Procon aponta variação de até 187% no preço dos peixes durante a quaresma

Postado em: 12-04-2022 às 08h17
Por: Daniell Alves
A maior identificada foi no quilo da tilápia inteira (kg), com valores entre R$ 13,89 e R$ 39,90 | Foto: Reprodução

O consumo de peixes pode ficar bem caro nesta semana se o consumidor não se atentar a detalhes na hora de comprar. Uma pesquisa do Procon Goiás aponta variação de até 187% no preço dos pescados. A maior variação de preço identificada na pesquisa foi no quilo da tilápia inteira (kg), com valores entre R$ 13,89 e R$ 39,90.  Em segundo lugar, aparece o tambaqui, encontrado de R$ 13,95 a R$ 39,90, o que representa uma variação de 186%. 

De acordo com o estudo, o tradicional bacalhau do Porto, uma boa pedida para a Semana Santa, apresentou oscilação de 131%, com preços entre R$ 82 e R$189. Neste ano, com um cenário menos alarmante após dois anos de pandemia da Covid-19, alguns comerciantes visitados têm a expectativa de que o volume de venda seja melhor que o do ano passado. 

A dona de casa e cabeleireira Daguia Nunes, 55 anos, revela que na Semana Santa terá peixes, já que é uma tradição da família. Ela explica que para não ficar um valor alto todos da família se juntam e fazem uma espécie de vaquinha. “Cada pessoa da família faz um prato e todos nos juntamos para pagar um valor só”, afirma. 

Na confraternização da família de Daguia terão vários pratos típicos com peixe. “Vai ter assado, frito de molho, para todos os gostos. O preço todo ano fica mais caro realmente. Então a gente compra com antecedência alguns e deixamos no congelador”, ressalta. 

Luiz Carlos Ongaratto, professor e mestre em Economia, explica que o aumento no valor do peixe é observado todos os anos. “Alguns estados produtores têm um controle muito forte para não ter a oscilação de preço quando se fala em produção. Em Goiás não há controle. O pescado semanas atrás tinha preço competitivo, mas sem motivo algum tem o preço aumentado. O consumidor tem que pesquisar, são aumentos médios no mercado e buscar promoções que vão ocorrer se as vendas não acompanharem o esperado”, destaca. 

Caso o consumidor ainda queira comer peixe, o especialista orienta a busca por espécies menos populares e menos comuns. “Observar que o bacalhau tem vários tipos de preparo. Além disso, pode pesquisar receitas que levam menos quantidades de proteínas e trocar as preparações”, sugere. 

Tambaqui

O aumento médio geral apontado pela pesquisa na comparação com os preços praticados no mesmo período do ano passado chegou a 5,51%. Já individualmente, o maior aumento médio registrado foi no quilo do tambaqui. 

Na Semana Santa de 2021, o preço médio do quilo era comercializado a R$ 17,66. O preço médio atual é de R$ 20,87, aumento de 18,16%. Em alguns casos, no entanto, verificou-se uma redução, como no preço do quilo do pintado, que passou de R$ 28,93 para R$ 26,33 – redução de 9% –  e na sardinha (800 gramas), cujo preço médio caiu de R$ 15,95 para R$ 15,41 – 3,36%.

A pesquisa divulgada pelo Procon Goiás dá uma noção dos preços médios praticados. Por isso, ainda que o consumidor visite estabelecimentos não contemplados pela pesquisa, é possível identificar se o preço cobrado está acima ou não da média praticada.

“Nos supermercados, o pescado deve estar exposto em balcão frigorífico e na feira, envolto em gelo picado, sempre protegido do sol e insetos. No caso de peixe congelado e vendido em embalagens, o balcão não pode estar superlotado, pois isso impede a circulação de ar refrigerado e compromete a qualidade do produto”, aponta a pesquisa. 

Os consumidores também devem verificar se o produto tem o selo de inspeção, data de acondicionamento e prazo de validade. “Verifique ainda se há presença de água ou sinal de umidade próximo ao freezer, pois isso pode ser um indicativo de que o freezer foi desligado ou teve a temperatura reduzida durante a madrugada. A aparência do pescado pode dar alguns indicativos se o produto está ou não em boas condições para o consumo”, explica. 

Consumidor deve ficar atento na hora de comprar o produto 

A recomendação do Procon é que os clientes pressionem a barriga do peixe para saber se ela está firme. “Ele deve voltar ao formato original. Veja se os olhos estão com aspectos brilhantes e salientes. Também é preciso checar se as guelras estão vermelhas e se as escamas estão bem presas ao corpo. No caso de bacalhau e outros peixes secos, não devem apresentar manchas vermelhas ou pintas pretas no dorso nem umidade, o que pode indicar presença de bactérias”, explica. 

O feirante ou vendedor deve usar luvas e avental ao manusear o produto. Fique atento ao uso de toldos vermelhos nas barraquinhas das férias, pois eles podem “maquiar” a cor do peixe. Leve-o para a fora da barraca para verificar. Ao comprar peixe fresco, sejam adquiridos em feiras ou mercados, sempre acompanhe a pesagem. 

“Devido à pandemia da Covid-19, tenha cuidado com a higienização. Após o manuseio dos produtos, lembre-se de lavar as mãos com água e sabão ou utilize o álcool 70% (gel ou líquido)”. 

Ceia mais saudável 

Para a nutricionista Juliana Borges, nenhum alimento deve ser evitado ou substituído. Isto porque, segundo ela, as datas comemorativas não ocorrem com frequência. “A páscoa acontece uma vez no ano. Eu não vejo a necessidade de restrição de nenhum tipo de alimento. Comer de forma consciente, não extrapolar. Comer o que tem vontade, sentir o sabor do alimento, sem forçar”, orienta. 

Com relação ao consumo de peixes, ela indica para os consumidores repensar o modo de preparo. “O peixe por si só é um alimento saudável com baixo teor de gordura. O meu conselho seria não fritar os alimentos tanto para as proteínas quanto para os acompanhamentos”.

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