre o assunto, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Ministério da Saúde, Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Associação Médica Brasileira (AMB), e outras entidades congêneres, para que haja a sensibilização sobre a importância de otimizar o uso dos testes disponíveis até que a situação seja normalizada.

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