Representantes da área cultural e do CAU apostam que Alego poderia ser transformada em centro de cultura

Área que abriga Alego reúne também o Museu de Arte de Goiânia, Centro Livre de Artes e Bosque dos Buritis

Postado em: 23-02-2022 às 08h21
Por: Daniell Alves
Área que abriga Alego reúne também o Museu de Arte de Goiânia, Centro Livre de Artes e Bosque dos Buritis | Foto: Reprodução

Disputado por diversas entidades, o prédio da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) – que será repassado à Prefeitura de Goiânia, com a transferência da Alego para outro endereço, em março –, tem uma vocação natural para a área cultural e deveria ser utilizado para facilitar o acesso à cultura por parte da população. É o que aponta a arquiteta e urbanista Adriana Mikulaschek, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU/GO), em entrevista ao O Hoje. Porém, o destino do local ainda é incerto e deve ser definido quando estiver à disposição do Paço. 

A medida poderia resultar em um fluxo constante de pessoas, gerando quase que um corredor cultural. “Eu acho que é a vocação natural do edifício. Já está próximo ao Centro Livre de Artes e outros equipamentos culturais. A gente tem o Teatro Goiânia, Vila Cora Coralina, Jóquei Clube. Também precisamos lembrar que o Bosque dos Buritis é muito utilizado pela população aos fins de semana e grande parte das pessoas não têm acesso claro e fácil a outros edifícios na cidade”, explica a arquiteta. 

Segundo ela, a transformação do prédio traria um equipamento cultural para a região do Centro e funcionaria de forma mais tranquila. “Tem se falado muito em museu de arte contemporânea, exposições que ocorram de formas permanentes e temporárias. O edifício poderia abrigar isso muito bem. Seria extremamente importante para a população mais carente ter acesso à cultura”, avalia. 

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Privilégio 

Embora a cultura possa acontecer de todas as formas e lados, Adriana Mikulaschek ressalta que as exposições de arte ainda são privilegiadas. Isto porque estão expostas em edifícios com acesso limitado. “Não seria somente um edifício, mas um local que abrigaria atividades culturais. Nos falta memória, acesso e seria um ponto a mais da estabilização desse corredor que começa a se formar”, finaliza. 

Centro de cultura

Para Émerson Biazon, presidente da Ordem dos Músicos de Goiás, a cultura está bastante espalhada em Goiânia e para resolver as burocracias, os músicos precisam passar por toda a cidade. Ele aponta para a transferência da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) para o prédio. “Seria um centro de cultura muito inteligente deixar a Secretaria na atual Alego”. 

De acordo com o presidente, transformar a sede em algo voltado à cultura iria valorizar a categoria dos músicosl. “Antigamente Goiânia era considerada a cidade da agropecuária. Hoje não é preciso fazer nenhum esforço e a Capital é referência em música. Então, a gente tem que valorizar a categoria e promover um local de aconchego para os músicos”, aponta. 

Referência nacional 

Além disso, caso seja concretizado, a sede pode se tornar centro de referência nacional, prevê o presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculo e Diversão do Estado de Goiás (Sated-GO), Eduardo de Souza. Segundo ele, a mudança seria a melhor resposta para Goiânia, uma vez que os artistas foram um dos mais afetados pela pandemia da Covid-19. 

“Goiânia tem um polo cultural imenso e se aproximar todas as linguagens em um só lugar torna-se uma referência nacional. Eu penso que, ali, com essa possibilidade, vai agregar valores para a região, cidade, população e artistas. O Sated acredita nessa possibilidade de unir as linguagens. Há tanta salas, poderia ser um polo de produtores culturais cada um com sua sala. As companhias poderiam ensaiar porque ainda há falta de espaço para os artistas. Alguns lugares que já funcionam poderiam migrar para lá e gerar economia. Seria um centro de formação, produção e divulgação dos trabalhos”, ressalta. 

O presidente do Sated aposta que os benefícios são imensos. “Todos estarão próximos. Ao mesmo tempo, temos muitos alunos querendo aprender. Artistas que precisam do seu espaço para poder produzir. Poderia se transformar em estúdio de músicas, de tevê e sala de exposições. Será uma referência para todos nós”, garante. 

Por meio de nota, a assessoria do prefeito Rogério Cruz informou que o gestor tem recebido e avaliado sugestões para a utilização do local. Entretanto, a destinação do prédio ainda não foi definida, o que deverá ocorrer quando o espaço estiver à disposição do Município.

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