Trabalhadores da educação não aceitam proposta de 7,5% de piso salarial da Prefeitura

Categoria não abre mão dos 33,2% e alerta que o prefeito deveria apresentar uma proposta neste sentido de forma parcela

Postado em: 05-03-2022 às 08h00
Por: Daniell Alves
Categoria não abre mão dos 33,2% e alerta que o prefeito deveria apresentar uma proposta neste sentido de forma parcela | Foto: Sintego

Após a realização de assembleia, na última sexta-feira (4), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) recusou a proposta de 7,5% de piso salarial oferecido pela Prefeitura de Goiânia. Nova assembleia deve ser realizada na próxima quinta-feira (10) já com indicativo de greve. Por enquanto, o Sindicato segue em diálogo com a prefeitura para tentar mudar a proposta. 

De acordo com a presidente da entidade, Bia de Lima, a categoria vai avançar com as negociações. “Os 7,5% não correspondem aos anseios dos 33,2% [definidos pelo Governo Federal]. O Sintego continua na mesa de negociações buscando convencer da aplicação da lei do piso e dos administrativos. Vamos unificar o movimento buscando ampliar esse percentual”, informa. 

A presidente do Sintego ressalta que a categoria não abre mão dos 33,2% e alerta que o prefeito deveria apresentar uma proposta neste sentido de forma parcelada. “Falei isso para ele, mas recusou”, afirma. O valor definido pelo Governo não foi bem visto pelas prefeituras, que argumentam não terem recursos. 

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Durante o encontro, também foi rejeitada pela categoria a proposta de 9,3% de data-base

para os servidores administrativos referentes a 2020 e 2021. Bia de Lima ressalta que irá buscar construir um novo plano de carreira mais atrativo. “A possibilidade de data-base de 2022, já amplia, mas precisamos reconstruir. Recebemos os piores salários da administração”, reforça. 

Com o reajuste, a Federação Goiana dos Municípios (FGM) estima impacto de mais de R$ 650 milhões por ano. O salário dos servidores da Educação iriam passar de R$ 2,8 mil para R$ 3,8 mil. Como já mostrado pelo O Hoje, pelo menos dez municípios de Goiás tiveram queda de 20% nos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) aos municípios em janeiro deste ano.

Reajuste suficiente 

O prefeito Rogério Cruz alegou que a proposta levada ao Sindicato é suficiente. “O reajuste apresentado, de 7,5%, é suficiente para que todos os trabalhadores recebam mais do que o mínimo previsto, de R$ 3.845,63 para os profissionais com dedicação de 40 horas semanais”, diz em nota. 

Segundo o prefeito de Goiânia, ainda não é possível um reajuste maior. Cruz apresentou os números do impacto financeiro das concessões da data-base referente aos anos 2020 e 2021; piso salarial de 7,5% dos professores; aumento vegetativo da folha; e do concurso público que será realizado. “Com isto, demonstrou a impossibilidade de conceder correção maior, como a pleiteada, de 33%. O prefeito continuará dialogando e prestando as informações necessárias para que haja consenso na aplicação da correção salarial”. 

Reivindicações 

Entre as pautas discutidas pelo Sintego estão o reajuste do piso, data-base, plano de carreira dos administrativos, auxílio transporte, quinquênio, gratificação dos diretores, modulações, pandemia e concurso público. 

“Alguns procedimentos já estão sendo tomados pelo executivo, mas precisamos também ter outras contrapartidas para que esse assunto seja resolvido”, afirma Bia de Lima. A categoria reivindica 20% de reajuste, pois são duas datas-base vencidas. Os servidores municipais também reclamam do não pagamento da data-base e direito garantidos aos funcionários. 

“Circula uma série de boatos, mas nós buscaremos ter o resultado diretamente com o prefeito e levar esses pontos à assembleia. Estaremos prontos para o que for necessário. O Sintego luta para que os trabalhadores tenham os direitos reservados e o que está na Legislação sem precisar fazer grave, mas é óbvio que a gente não descarta nenhum tipo de mobilização. Não descartamos nenhum qualquer movimentação justamente porque é um princípio de qualquer categoria”, informa a presidente. (Especial para O Hoje).

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