Goiânia lidera ranking das cidades brasileiras com mais casos de dengue

Postado em: 01-04-2022 às 08h07
Por: Redação
A população tem de ser ativa na eliminação de criadouros do Aedes aegypti | Foto: Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz

A capital de Goiás é a cidade brasileira que mais registrou casos de dengue em 2022, segundo dados do Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde. Em Goiânia foram três óbitos e 24.660 casos confirmados. Goiás é o segundo Estado do Brasil com mais mortes por dengue em 2022. Durante o primeiro trimestre do ano – até o dia 26 de março – foram, ao todo, oito óbitos. Apenas a Bahia está na frente. 

Além disso, os goianos lideram uma lista com mais casos confirmados da doença no país, chegando a 33.548 contaminados e mais 76.639 casos notificados. Esses dados colocam Goiânia e Goiás em evidência no mapa da dengue no Brasil.

Goiás registra aumento de 53% nos casos notificados e confirmados de dengue nas 12 primeiras semanas de 2022, em relação ao mesmo período de 2021. A décima segunda semana vai de 20 a 26 de março. Neste ano, foram 76.639 notificações e 33.548 ocorrências confirmadas. Em 2021, foram 12.420 e 19.559 respectivamente, no mesmo período.

O coordenador de Dengue, Zika e Chikungunya da Secretaria de Saúde de Goiás, Murilo do Carmo afirmou que existem alguns fatores que contribuem para os resultados negativos no Estado. Um deles é a circulação de dois tipos de vírus, a dengue tipos 1 e 2.

“Temos um intenso período chuvoso no Estado de Goiás. Isso fez com que aumentasse a oferta de água nos criadouros e aumentasse a quantidade de Aedes aegypti. Somado a isso, a baixa adesão da sociedade em ajudar o poder público a conter o avanço dessa doença”, analisou.

Sobre o grande número de doentes e recorde de casos fatais, o coordenador argumenta que o estado tem feito ações de ajuda no combate ao mosquito, como a aquisição de carros fumacês, inseticidas e medicamentos.

Em Goiânia

Diante do crescimento dos casos de dengue em Goiânia neste ano, 24.660 confirmados somente no primeiro trimestre, contra 11.482 em todo o ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) afirma que tem intensificado as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. De janeiro até agora, os Agentes Comunitários de Endemias (ACEs) já realizaram 554.294 visitas a residências no município, e eliminaram 21.404 focos.

Além de identificar, eliminar ou tratar criadouros e focos do mosquito transmissor da dengue, as visitas têm mais objetivos. “Nossos agentes também conversam com os moradores, orientam sobre como devem ser suas condutas para evitar a proliferação do mosquito, e esclarecem sobre a doença”, enfatiza o gerente de Controle de Vetores da Diretoria de Vigilância em Zoonoses, Izaías de Araújo Ferreira.

O bloqueio com uso de inseticida também tem sido bastante usado em Goiânia, no combate à dengue. Já foram 7.367 casos com bloqueio de janeiro pra cá. O trabalho de campo é realizado com o uso de bombas costais que pulverizam os locais de maior circulação do mosquito com Inseticida de Ultra Baixo Volume (UBV), que não agride o meio ambiente.

“Muitas pessoas questionam o motivo de não ter mais o ‘fumacê’. É preciso que saibam que esse era um programa do Ministério da Saúde (MS), e que foi extinto há alguns anos porque causa desequilíbrio ao meio ambiente, até mesmo com morte de algumas abelhas”, explica o secretário municipal de Saúde Durval Pedroso.

Ações do Estado

A Secretária Estadual de Saúde (SES-GO) informa em nota que “desenvolve ações sistemáticas voltadas à diminuição dos níveis de infestação do Aedes aegypti e prevenção dos casos de dengue, chikungunya e zika. É rotina intensificar essas ações logo antes do início do período chuvoso, que em Goiás começou ano passado, quando foi observado o aumento expressivo de casos de dengue e chikungunya, especialmente nos municípios da Região Metropolitana de Goiânia”.  

A pasta ressalta que ajuda na divulgação de orientações à população e sociedade civil organizada e está concluindo os preparativos para a realização de uma ampla campanha para a conscientização da população quanto à necessidade de eliminação de criadouros do Aedes aegypti nas residências.

A Secretaria destaca que “procura dotar os municípios de insumos, materiais e equipamentos, capacitação e, ainda,  incentivar os gestores e capacitar os profissionais de saúde para o combate ao Aedes aegypti e realizar ações de promoção de combate ao vetor envolvendo suas populações”. 

Entre os procedimentos adotados pela SES-GO, desde o final do ano passado, estão a distribuição de 720 unidades de bombas costais motorizadas de uso individual pelo Agente de Saúde, com manutenção de outras 211 já existentes, todas em pleno funcionamento, informa a pasta.

Cuidados

O infectologista Marcelo Daher alerta que aos primeiros sinais de sintomas a pessoa deve procurar o médico imediatamente porque em alguns casos pode evoluir de forma grave. E embora os sintomas sejam parecidos com outras doenças como gripe e Covid-19 têm como diferenciar por meio da dor no corpo que é fora do comum.

 “A dengue também é chamada de quebra-ossos e uma dor de cabeça atrás dos olhos”, informa. As manchas na pele só começam a aparecer a partir do sexto dia. E a partir do momento que a pessoa contrai a doença é necessário um acompanhamento. “Monitora com hemograma para avaliar queda de plaquetas,  hemoconcentração (para saber se a pessoa está com hidratação suficiente ou não)”, explica.

Vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan deve ficar pronta em 2024 

A vacina do Butantan contra a dengue ainda está em fase final com previsão de finalização do estudo em 2024. Os resultados da fase três da pesquisa foram encaminhados para o comitê de pesquisadores brasileiros e do exterior. Se aprovado os dados, o pedido será encaminhado para a Anvisa. A DengVaxia, da Snofi, foi registrada ao final de 2015, mas com aplicações limitadas.

Já existe uma vacina disponível contra a dengue, licenciada no Brasil. Mas, tem restrições com relação a vacina. “Só pode ser tomada por quem já teve dengue pelo menos uma vez, dengue confirmada, a partir de nove anos de idade e limite de 65 anos. São três doses no intervalo de seis meses”, esclarece o infectologista Marcelo Daher.

Ela serve para reduzir a chance de dengue grave de pessoas que  já tiveram dengue. De acordo com o infectologista. ‘’Existem outras duas vacinas em vias de liberação, uma delas do laboratório Takeda que já foi submetida a Anvisa que será solicita a liberação para pessoas a partir de quatro anos de idade até os 60 anos. Existe outra vacina do Instituto Butantan, que é uma vacina bastante promissora feita em dose única com chance maior de proteção, mas ela ainda está em fase de teste da Anvisa”, relata.

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