Goiânia e Aparecida perderam cerca de 60% dos passageiros de transporte público

No início da pandemia, as cidades tinham 341 mil passageiros por dia; atualmente, o número gira em torno de 162 mil usuários

Postado em: 21-02-2022 às 08h53
Por: Daniell Alves
No início da pandemia, as cidades tinham 341 mil passageiros por dia; atualmente, o número gira em torno de 162 mil usuários | Foto: Pedro Pinheiro

A crise no transporte público e insatisfação por parte dos usuários foi agravada com a pandemia da Covid-19. Os municípios de Goiânia e Aparecida de Goiânia juntos tiveram uma redução de quase 60% no número de passageiros desde março de 2020. Na Capital, são menos 73,5 mil validações, 33,9% a menos. Já em Aparecida, que recebia 124.676 validações, teve um volume 25,8% menor na última sexta-feira (18). Os dados são da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC). 

Em 9 de março de 2020, antes da pandemia de Covid-19, a RMTC registrava uma demanda de 521.963 passageiros. Agora, num comparativo com a última sexta-feira (18), a demanda foi de 358.577 usuários, uma redução de 31,3% durante todo o dia, ou seja, menos 163.386 validações deixaram de ser feitas ontem no sistema. 

Seguindo a mesma base comparativa, antes da pandemia, o Sistema Integrado Metropolitano Anhanguera (Sima) tinha uma demanda de 180.076 validações em março de 2020. Na última sexta-feira, (18) a queda foi de 32% nas validações no sistema. Foram 57.637 a menos. 

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A redução é devido à crise de mobilidade enfrentada pelas cidades brasileiras, conforme explica a arquiteta e urbanista especialista em mobilidade urbana Erika Kneib, do Mova-se Fórum de Mobilidade. Entretanto, ela aponta que o aumento do preço do combustível pode representar uma oportunidade de desincentivo ao uso do automóvel e uma consequente migração de novos usuários para o transporte coletivo, favorecendo assim a mobilidade.

“Todos sabem que o transporte público coletivo de qualidade é o único modo motorizado de deslocamento capaz de contribuir efetivamente com uma mobilidade urbana sustentável. Porém, as cidades brasileiras ainda optam por modelos que acabam incentivando o uso do carro e da moto. Para ter qualidade, o transporte público coletivo precisa ter prioridade”, diz. 

Esta priorização seria no sentido de ter políticas públicas nos três níveis de governo que garantam qualidade e competitividade a esse sistema público, avalia ela. “Permitir que o aumento dos combustíveis gere aumentos diretos nos custos desse sistema — e na tarifa — é trabalhar na contramão de uma mobilidade sustentável. Isso agravará a crise de mobilidade, gerando impactos econômicos, sociais e ambientais”, destaca a arquiteta e urbanista. 

Tarifa e aplicativos

Neste mês, o subsídio do transporte coletivo teve reajuste de R$ 2,47 no preço da passagem, mas os usuários continuaram pagando R$ 4,30. Embora o valor a ser cobrado pelas prestadoras de serviço tenha aumentado para R$7,02, o preço não irá afetar os usuários. 

Miguel Ângelo Pricinote, especialista em mobilidade do Mova-se Fórum de Mobilidade, esclarece que também fica redefinida a política tarifária da RMTC. “Dessa forma deve ser possível oferecer diferentes produtos tarifários que sejam atrativos à demanda de passageiros e o transporte público coletivo na Região Metropolitana de Goiânia passará a ser o principal modelo de organização de serviços metropolitanos, não somente de transporte, no qual os agentes públicos criam ações em conjuntos para buscar o melhor serviço para população sem envolver as questões por menores como as eleições”, explica Miguel. 

Por outro lado, o número de usuários nos aplicativos de transporte individual tem aumentado, afirma Miguel. Segundo ele, diante o cenário caótico, os entes reguladores do transporte coletivo enfrentam limitações para implementar qualquer plano de ação emergencial. “Houve um aumento expressivo no uso do transporte individualizado, especialmente em serviços como Uber e Lyft. Paralelo a isso, o transporte público padece de falta de investimento em infraestrutura”, enfatiza. 

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