Transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia teve queda de 37% em usuários

Somente em Goiânia, a redução é de 40% no número de usuários

Postado em: 31-01-2022 às 08h40
Por: Daniell Alves
Somente em Goiânia, a redução é de 40% no número de usuários | Foto: Reprodução

O transporte público da Região Metropolitana de Goiânia apresenta queda de 37% no número de usuários em comparação ao início da pandemia, em março de 2020, quando havia um demanda de 521 mil validações. A última atualização aponta para 325.413 validações, ou seja, menos 196.550 validações deixaram de ser feitas ontem no sistema. Os dados são da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC). 

Já o Sistema Integrado Metropolitano Anhanguera (SIMA), seguindo a mesma base comparativa, tinha uma demanda de 180.076 validações no dia 9 de março de 2020. Na última semana, a redução nas validações no sistema foi de 38,4%, o que equivale a 69.133 validações a menos.   

Em Goiânia, que alcançou 217.211 validações no transporte público antes da pandemia, registrou 130.287 usuários, um volume 40% menor de validações – o que equivale a menos 86.924 validações. E Aparecida de Goiânia, que recebia 124.676 validações no sistema, teve um volume 32,5% menor, ou seja, 40.493 menos validações.   

Continua após a publicidade

A redução é devido à crise de mobilidade enfrentada pelas cidades brasileiras, conforme explica a arquiteta e urbanista em Mobilidade Urbana, Erika Kneib, do Mova-Se. Com o aumento do preço do combustível, ela aponta para uma oportunidade de desincentivo do uso do automóvel, absorvendo novos usuários ao transporte coletivo, favorecendo assim a mobilidade.

“Todos sabem que o transporte público coletivo de qualidade é o único modo motorizado de deslocamento capaz de contribuir efetivamente com uma mobilidade urbana sustentável. Porém, as cidades brasileiras ainda optam por modelos que acabam incentivando o uso do carro e da moto. Para ter qualidade, o transporte público coletivo precisa ter prioridade”, diz. 

Esta priorização seria no sentido de ter políticas públicas nos três níveis de governo que garantam qualidade e competitividade a esse sistema público, avalia ela. “Permitir que o aumento dos combustíveis gere aumentos diretos nos custos desse sistema — e na tarifa — é trabalhar na contramão de uma mobilidade sustentável. Isso agravará a crise de mobilidade, gerando impactos econômicos, sociais e ambientais”, finaliza. 

Reajuste

No próximo mês, o subsídio do transporte coletivo terá reajuste de R$ 2,47 no preço da passagem, mas os usuários continuarão pagando R$ 4,30. Embora o valor a ser cobrado pelas prestadoras de serviço tenha aumentado para R$7,02, o preço não irá afetar os usuários. 

Após as mudanças, ficou definido pela RMTC que o Estado e Goiânia terão participação de 41,2% cada. Já Aparecida terá participação de 9,4%, e Senador Canedo de 8,2%. O aspecto garante que os custos com gratuidades, a manutenção de terminais e o custeio do Órgão Gestor passem a ser divididos entre o estado e as regiões metropolitanas englobadas pelo transporte.  

Miguel Ângelo Pricinote, especialista em mobilidade do Mova-se, esclarece que também fica redefinida a política tarifária da RMTC. “Dessa forma deve ser possível oferecer diferentes produtos tarifários que sejam atrativos à demanda de passageiros e o transporte público coletivo na Região Metropolitana de Goiânia passará a ser o principal modelo de organização de serviços metropolitanos (não somente de transporte) no qual os agentes públicos criam ações em conjuntos para buscar o melhor serviço para população sem envolver as questões por menores como as eleições”, explica Miguel. 

Transporte por aplicativo 

Em contrapartida, o número de usuários nos aplicativos de transporte individual tem aumentado, afirma Miguel. Segundo ele, diante o cenário caótico, os entes reguladores do transporte coletivo enfrentam limitações para implementar qualquer plano de ação emergencial. “Houve um aumento expressivo no uso do transporte individualizado, especialmente em serviços como Uber e Lyft. Paralelo a isso, o transporte público padece de falta de investimento em infraestrutura”, enfatiza. 

Mas os problemas não param por aí. Mesmo com maior procura, usuários do transporte individual ouvidos pelo O Hoje relatam falta de motoristas, como afirma a estudante Juliana Diniz, 23 anos. “Está cada dia mais difícil pedir um motorista porque a maioria cancela a viagem. Acaba que podemos perder nossos compromissos. Então quem utiliza sempre precisa pedir uns 30 minutos antes para não se atrasar”, conta.

Veja Também