Destruição do Cerrado contribui para aumento de casos de dengue, aponta pesquisa

Postado em: 27-01-2022 às 08h56
Por: Maiara Dal Bosco
Goiás registrou aumento de 258% nos casos este mês | Foto: Reprodução

Um estudo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado na revista científica PLOS e divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo, apontou que o avanço da destruição do bioma Cerrado está diretamente ligado ao aumento do número de casos da dengue na região. De acordo com a pesquisa, se o ritmo do desmatamento continuar semelhante ao atual, em 2030 toda a área do Cerrado terá um aumento considerável de casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.

De acordo com o engenheiro florestal Arlindo Ananias Pereira da Silva, da Unesp e principal autor do estudo, se não houver política pública específica e regionalizada, algumas regiões vão ter um impacto muito grande. Segundo ele, o aumento dos casos de dengue está relacionado à redução da cobertura vegetal do Cerrado.

Goiás

Em Goiás, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), o Estado registrou aumento de 258% no número de casos na primeira semana de janeiro deste ano. Ao todo, foram registrados 3021 casos. Em 2021, foram 845. Já na segunda semana de janeiro, o aumento foi de 121% na comparação com a mesma semana em 2021. Em 2022 foram registrados 2250 casos na referida semana, enquanto que em 2021 foram 1018.

Segundo a pasta, Goiás tem 41 municípios classificados com alto grau de risco no mapa de incidência das semanas 51 e 52 de 2021 e 1 e 2 de 2022. Entre eles, estão cidades como Luziânia, Corumbá de Goiás, Monte Alegre de Goiás e Hidrolândia. Outros 52 municípios estão classificados com risco médio, entre eles Goiânia, Niquelândia, Ipameri, Palmeiras de Goiás e Aruanã. Entre os 153 municípios com baixo risco, estão cidades como Jataí, Cavalcante, Formosa, Rio Verde e Morrinhos.

Os municípios com mais registros de casos parciais da doença nas duas primeiras semanas de 2022, segundo a SES, são Goiânia, com 1777 registros, seguido por Luziânia, com 302, Rubiataba, com 154, Abadiânia e Uruaçu com 119 cada e Aparecida de Goiânia, com 118.

Goiânia

Segundo Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, com dados referentes às notificações ocorridas no ano de 2021 e na segunda semana de 2022, disponíveis no Sinan On-line e Sinan Net, desde o início da pandemia da Covid-19, em fevereiro de 2020, observou-se um decréscimo acentuado nas notificações de casos suspeitos das arboviroses urbanas, porém em 2021 foi detectado aumento dos casos de chikungunya e no final deste mesmo ano, percebeu-se um aumento dos casos de dengue no município de Goiânia.

Segundo a SMS, até a Semana (SE) 52 de 2021, ocorreram 11.173 casos prováveis (exceto descartados) de dengue no município de Goiânia, apresentando uma taxa de incidência de 727,4 casos por 100 mil habitantes e uma proporção de casos graves de 1,0 casos/1000 habitantes. Em comparação com o ano de 2020, houve uma redução de 18,7% de casos prováveis registrados no mesmo período analisado. No ano de 2021 e 2022, desde a SE 38, notou-se um aumento gradativo de casos, sendo que em três semanas do ano de 2020 (48, 49 e 51) e a primeira semana de 2022 os casos ultrapassaram o limite superior, indicando picos epidêmicos.

Segundo o Boletim, o município de Goiânia encontra-se na Fase II do Plano de Contingência das arboviroses, ou seja, “a incidência de casos permanece em ascensão por mais de 4 semanas consecutivas e com transmissão sustentada, ultrapassou o limite superior na SE 1 e aumento de casos graves e óbitos”. No ano de 2022, já temos registrado 1.189 casos prováveis, com taxa de incidência de 77,4. Em comparação com a SE 02 do ano anterior, houve um aumento de 667,1%.

Segundo o Epidemiológico, na Capital, a região Noroeste apresentou a maior taxa incidência de dengue, com 1.309,8 casos a cada 100 mil habitantes, seguida das regiões Sudoeste, com 1.048,6 casos/100 mil hab., e Oeste, com 997,3 casos/100 mil hab. A região com menos casos é a Campinas Centro, com 504,7 casos a cada 100 mil hab.). O documento ressalta que todos os Distritos Sanitários registraram incidências acima de 300 casos/100.000 hab., o que indica alto risco para a ocorrência de dengue, conforme parâmetros estabelecidos pela SVS/MS.

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