Com aumento de casos e variante Ômicron, volta às aulas é marcada por medo

Ano letivo na rede municipal e estadual de Educação teve início ontem

Postado em: 20-01-2022 às 08h32
Por: Redação
Ano letivo na rede municipal e estadual de teve início ontem | Foto: Divulgação / SME

Por Alzenar Abreu

As aulas presenciais já iniciaram desde ontem nas escolas estadual e municipal, em Goiânia, mas muitas mães estão temerosas com ao retorno presencial dos alunos por conta do aumento dos casos de Covid -19, H3N2 e demais doenças respiratórias que têm aumentando o fluxo de atendimento de urgências e emergências nos hospitais em Goiás.

A volta às aulas foi marcada pelo cumprimento dos protocolos de biossegurança contra a disseminação da Covid-19 e pela alegria dos alunos no retorno às escolas e Cmeis, com formado 100% presencial. Todo o trabalho levou em conta as normativas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que autorizou o funcionamento das instituições de ensino ‘desde que sejam cumpridos rígidos protocolos de biossegurança como uso obrigatório de máscaras, envio de máscara reserva dentro da mochila, higienização (frequente) com álcool em gel, água e sabão e limpeza recorrente dos ambientes educacionais.

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Os protocolos de biossegurança também determinam até mesmo detalhes sobre as refeições para que sejam feitas em locais arejados e ao ar livre. Além disso, os alunos não devem compartilhar objetos e a aferição de temperatura com termômetro estará mantida. A qualquer sinal de síndrome gripal, a orientação é de que os pais e responsáveis não levem os filhos para as unidades. As medidas de segurança incluem ainda a testagem em massa dos integrantes de toda a comunidade escolar.

Mesmo assim, Íres de Souza Carvalho, enfermeira e mãe da pequena Camila, 10 anos, e da adolescente Cláudia de Souza, 13, está temerosa em levá-las para escola, ela diz que faz parte do ditado diário junto às filhas o aconselhamento sobre o uso da máscara, uso de álcool em gel e lavagem de mãos para proteger-se das gripes e da Covid-19. “Eu trabalho em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sei o quanto está perigoso. Muitos colegas que viajaram para as festas de final de ano ficaram doentes de Covid. E nós que somos da área sabemos que unidades de UTIs estão tendo de ser reabertas por conta do agravamento da pandemia”, diz. Íris diz que se preocupa mais com a Cláudia. “Embora seja mais velha. Ela é mais frágil. A gente como mãe conhece”, disse.

A gestora em vendas, Patrícia Favoretto, mãe de Ana Cecília, de 6 anos, está com medo de levar a pequena para a escola. “Gostaria de esperar um pouco. Mas temo perder a vaga da criança se ela vir a faltar em classe. Patrícia relata que está com dificuldades financeiras e, pela primeira vez, a pequena está indo para uma escola pública. Ele diz que não se preocupa por não ser privada, mas teme pela dificuldade de manter os insumos exigidos para levar às aulas. “São várias máscaras que ela tem de trocar por período. E esse item encareceu muito.  Não sei como vou fazer porque a escola não fornece máscaras, gratuitamente”, completa.

A dona de casa, Wanessa Oliveira, diz que está com “o coração apertado”.  “Sei que meus filhos já tomaram as doses necessárias, mas o que me preocupa são as variantes e os outros tipos de gripe que não têm vacina, ainda, para combatê-los”, diz.

Este ano, a previsão para vacinas que conferem proteção às novas cepas da Influenza como a tipo “Darwing” da H2N3 só estarão no mercado, em hipótese mais positiva, na segunda quinzena de fevereiro. “Até lá, vamos alertar as crianças sobre todos os cuidados de proteção como o distanciamento entre os coleguinhas, uso de álcool em gel e, quando possível, vacinar”, diz ela que acompanha o esposo que está internado após ter tido Covid e ter voltado ao hospital por conta de complicações.

UTIs

Em matéria publicada pelo O Hoje, da última semana, informou-se que as enfermarias pediátricas de Covid e UTI pediátricas estavam todas lotadas. O que acende o alerta aos pais, responsáveis e autoridades para que tomem todos os cuidados de proteção contra à disseminação da doença.  No levantamento de ontem, junto à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) 100% das unidades pediátricas de enfermaria estão lotadas (que são 30 leitos) e 62% das UTIs pediátricas, que são 21 leitos.

O titular da SME, professor Wellington Bessa, destacou a importância do retorno para a recuperação da aprendizagem dos alunos, prejudicada pela pandemia. Estudos e avaliações diagnósticas realizadas pela SME apontaram defasagens no ensino dos estudantes e baixa efetividade no aprendizado. Por este motivo o retorno presencial contará com o apoio de programas como o Aprender Sempre e o Alfabetização em Foco que visam melhorar as aprendizagens.

“Elaboramos dois programas com objetivo de recuperar aprendizagens e aprofundá-las. Entre as medidas, resgatamos a figura do professor regente para o Ensino Fundamental, que será responsável pela turma. Teremos material próprio produzido por professores da SME, ensino de robótica e um novo currículo para o Ensino Fundamental e EJA”, destacou o secretário.

Mesmo com o desejo das crianças em estar de volta com os colegas e aproveitar o ano letivo “em quase normalidade”, o momento é de apreensão e monitoramento dos números de casos em todo o Estado, tanto de adultos quanto de crianças. Tanto de Covid quanto de síndromes gripais.Quem ficou feliz com o retorno das aulas foi a Michelle, gerente comercial e mãe dos gêmeos Téo e Léo, de um ano. “Fiz a matrícula na semana passada, entrei no site e consegui as vagas de imediato. Para mim foi muito bom, porque vou poder voltar a trabalhar. Sei que eles estarão num lugar seguro e confortável, vai ser bom para o desenvolvimento deles, que estão na fase de começar a andar e vão começar a interagir com outras crianças”, destacou a mãe que está confiante com o novo ano que se segue.

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