Com a liberação de máscaras, Covid-19 deve ter nova onda com menos casos e mortes

Postado em: 05-04-2022 às 17h12
Por: Augusto Sobrinho
Especialista diz que flexibilização tem viés político e não epidemiológico | Foto: Reprodução

Diversos municípios do país, como Goiânia e Anápolis, já aderiram ao uso opcional da máscara contra a Covid-19 em ambientes abertos e fechados. Apesar da flexibilização, o assunto ainda merece atenção e cuidado, pois o que podemos aprender com outras cidades espalhadas pelo mundo é que a liberação pode resultar em uma nova onda de casos devido às variantes do coronavírus.

Em Goiás, dos 246 municípios, 164 já têm o percentual de pessoas imunizadas contra a Covid-19 igual ou maior que 75% e já podem liberar o uso de máscaras, conforme nota publicada pelo Governo de Goiás. Outros 82 ainda não o podem, pois esta é a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde após avaliarem a melhora do cenário epidemiológico e do avanço nas coberturas vacinais.

Além disso, desde o início de março, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estudam rebaixar para endemia o status da covid-19 no Brasil. Porém, o Observatório Covid-19 da Fiocruz afirma que o contexto atual da pandemia no mundo requer atenção. “Observa-se recentemente uma alta da covid em países da Europa e da Ásia, o que deve ser encarado como um alerta para o Brasil”, disse.

Países como os do Reino Unido, que também estão flexibilizando os protocolos contra a Covid-19, já estão notificando um aumento de casos de novas variantes do coronavírus. Atualmente, a cepa BA.2 com ômicron é a principal preocupação dos órgãos ingleses devido ser responsável por 93,7% dos casos nas últimas semanas, mas também há outras que estão preocupando os países.

“Uma variante recombinante ocorre quando um indivíduo é infectado com duas ou mais variantes ao mesmo tempo. Elas não são incomuns, principalmente quando existem várias variantes em circulação. Tal como acontece com outros tipos, a maioria morrerá relativamente rápido”, afirmou Susan Hopkins, médica-chefe da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês).

O órgão já identificou as variantes XE, que é a combinação entre a BA.1 e 2, e a XF e XD, que são recombinações das variantes delta e ômicron. A XE, aparentemente, é 9,8% mais transmissível do que as demais e, com o aumento de casos, ela está sendo apontada como responsável pela nova onda de casos de COVID-19 na Europa e na Ásia. Entretanto, ainda não há indicações científicas sobre a letalidade desta variante.

“Este cenário [de aumento de casos da covid-19] se dá mesmo em países com maior cobertura vacinal, e o momento no Brasil é de flexibilização do uso de máscaras, segundo diferentes critérios e estratégias de liberação (incluindo a forma e os locais, abertos e/ou fechados, com/sem aglomeração)”, destaca a nota técnica do Observatório Covid-19 da Fiocruz, que reforça a necessidade de cautela.

Segundo o médico Eduardo Sprinz, chefe do serviço de infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em entrevista ao site Sul21, a decisão de desobrigar o uso de máscara em ambientes fechados está sendo uma decisão política, com provável viés de obter ganho eleitoral, do que ancorada no bom senso. Para ele, a medida para acabar com a pandemia, não é tirar a máscara.

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