Compras na feira mais caras: IPCA continua em alta em Goiânia e atinge 0,91% em fevereiro

Tubérculos, raízes e legumes subiram 10,08% no mês de fevereiro, acumulando 42,58% de alta nos últimos doze meses

Postado em: 23-03-2022 às 10h07
Por: Redação
Tubérculos, raízes e legumes subiram 10,08% no mês de fevereiro, acumulando 42,58% de alta nos últimos doze meses | Foto: Pedro Pinheiro

Em Goiânia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro atingiu 0,91%, a maior alta para o mês desde fevereiro de 2015 (1,41%) e 0,17 ponto percentual acima do registrado em janeiro (0,74%). É o que aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o índice acumulado nos últimos doze meses atinge 11,49% na capital do estado, o quarto maior índice do país.

No país, a inflação registrou alta de 1,01% em fevereiro de 2022, sendo essa a maior variação para um mês de fevereiro desde 2015 (1,22%). O índice ficou 0,47 ponto percentual acima do registrado em janeiro (0,54%) e, no ano, acumula alta de 1,56%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 10,54%.

Alta inflacionária

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De acordo com dados do IBGE, a alta do mês se deu principalmente pelo aumento no preço do veículo próprio, que subiu 1,13% em fevereiro, décima sétima alta consecutiva, acumulando 13,27% nos últimos doze meses. Outro item de forte peso na cesta de compras das famílias abrangidas pela pesquisa é aluguel e taxas, que subiu 3,17% no mês, a quinta alta consecutiva.

Já o grupo alimentação e bebidas subiu 1,84% no mês, acumulando 11,41% nos últimos doze meses. Destaque para alimentação fora do domicílio que subiu 2,44% em fevereiro. Alimentação no domicílio subiu 1,65% e já acumula 12,05% de alta nos últimos doze meses.

Com relação aos itens da alimentação, a pesquisa destaca os tubérculos, raízes e legumes, que subiram 10,08% no mês de fevereiro, acumulando 42,58% de alta nos últimos doze meses; panificados, que subiram 2,40% no mês e acumulam 9,60% nos últimos doze meses; açúcares e derivados, que subiram 1,91% no mês, acumulando 21,95% nos últimos doze meses; bebidas e infusões, que subiram 3,23% em fevereiro e acumula 21,06% nos últimos doze meses; frutas, com alta de 4,98% e acumulado de 17,19%; e hortaliças e verduras, que subiu 6,61%, acumulando 15,60%.

Cenário em Março

Já confiança do comerciante recuou 1,3% em março, mantendo a tendência apresentada em fevereiro (-1,2%). Com o resultado, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), encerra o primeiro semestre de 2022 com queda acumulada de 1,12%. Segundo o levantamento, os efeitos da inflação persistente e a recente transmissão do aumento dos combustíveis a outros preços são elementos-chave que explicam a evolução da baixa confiança empresarial.

A guerra na Ucrânia também é um fator de peso para o resultado. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o quadro internacional gera um cenário de incertezas. “O conflito deve influenciar, juntamente com comportamento dos valores internos, o crescimento da inflação. Os preços, em geral, devem permanecer em alta, principalmente em virtude da escalada dos combustíveis e das commodities”.

Mais estoques e menos contratações

No índice Intenção de Investimentos, apenas um subíndice apresentou variação positiva, o relativo às intenções de investir em estoques, que cresceu 1,2%. O mesmo grupo, no entanto, também registrou a variação negativa mais expressiva entre todos os subíndices, de 3,5% em intenções de investimento em contratação de funcionários.

O economista da CNC responsável pela análise, Antonio Everton, avalia que, apesar de constituir a segunda retração consecutiva e com mais força que no mês anterior (-0,4% em fevereiro), a queda da intenção de contratar funcionários pode indicar ajustes nas empresas. “A variação pode sinalizar uma adequação nos custos operacionais a uma perspectiva de menor faturamento”.

O economista ainda observa que o clima de menor confiança é agravado pela sazonalidade. Todo início de ano, a chegada de impostos aumentados (IPTU e IPVA), novos valores para condomínio e mensalidade escolar pesam nos orçamentos. Além disso, os juros reais por volta de 5% acima da inflação encarecem o custo da tomada do crédito. “São fatos que também afetam a percepção dos empresários do comércio para uma conjuntura relativamente mais difícil”, lembra o economista.

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