Usuários do transporte coletivo reclamam do prazo do novo Bilhete Único

Novidade permite ao usuário pagar apenas uma passagem e trocar de ônibus gratuitamente no intervalo de 2h30

Postado em: 05-04-2022 às 08h36
Por: Redação
Novidade permite ao usuário pagar apenas uma passagem e trocar de ônibus gratuitamente no intervalo de 2h30 | Foto: Pedro Pinheiro

Por Ítallo Antkiewicz

Começou a valer, no último sábado (2), o Bilhete Único, implementado na Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), em Goiânia e Região Metropolitana. A partir de agora, o usuário poderá pagar somente uma passagem e trocar de ônibus gratuitamente no intervalo de 2h30. A tarifa cobrada não será alterada e continua valendo R$ 4,30. Entretanto, usuários do transporte coletivo reclamam que o tempo disponível para utilizar o bilhete é curto para fazer as baldeações.

Auxiliar de serviços gerais, Cândice Leandra Rosa Pereira, 47 anos, reclama que o Bilhete Único não resolve o problema. “Não sei para que serve esse novo bilhete aqui em Goiânia, como se esse tempo disponível desse para chegar em casa ou no trabalho. O tempo não é suficiente, principalmente para quem mora longe e precisa pegar de dois a três ônibus. Em cada ponto que descemos, temos que esperar no mínimo 45 minutos até o próximo ônibus chegar”.

Continua após a publicidade

Eliana Ferreira da Silva, cozinheira, 45 anos, ressalta que não acha o Bilhete Único atrativo para utilizar o transporte coletivo. “Tenho que sair de casa mais cedo, pois utilizo três ônibus para chegar ao meu trabalho. O Bilhete Único não ajuda principalmente por conta da demora dos ônibus em passar nos terminais. Então, duas horas e meia se tornam muito pouco tempo. O que devia ser feito e que ajudaria muito seria baixar o valor da passagem”.

A auxiliar de serviços gerais Regina Helena da Silva, 37 anos, também reclama que o tempo de duas horas e meia não é suficiente para ela ingressar nos ônibus necessários para aproveitar o Bilhete Único. “Às vezes, eu fico até 50 minutos no ponto esperando pelo próximo ônibus. Se fosse só descer de um ônibus e embarcar imediatamente em outro, o Bilhete Único resolveria para mim, mas não é assim”. 

Entretanto, existem usuários que ficaram satisfeitos com a novidade. É o caso da colaboradora doméstica Sandra Kelly da Silva Santana, 39 anos. Ela afirma que as duas horas e meia são suficientes para ela se locomover na Capital. “Esse tempo é suficiente tanto para chegar ao trabalho, como chegar em casa. Esse novo benefício chegou em boa hora, ainda mais que podemos trocar de ônibus gratuitamente, pagando um valor apenas”, ressalta a empregada doméstica.

A reportagem do jornal O Hoje entrou em contato com a assessoria imprensa da RedeMob para ouvir o posicionamento acerca das reclamações dos usuários sobre o tempo curto para o uso do Bilhete Único. Entretanto, a assessoria informou que não responde casos gerais, apenas específicos.

“Para que possamos melhor atendê-los nos retornos de demandas sobre atrasos, problemas ou qualquer outra situação que envolva o transporte coletivo da Grande Goiânia, solicitamos a necessidade de coleta dos seguintes dados abaixo, por favor: dia; horário; local; linha; número do ônibus; situação. Essas informações são indispensáveis para que possamos responder com mais assertividade e agilidade”

Novas rotas

Em matéria publicada no site da Prefeitura de Goiânia, o presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Tarcísio Abreu, ressalta que a inserção de bilhetagem inteligente é urgente pela transformação, liberdade e redução de custos para o usuário do transporte público coletivo. “Ainda há muito para realizar, mas diante das possibilidades do bilhete único, teremos grande avanço, em especial, no custo de viagem e tempo de espera dos ônibus, o que incorrerá em transporte mais rápido”, avalia.

No entanto, o novo formato vale para apenas um titular e monitoramento será feito a partir de biometria facial, com o objetivo de evitar o uso indevido do cartão. Além disso, a mudança será automática, ou seja, não é necessária a troca do Cartão Fácil e o passageiro não precisa fazer nada para acessar o benefício. 

Em determinadas situações, será possível ao passageiro aperfeiçoar o seu trajeto utilizando outras opções de integração entre linhas independente de terminais, podendo gerar redução no tempo da viagem, desde sua origem até seu destino. Serão impactados positivamente com esta novidade mais de 20% dos usuários que utilizam diariamente a rede de transportes coletivos.

“Será um período de aprendizagem para os usuários do transporte público coletivo, que poderão descobrir novas rotas para seus destinos, inclusive podendo gerar economia de tempo. O usuário poderá subir e descer dos ônibus várias vezes, durante duas horas e meia, em qualquer ponto de ônibus, sem ter que pagar outra passagem, e isto são um grande benefício”, destaca o presidente da CMTC.

Para descobrir novos caminhos para aperfeiçoar as viagens, a CMTC informou que os usuários podem utilizar o aplicativo SiMRmtc. Basta inserir a origem e o destino da viagem desejada no aplicativo para conferir as opções de rotas.

O Bilhete Único poderá ser feito em qualquer ponto de vendas do Sitpass ou terminal. O interessado deve apresentar documentos pessoais e os créditos serão disponibilizados no cartão e convertidos em passagens. 

Cronograma de reformulação do transporte público

A introdução do Bilhete Único é a primeira das melhorias anunciadas pela Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC), após a aprovação da Lei Complementar 169, de 29/12/21, que trata da reformulação do transporte coletivo de Goiânia e Região Metropolitana.

Para os próximos meses, está prevista a introdução do Cartão Família (para que até cinco pessoas embarquem com tarifa única aos finais de semana); Bilhetes Um Dia e Uma Semana (aquisição de bilhetes diário e semanal); Cartão-Pós-Pago; Bilhete Meia-Tarifa; aquisição de nova frota; revitalização do Eixo Anhanguera, novo Eixo Norte-Sul e Super APP SIM 2.0.

Serviços complementares também serão integrados aos já oferecidos pela RMTC, com destaque para o CityBus 3.0, que é um serviço sob demanda; sistema de bicicletas compartilhadas conectado aos terminais de integração; implantação, reforma e manutenção de abrigos em pontos de parada de ônibus.

Veja Também