Festas privadas podem causar o aumento de casos de Covid-19 no pós-carnaval

Muitos municípios proibiram as festas de rua no carnaval, entretanto autorizaram a realização de eventos carnavalescos privados

Postado em: 25-02-2022 às 08h25
Por: Redação
Muitos municípios proibiram as festas de rua no carnaval, entretanto autorizaram a realização de eventos carnavalescos privados | Foto: Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz

Devido à pandemia de Covid-19, pelo segundo ano consecutivo, o carnaval de rua é vetado em Goiânia e em diversos municípios de Goiás. Entretanto, as festas privadas podem ser realizadas. Profissionais de saúde alertam que a proibição apenas dos festejos de rua não é suficiente para evitar o aumento da disseminação da Covid-19. De acordo com eles, mesmo com o limite de público, dificilmente os protocolos sanitários serão totalmente respeitados em eventos privados, sejam eles em locais fechados ou ao ar livre.

O infectologista Robert Fabian Crespo Rosas defende que na pandemia a proibição deve ser geral, justamente por conta da dificuldade de os protocolos serem respeitados neste tipo de evento. “Ou o município entende que agora é hora de conviver com a doença e a partir daí vai voltar tudo como era antes ou então os cuidados se mantêm. Caso opte pelo primeiro caminho, as pessoas que são do grupo de risco que resolverem ir em festas, têm de assumir uma responsabilidade”, argumenta.

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Goiânia

De acordo com o decreto nº 7.743, assinado pelo prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, as restrições abrangiam todos os eventos relacionados a festas de Carnaval em locais públicos ou privados, realizados em ambientes abertos e fechados. Um dia após a publicação do decreto, foi publicada a retificação que manteve a proibição apenas de manifestações em ambientes públicos.

Desta forma, a mudança permite a realização de eventos privados com a participação de até 3 mil pessoas, desde que atendam às normas sanitárias impostas pelo município. Os eventos, exceto o carnaval de rua, seguem, portanto, as mesmas regras já em uso para shows e casamentos, por exemplo, que foram liberados em outubro de 2021.

Em ambientes fechados, a capacidade máxima de público é de 2 mil pessoas. Já em ambientes abertos, o limite é de 3 mil, sendo que em ambas as situações, é preciso considerar o tamanho do espaço, a fim de que seja garantido um distanciamento seguro entre as pessoas.

Contaminação na folia

Especialistas acreditam que as festas de carnaval devem gerar um aumento de casos da Covid-19 em Goiás nos próximos dias, especialmente por conta da circulação da variante ômicron, que é altamente transmissível. O infectologista Robert Fabian Crespo Rosas aponta que os casos da Covid-19 vão ter um aumento considerável depois do feriado. “Com certeza teremos uma explosão de casos novamente”.

A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), Flúvia Amorim, alerta para a possibilidade de um pico de casos depois do feriado. “Infelizmente este período de feriado tem como consequência uma piora dos indicadores e isso vem acontecendo desde o início da pandemia. O fato de não ter desfile não retira a responsabilidade das pessoas, de diminuir as aglomerações. A população precisa avaliar o que ela quer: se quer acelerar a melhora”, disse.

Nos próximos dias, bares e boates de Goiânia contarão com programação diferenciada por conta do carnaval. No interior, assim como na Capital, a maioria dos municípios também proibiu o carnaval de rua. Entretanto, cidades como Anápolis e Caldas Novas terão grandes eventos privados, sendo que alguns deles receberão shows de grandes nomes da música nacional.

De acordo com Amorim, a grande preocupação em relação ao aumento de casos da doença gira em torno da pressão que o sistema de saúde pode sofrer. “O nosso grande medo é que tenhamos um comprometimento na ocupação dos leitos hospitalares”, afirma. Em Goiás, de acordo com o boletim integrado da SES-GO, a ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do estado estava em 67,67% e do município de Goiânia em 75,79%.

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