Com alta sentida nos alimentos e combustíveis Goiânia fica em 5º lugar em inflação, diz IBGE

Com inflação na casa dos 10,31% goianos sentem o impacto da perda do poder de compra

Postado em: 31-01-2022 às 08h29
Por: Redação
Com inflação na casa dos 10,31% goianos sentem perda do poder de compra | Foto: Reprodução

Por Alzenar Abreu

Com tendência de aumentar ainda mais os índices de inflação Goiânia ficou em 5º lugar, nono último índice registrado em janeiro atrás de Salvador (1,08%), Belém e Recife (0,82%), Rio de Janeiro e Fortaleza (0,63%) e Goiânia com (051%). Embora no acumulado do ano a Capital ficou acima do patamar nacional de 10,06% contra 10,31% em Goiânia, índice puxado pela alta dos combustíveis e da energia elétrica que bateram recordes nacionais em Goiás em outubro.

O vilão da vez são os alimentos que pesaram nas compras dos goianienses (como carnes, frutas e legumes) e combustíveis. Com exceção dos transportes, os outros oito grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em janeiro. Em alimentação e bebidas (0,97%), a alimentação no domicílio acelerou para 1,03%. Os maiores impactos vieram da cebola (17,09%), das frutas (7,10%), do café moído (6,50%) e das carnes (1,15%). Por outro lado, houve queda nos preços da batata-inglesa (-9,20%), do arroz (-2,99%) e do leite longa vida (-1,70%), que já haviam recuado no mês anterior.

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Foi justamente o que observou Waldemar Reis, autônomo, 65 anos. Mesmo pesquisando bastante ele diz que o está difícil encontrar descontos melhores nos valores das carnes . “Esses preços estão sem noção, a gente vai todo dia na feira, e o preço caríssimo, nunca vi uma situação igual a essa, hoje em dia você não consegue comprar mais nada, não pode nem pensar em frutas, só comprar o básico mesmo, deixei até de comprar laranja porque está caríssima, não compro mais, sempre estou substituindo a carne por outra opção mais barata, tem mercado aqui em Goiânia que você pega uns pedacinhos de carne e já dá o valor de 500 reais”. afirma Waldemar

Assim como Leticia Gomes, advogada, 25 anos que diz que se impressionada com os preços que não param de subir “Hoje em dia está tudo caro, um absurdo, hoje em dia não compro mais banana, cenoura, vagem, tudo que estiver caro ultimamente não consigo comprar mais, sempre estou procurando alternativas mais baratas, porque do jeito que está não dá, infelizmente”. afirma Leticia.

Entre os vilões do Índice de Preços ao Consumidor Antes (IPCA) em Goiânia estão o transporte por aplicativo, com 56,47%, etanol, com 54,04%, gasolina, com 46,72%, e óleo diesel, que subiu 46,62% em 2021. Os combustíveis pressionaram a inflação, mas não foram os únicos. O gás de botijão, por exemplo, avançou 39,38%. A energia elétrica subiu 21,74%.

A prévia da inflação desacelerou para 0,58% em janeiro, após a alta de 0,78% no mês anterior. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 10,20%, abaixo dos 10,42% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2021, a taxa foi de 0,78%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado hoje (26) pelo IBGE.

Esse resultado foi influenciado pelo recuo nos transportes (-0,41%), principalmente, com a queda nos preços da gasolina (-1,78%) e das passagens aéreas (-18,21%). Os dois subitens contribuíram com -0,12 cada no Índice IPCA-15 de janeiro. Além disso, etanol (-3,89%) e o gás veicular (-0,26%) também tiveram variações negativas no período.

A alimentação fora do domicílio (0,81%) também acelerou em relação a dezembro (0,08%). O lanche passou de queda de 3,47% para alta de 1,25%, enquanto a refeição ficou com 0,63% de alta, resultado inferior ao do mês anterior (1,62%).

No grupo saúde e cuidados pessoais (0,93%), o destaque foram os itens de higiene pessoal (3,79%). No lado das quedas, o plano de saúde recuou 0,69%. Em dezembro, foi incorporada a última fração mensal do reajuste anual que havia sido suspenso em 2020 e que foi aplicado a partir de janeiro de 2021. Com isso, restou apenas a fração referente ao reajuste negativo de -8,19% anunciado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no ano passado, aplicado a partir do IPCA-15 de julho.

Em habitação (0,62%), o maior impacto (0,06 p.p.) foi do aluguel residencial, com alta de 1,55%. Houve ainda alta no gás encanado (8,40%), consequência de um reajuste em São Paulo. A energia elétrica, subitem de maior peso dentro do grupo, desacelerou para 0,03% em janeiro. A variação positiva da taxa de água e esgoto (0,28%) decorre do reajuste de 9,05% ocorrido em Salvador.

Maior variação no IPCA-15 de janeiro, vestuário subiu 1,48%, com alta em todos os itens, entre eles, roupas masculinas (2,35%), roupas femininas (1,19%) e calçados e acessórios (1,20%). Já nos artigos de residência (1,40%), os destaques foram os eletrodomésticos e equipamentos (2,26%) e os itens de mobiliário (2,04%). Os demais grupos ficaram entre o 0,25% de educação e o 1,09% de comunicação.

IPCA-15 tem alta em todas as áreas pesquisadas

A pesquisa mostra também que todas as áreas pesquisadas tiveram alta em janeiro. A maior variação foi da região metropolitana de Salvador (1,08%), cujo resultado foi puxado pelos itens de higiene pessoal (4,57%) e pelas frutas (9,90%). Já o menor resultado ocorreu em Brasília (0,19%), influenciado pelas quedas nos preços da gasolina (-4,89%) e das passagens aéreas (-14,37%).

Mais sobre a pesquisa

O Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) produz contínua e sistematicamente índices de preços ao consumidor. Com divulgação na internet iniciada em maio de 2000, o IPCA-15 difere do IPCA no período de coleta e na abrangência geográfica. Para o cálculo do índice de janeiro, os preços foram coletados entre 14 de dezembro e 13 de janeiro de 2022 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de novembro a 13 de dezembro de 2021 (base).

O IPCA-15 refere-se a famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Veja os resultados completos no Sidra.

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