Enquanto 31% dos brasileiros acham que dengue acabou, casos da doença crescem 225,5% em Goiás

Notificações da doença no Estado aumentaram 260%. Ao mesmo tempo, 22% dos entrevistados pelo Ipec disseram que o risco diminuiu

Postado em: 17-03-2022 às 19h10
Por: Augusto Diniz
Notificações da doença no Estado aumentaram 260%. Ao mesmo tempo, 22% dos entrevistados pelo Ipec disseram que o risco diminuiu | Foto: Arquivo/Agência Brasil

Os dados divulgados na quarta-feira (16/3) pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) ligaram o alerta das Secretarias de Saúde para a gravidade que a dengue representa, tanto pelo avanço da doença quanto pelo nível de desinformação da população. De acordo com pesquisa da SBI e parceria com a biofarmacêutica Takeda, 31% dos brasileiros acham que a dengue acabou no País.

Mas a realidade é muito mais dura do que a crença de quase um terço da população brasileira. Nas dez primeiras semanas de 2022, os casos confirmados de dengue em Goiás aumentaram 225,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2021, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) confirmou 9.485 pessoas com a doença da semana 1 até a semana 10. No mesmo período deste ano, 21.389 casos de dengue foram confirmados no Estado.

Nas notificações, que incluem os casos confirmados e suspeitos de dengue, a SES-GO identificou 54.081 ocorrências. No ano passado, o número ficou em 15.020 nas dez primeiras semanas. O crescimento verificado é de 206,06% para o mesmo período de 2022 na comparação com 2021.

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Cinco pessoas morreram em 2022 por dengue em Goiás. Os óbitos ocorreram em Alexânia, Goiânia, Inhumas, Itaberaí e Itapaci. No total, a SES-GO recebeu 32 notificações de mortes suspeitas que teriam sido causadas pela doença nesse ano. Os municípios goianos com mais casos notificados de falecimentos em análise pela doença são Goiânia, com 11 notificações, Aparecida de Goiânia (4) e Anápolis (3).

Goiânia é a cidade goiana com mais casos notificados de pessoas com dengue. A capital chegou, até o momento, a 18.373 notificações da doença. Em seguida surgem Aparecida de Goiânia, com 2.579, e Senador Canedo, com 2.349. Proporcionalmente, Urutaí é o município de Goiás com a maior incidência de dengue no Estado: 137 casos para uma população de 3.078 habitantes. A incidência de casos de Urutaí está em 4.451.

Cálculo da incidência

Para criar um cálculo possível de comparação, os casos são divididos pela população do município e multiplicados por 100 mil. Sendo assim, mesmo com mais habitantes (1.555.626) e com mais casos de dengue (18.373), a incidência de Goiânia fica em 1.181. Outras 14 cidades goianas superam a capital na proporcionalidade dos casos em comparação com o tamanho da população. Depois de Urutaí aparecem Guaraíta (3.332), São João da Paraúna (2.823), Itaguaru (2.448) e Americano do Brasil (1.767), todas classificadas pela SES-GO como “alto risco” para dengue.

Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde registrou aumento de 43,5% nos casos de dengue nas seis primeiras semanas de 2022 na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas, na percepção da população, é como se a doença não fosse grave ou não estivesse com registro de avanço em alta no País. Dos 2 mil brasileiros ouvidos por telefone pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) de 19 a 30 de outubro de 2021, 22% disseram que o risco da doença diminuiu na cidades brasileiras, o que contrasta e muito com a realidade.

Impacto da pandemia

Um pouco se dá pela sensação deixada pela pandemia da covid-19, com atenção bastante voltada para a crise sanitária mundial causada pelo coronavírus. 28% dos entrevistados afirmaram não mais ter ouvido falar em dengue no Brasil e 22% que “toda doença agora é covid-19” no País e que não existem mais casos de dengue.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a subnotificação impactou os dados de 2020 e 2021 de dengue, não só em Goiás, mas em todo Brasil. Para a SES-GO, a notificação menor de casos nos anos anteriores a 2022 ocorreram também por impacto da pandemia. Outro fenômeno percebido foi a redução de pessoas que procuraram as unidades de saúde com suspeita de dengue, o que diminuiu a testagem e verificação dos casos. Muitos não procuraram atendimento com receio da covid-19.

Ao mesmo tempo, 30% dos brasileiros ouvidos pelo Ipec disseram que já tiveram dengue 70% que conhecem alguém que já teve a doença. Dos que mudaram os hábitos para evitar que o mosquito Aedes aegypti encontre criadouros em objetos com água parada, o percentual chega a 55% dos entrevistados. 76% disseram que a dengue é causada pela picada do mosquito. Mas 8% não sabem como a doença é transmitida e 4% acreditam que seja de pessoa para pessoa.

Existem quatro subtipos do vírus da dengue, o que faz como que uma mesma pessoa só possa pegar a doença no máximo quatro vezes, uma vez cada tipo. Só que 59% disseram não saber quantas vezes podem contrair dengue. Apenas 2% tinham noção da quantidade limite de casos da doença que alguém pode ter.

Dengue

A dengue é uma doença infecciosa, transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e tem quatro sorotipos diferentes. Quem pega um tipo, não fica imune aos demais. O período do ano com maior transmissão da doença ocorre nos meses mais chuvosos de cada região, geralmente de novembro a maio.

O acúmulo de água parada contribui para a proliferação do mosquito e, consequentemente, maior disseminação da doença, por isso, alerta o Ministério da Saúde, é importante evitar água parada porque os ovos do mosquito podem sobreviver por até um ano no ambiente.

No geral, a primeira manifestação da dengue é a febre alta acima de 38°C, que dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, e manchas vermelhas na pele. Também podem acontecer erupções e coceira na pele. Em alguns casos, ela pode evoluir para uma forma grave.

Não existe um tratamento específico para a doença. As medidas adotadas visam o controle dos sintomas. Pacientes com suspeita de dengue devem buscar orientação médica logo que surjam os primeiros sintomas. (Com informações da Agência Brasil)

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