Cidades e estados começam a dispensar uso de máscaras

Os critérios para flexibilização do uso de máscaras são a cobertura vacinal que deve ser em torno de 70% com esquema primário completo, incidência de casos, taxas de ocupação de leitos

Postado em: 05-03-2022 às 08h10
Por: Redação
Os critérios para flexibilização do uso de máscaras são a cobertura vacinal que deve ser em torno de 70% com esquema primário completo, incidência de casos, taxas de ocupação de leitos | Foto: Pedro Pinheiro

Por Ítallo Antkiewicz

Goiás deverá dispensar o uso da máscara em ambientes abertos, mas medida deve ser tomada daqui 15 dias, período que deve aumentar número de casos devido ao carnaval. Segundo o secretário de estado da Saúde, Ismael Alexandrino, embora seja esperado um aumento de casos de Covid-19, os números ainda devem ficar abaixo das ondas anteriores. Alexandrino destacou ainda que na última quinta-feira (3), foi registrado apenas um pedido de internação em leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta da Covid19 e que 68,23% da população já se vacinou com duas doses ou dose única.

A nota técnica deve ser publicada após haver clareza do impacto do feriado prolongado desta semana nos dados epidemiológicos. A tendência, segundo Alexandrino, é que seja registrado um aumento de casos na próxima semana, mas com números abaixo das ondas anteriores. “Seremos ponderados neste primeiro momento pós-carnaval”, explica Alexandrino. “É provável que aconteça a desobrigação do uso de máscara em até duas semanas após o carnaval”, adiantou.

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De acordo com o secretário, o número de pedidos de internações em UTIs exclusivas para a Covid-19 em Goiás é o menor desde o início da pandemia. “Estamos em uma queda sustentável”, afirma. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) mostram que o pico de solicitações de UTIs este ano foi no dia 26 de janeiro. Em abril do ano passado, houve pico de 598 pedidos do tipo.

Por se tratar de nota técnica, não há obrigatoriedade de que os municípios adotem a medida. Desde que o Superior Tribunal Federal (STF) garantiu a estados e municípios autonomia para decidirem sobre medidas contra a pandemia, a tendência é que a regra mais rígida prevaleça.

A dispensa do uso de máscaras é discutida internamente pela SES-GO e será levada para o Centro de Operações de Emergências (COE) para enfrentamento ao coronavírus já na semana que vem. “A ideia inicial é começar a liberação do uso de máscaras em locais abertos e progredir para fechados”, adianta o secretário.

A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, salienta que, apesar de não ter havido liberação de festas de rua no carnaval, houve aglomerações em eventos particulares. “A gente precisa ter segurança, diminuir risco, mas a gente está caminhando para o fim dessa fase aguda da pandemia”.

Os critérios para flexibilização do uso de máscaras são a cobertura vacinal que deve ser em torno de 70% com esquema primário completo, incidência de casos, taxas de ocupação de leitos. “Esses dados vão indicar se estamos caminhando para uma queda sustentável”, esclarece a superintendente.

Os dados da SES-GO revelam que o percentual geral de vacinados com o esquema primário, ou seja, duas doses ou dose única, é de 68,23%. Para a população com cinco anos ou mais o índice chega a 72,84%.

Em nota à imprensa, a SESGO informa que está mantido o protocolo de exigência do uso de máscaras de proteção individual em ambientes públicos, diante da pandemia da Covid-19. Qualquer cenário de flexibilização em Goiás só será avaliado após duas semanas do feriado de carnaval, com análise se o período ocasionou novo crescimento da contaminação pelo vírus.

A pasta orienta que, independentemente do local a ser frequentado, todas as pessoas devem utilizar máscaras de proteção respiratória, de forma adequada (cobrir boca e nariz), mantendo todos os cuidados ao manipulá-las, com trocas periódicas, tal como preconizado em normas previstas em manuais e protocolos de biossegurança.

Por fim, além do uso de máscara, a SES-GO destaca que, apesar de a vacinação ainda ser a melhor estratégia, para se proteger neste momento de circulação da variante Ômicron, que apresenta maior potencial de transmissibilidade, as demais medidas de prevenção da Covid-19 não devem ser menosprezadas.

Momento de cautela

Especialistas ressaltam que o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes abertos, no atual cenário da pandemia de Covid-19, é possível, mas requer certos cuidados. O infectologista Robert Fabian Crespo Rosas, do Instituto São Camilo, destaca que a medida deve vir seguida de outras. “Sou favorável, mas, se você libera as máscaras em locais abertos, é muito importante também exigir o passaporte da vacina, sobretudo para locais de aglomeração, onde você pode ter uma maior probabilidade de transmissão”, afirma.

O infectologista lembra que nem toda a população está vacinada e que ainda há risco de doenças graves e mortes, especialmente entre as pessoas não vacinadas ou com o esquema primário, de duas doses ou dose única, a depender da fabricante da vacina. Ele ressalta que a variante ômicron, prevalente no País, é altamente transmissível. Por isso, afirma que o uso de máscaras deve continuar sendo exigido em ambientes fechados e com pouca ventilação.

O médico relata um cenário em que o uso de máscaras deverá observar a situação particular das pessoas, como a idade, as condições de saúde e a exposição ao risco. “Provavelmente a gente vai passar de um momento de risco maior para um menor, em que cada um vai ter que individualizar o seu risco e o uso da máscara também serão individualizados, não é só desautorizar o uso de máscara ou assinar um decreto dizendo que a pandemia acabou, pois ainda há situações de risco que exigem o uso contínuo das máscaras”, acredita.

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