Procon Goiânia notifica 18 tabacarias e apreende mais de 70 quilos de mercadoria

Foram apreendidos 40 quilos de essência de Narguilé, 20 litros de frascos de líquido, 10 quilos de acessórios para cigarros eletrônicos, além de 20 quilos de cigarros falsificados

Postado em: 04-03-2022 às 08h44
Por: Maiara Dal Bosco
Foram apreendidos 40 quilos de essência de Narguilé, 20 litros de frascos de líquido, 10 quilos de acessórios para cigarros eletrônicos, além de 20 quilos de cigarros falsificados | Foto: Procon Goiânia

O Procon Goiânia fiscalizou, durante o mês de fevereiro, tabacarias para coibir a venda de cigarros eletrônicos, que é proibida no Brasil. Durante a fiscalização, foram apreendidos 40 quilos de essência de Narguilé, 20 litros de frascos de líquido e 10 quilos de acessórios para cigarros eletrônicos. Também foram encontrados 20 quilos de cigarros falsificados.

A operação resultou na notificação de 18 estabelecimentos localizados nos setores Negrão de Lima, Jardim Balneário Meia Ponte, Jardim Goiás, Setor Sudoeste, Marista, Parque Oeste Industrial, Bueno, Campinas e Coimbra. Empresas terão prazo de 20 dias úteis para apresentar defesa. Multa varia de R$ 700 a R$ 10 milhões. A fiscalização em tabacarias vai continuar e o consumidor poderá fazer denúncias por meio dos telefones (62) 3524-2942 e 3524-2936 ou pelo aplicativo Prefeitura 24h.


Os produtos foram encaminhados para o descarte correto, sem prejudicar o meio ambiente. Estabelecimentos terão 20 dias úteis para apresentar defesa e poderão pagar multa que varia de R$ 700 a R$ 10 milhões, a depender do porte da empresa, natureza da infração e reincidência.

Proibição

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De acordo com a Anvisa, a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no Brasil, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa – RDC nº 46, de 29 de agosto de 2009. A decisão, segundo a órgão, foi baseada no princípio da precaução, devido à inexistência de dados científicos que comprovassem as alegações atribuídas a esses produtos.

A Anvisa destaca que, desde 2003, quando foram criados, tais produtos passaram por diversas gerações: produtos descartáveis de uso único; os produtos recarregáveis com refis líquidos, que contém em sua maioria propileno glicol, glicerina, nicotina e flavorizantes em sistema aberto ou fechado; produtos de tabaco aquecido, que possuem um dispositivo eletrônico onde se acopla um refil com tabaco; e os de sistema “pods”, que contêm sais de nicotina e outras substâncias diluídas em líquido e se assemelham à pen drives, entre outros. A Agência ressalta ainda, que, até o momento, não há dados claros em relação à segurança destes produtos.

Alerta

Para entender os riscos que o uso dos cigarros eletrônicos oferecem à saúde, a reportagem conversou com um especialista. Médico oncologista torácico do Cebrom Oncoclínicas, Frederico Monteiro explica que o cigarro eletrônico, assim como o cigarro convencional, pode sim causar dependência, inclusive de forma mais rápida do que o cigarro convencional, uma vez que possui a nicotina de forma mais concentrada e sua vaporização atingir níveis no sangue também de forma mais rápida.

Com relação ao uso dos cigarros eletrônicos, o especialista destaca que a principal consequência a curto prazo é a dependência da nicotina, que, inclusive, serve como porta de entrada para o tabagismo e para o cigarro tradicional. “Existe um consenso de que muitas pessoas que vão fazer uso do vape (cigarro eletrônico), vão migrar para o cigarro tradicional e vão sustentar esse vício por longo prazo”, afirma. 

Já a longo prazo, o médico afirma que ainda não é possível estimar. “Não há estudos falando sobre isso, mas muito possivelmente a inalação dessas substâncias levará a um dano estrutural do pulmão, seja ele uma doença pulmonar inflamatória crônica, ou até mesmo um câncer”, pontua Monteiro.

Além da dependência, o médico alerta que o uso desse dispositivo pode causar doenças respiratórias. “Ao fazer uso do cigarro eletrônico, você inala uma série de substâncias, entre elas, nicotina e metais pesados, flavorizantes e ácidos graxos essenciais que fazem, que dão esse poder de vaporização para o cigarro eletrônico, então a inalação dessas substâncias pode provocar doenças respiratórias sim”, frisa.  

Para quem faz uso do cigarro eletrônico e deseja parar, o especialista recomenda o auxílio médico. “Da mesma forma que acontece com o cigarro convencional, a pessoa que deseja parar de fumar e não consegue fazer isso de maneira voluntária, precisa procurar ajuda multidisciplinar. É importante destacar que no Sistema Único de Saúde (SUS), há equipes multidisciplinares que podem auxiliar nesse processo de largar o vício com um tratamento combinando abordagem psicológica e medicamentosa”, ressalta o oncologista torácico.

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