Mãe denuncia ter perdido bebê por causa de demora e burocracia na Maternidade Dona Iris

Com 40 semanas e muitas dores de parto, mas pouca dilatação a gestante foi medicada e orientada a “voltar para casa”

Postado em: 08-03-2022 às 16h58
Por: Augusto Sobrinho
Com 40 semanas e muitas dores de parto, mas pouca dilatação a gestante foi medicada e orientada a “voltar para casa” | Foto: Arquivo Pessoal

Uma mãe, de 24 anos, denuncia ter perdido o bebê devido demora para conseguir um parto cesárea no Hospital e Maternidade Dona Iris, em Goiânia. Com 40 semanas de gestação, a mulher relatou ter sentido muita dor, mas com dilatação de apenas 1 cm foi mandada para casa por causa da troca de plantão dos médicos.

A mulher, que era mãe de primeira viagem, teve uma gravidez considerada “tranquila”. Na noite do dia 09 de setembro de 2021, ela entrou em trabalho de parto e foi até o hospital. Com dores muito fortes, ela foi avaliada pelos médicos, mas devido a pouca dilatação não conseguiu autorização para realizar a cesariana.

O parto cesárea é uma forma de nascimento por via cirúrgica e, normalmente, é indicada quando há risco para realização de um parto normal. Desde 2016, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC), definiu que a cesariana deve ser realizada quando há riscos à vida da mãe ou do bebê.

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Para realizar a operação é necessário indicação médica. A mulher conta que durante a espera realizou uma ultrassom e foi medicada para poder voltar para casa. “Foi um verdadeiro descaso, nenhum médico veio até mim e eu tive que pedir reavaliação. Não colocaram cardiotocografia para medir a intensidade da contração”, afirma.

O exame de cardiotocografia verifica os picos do batimento cardíaco do feto e os movimentos uterinos para indicar as contrações durante o trabalho de parto. Esta burocracia, segundo a mulher, agravou o quadro, pois, somente às 7h do dia 10, foi realizado um parto cesárea de emergência após a médica identificar o mecônio na bolsa, que são as primeiras fezes do bebê eliminada apenas depois do nascimento.

“Nada foi feito por mim nem por minha filha. Minha filhinha estava em sofrimento fetal e eu lá dentro da maternidade. Só perceberam porque eu fui aos prantos pedindo ajuda pra médica que tinha acabado de chegar, ela percebeu o líquido estranho e fizeram meu parto de emergência, mas infelizmente minha filhinha já estava sem vida”, relata.

A mulher denuncia que o parto cesária foi feito “tarde demais” e, além disso, reclama que teve que ficar em uma sala junto com outras mães, que estavam com os bebês vivos. De acordo com ela, só pode tocar na filha, que “era um sonho”, apenas uma vez e já “gelada”.

“Me sinto muito indignada, pois nós gestantes conhecemos nosso corpo, mas eles ficam incentivando um parto normal. Se tivessem feito a cesariana, minha filha estaria viva. Vão dizer que é uma fatalidade, mas estava passando da hora. Quero lutar pelo direito de escolha na hora do parto”, denuncia.

No laudo médico, a bebê faleceu devido um sofrimento fetal agudo. Em nota, o Hospital e Maternidade Dona Íris (HMDI) informa que, conforme prontuário, a paciente foi atendida de acordo com todos os protocolos médicos e normas técnicas.

O HMDI destaca que a conduta da unidade e de seus profissionais de zelar pela saúde e segurança dos pacientes, assistindo-os com cuidado, respeito e humanização é notória por toda a população. O hospital compreende que a situação é extremamente dolorosa e se solidariza com a família. As providências estão sendo tomadas.

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