Fim da bandeira vermelha pode baratear conta de energia em até 6%

Postado em: 09-04-2022 às 08h30
Por: Redação
Medida deve trazer uma folga para os consumidores em meio a diversos impostos, avalia especialista | Foto: Reprodução

Por Daniell Alves

Os consumidores podem ter um alívio no bolso a partir deste mês. O Governo Federal anunciou o fim da bandeira de escassez hídrica, que estava em vigor desde setembro do ano passado, gerando uma taxa extra na conta de energia elétrica de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A redução pode chegar até 6%. Alguns proprietários de estabelecimentos comerciais de Goiânia avaliam que a medida pode amenizar os gastos com energia dos últimos meses. 

Ricardo Nunes, proprietário de uma sorveteria no Centro de Goiânia, destaca que a medida será benéfica. “Hoje os valores cobrados pela energia elétrica estão assustadores, na verdade seriam necessárias outras medidas”, aponta. O estabelecimento foi bastante afetado pela pandemia Covid-19, já que precisou aderir às regras de afastamento entre mesas, o que acabou diminuindo a quantidade de clientes no local. 

Atualmente, a sorveteria também presta atendimento por aplicativos. Isto facilita os pedidos e faz com que os clientes consigam comprar e receber os produtos em suas casas. “Meu gasto com energia é de cerca de R$ 2 mil por mês. Temos que encontrar medidas para economizar e qualquer medida que reduza a tarifa será boa”. 

O cabeleireiro Robson Assis, já entrevistado anteriormente pela reportagem para falar sobre a tarifa da conta de energia, também afirma que a redução poderá trazer benefícios. Ele é proprietário de um salão no Parque Amazônia, em Goiânia. “Pode até ser que de algum alívio. Penso que quem vai sentir mais diferença são as indústrias, já que tem um consumo bem elevado”, explica. 

Ricardo Nunes, proprietário de uma sorveteria gasta cerca de R$ 2 mil por mês com conta de energia | Foto: Pedro Pinheiro

Para ele, a única forma dos estabelecimentos terem benefícios seria com o não aumento da tarifa. Atualmente, as despesas do salão com a energia gira em torno de R$ 400. Robson conta que o valor é o dobro do que ele pagava há dois anos. 

“Evito ao máximo gastos desnecessários, sem contar que o movimento ainda não voltou ao normal como antes da pandemia”, avalia. Entre as alternativas apontadas por ele para economizar estão: evitar ao máximo uso de aparelhos elétricos, como sistema de ar, não deixar nada ligado na tomada, principalmente no fim do expediente. 

Mínimo 

A manicure Maria da Guia Pereira, 55 anos, afirma que a mudança é o mínimo após a crise causada pela pandemia da Covid-19. “Olha, cada dia que passa a minha conta de energia sobe mais. Desse jeito vamos trabalhar somente para pagar água, luz e os alimentos. Qualquer economia que a gente puder fazer, já vai ajudar bastante”, pontua. 

Maria tem dois filhos, mas explica que eles quase não ficam em casa. Já ela, trabalha quatro dias da semana e mesmo assim o valor da energia continua o mesmo. “Quando estou em casa quase não assisto televisão, o máximo que usamos é o micro-ondas, carregar o celular”, destaca. 

Folga

Professor e mestre em Economia Luiz Carlos Ongaratto ressalta que o aumento acumulado da tarifa de energia elétrica foi expressivo e a mudança de bandeira vem para trazer uma economia de aproximadamente 6% ao consumidor.

“Essa medida vai ajudar o consumidor a ter uma certa folga no orçamento para energia elétrica e poder destinar esse valor economizado para outra conta. Apesar de não ser tão expressivo, é importante num momento de crise e de aumento da inflação que está em toda a economia”, pontua. 

Fim da bandeira

A medida entra em vigor a partir do dia 16 de abril, conforme informado pelo presidente Jair Bolsonaro, e com o fim da bandeira, não haverá mais cobrança de taxa extra na conta de luz. “Bandeira verde para todos os consumidores de energia a partir de 16 de abril. A conta de luz terá redução de cerca de 20%”, postou Bolsonaro nas redes sociais. 

A tarifa extra foi aprovada em meio à crise hidrológica que afetou o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas do país em 2021. As usinas são a principal fonte geradora de energia elétrica no Brasil, e de acordo com o governo federal, foi a pior seca em 91 anos.

Desde 2015, a conta de luz dos brasileiros subiu mais que o dobro da inflação. Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) revelam que a tarifa residencial acumula alta de 114%, ante os 48% de inflação no mesmo período, uma diferença de 137%. Os últimos anos têm sido marcados não só pelas correções anuais nas tarifas, mas também pela criação de encargos e custos diretamente repassados para os consumidores.

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