Padre Robson fala pela primeira vez após STJ arquivar processo: “Rezo pelos que me caluniaram”

Postado em: 21-04-2022 às 18h34
Por: Ícaro Gonçalves
O religioso havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) em meio à Operação Vendilhões | Foto: Reprodução

O padre Robson de Oliveira usou seu canal no Youtube na tarde desta quinta-feira (21/4) para se pronunciar, pela primeira vez, sobre as recém-arquivadas acusações de desvio de dinheiro da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). O religioso havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) a partir da Operação Vendilhões, na qual promotores descreveram Robson como sendo “o comandante de uma organização criminosa que se utilizava de associações e empresas para realizar lavagem de capitais em benefício próprio”, usufruindo de doações de fiéis para a construção da nova Basílica de Trindade.

“Há exatamente um ano e oito meses eu fui vítima de uma agressão absurda e sem tamanho. Presenciei minha casa sendo invadida da pior maneira que alguém pode imaginar (…) Fui acordado no início de uma manhã com um grupo de pessoas entrando no meu quarto, revirando gavetas, mexendo nas minhas coisas pessoais e invadindo a minha privacidade sem nenhum escrúpulo”, iniciou o padre.

Na sequência, Robson declara ter sido vítima de “um verdadeiro e desnecessário abuso”, criticando a cobertura da imprensa sobre o caso. “O silêncio que eu mantive até agora, foi por obediência ao meu superior religioso, que achou que assim deveria ser. Sendo assim, resignado, aguentei calado as diversas formas de investidas contra mim”, afirmou.

No decorrer de sua fala, Robson ainda agradece o apoio que recebeu de fiéis e afirma ‘perdoar os acusadores’. “Estou rezando pelos que me difamararam e me caluniaram. […] Desde já, eu vos perdôo, mas espero que parem com essas perseguições”, disse.

Investigação

Padre Robson e um grupo de outras 17 pessoas eram investigadas desde 2018. No ano de 2020, o Ministério Público de Goiás (MP-GO), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia contra as 18 pessoas por organização criminosa destinada a obtenção de vantagem mediante a prática de infrações penais, em prejuízo das Associações dos Filhos do Pai Eterno (Afipes) e seus associados.

As denúncias ocorreram a partir da Operação Vendilhões, deflagrada em agosto de 2020. Para os promotores, Robson desviava dinheiro da associação e passava para terceiros, de forma que teria gasto mais de R$ 100 milhões na compra de casas, fazendas, e até um avião, quando era reitor da Afipe.

Arquivamento da denúncia

Padre Robson, porém, foi inocentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última segunda-feira (18/4) das acusações de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. No despacho, a 6ª Turma Criminal da Corte determinou que o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) seja comunicado e encerre a investigação.

No dia 15 de março, a 6ª Turma do STJ julgou o último recurso apresentado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) no AREsp 1844340/GO, ao qual respondia Padre Robson. Nesta ação específica, o Superior Tribunal de Justiça declarou o trânsito em julgado, o que significa que não cabe mais questionamento contra a decisão.

Em nota, o MP-GO informou na segunda (18) que entrou com um mandado de segurança no STJ, que ainda não foi analisado pela Corte Especial. Esta ação foi apresentada antes do trânsito em julgado e aguarda julgamento do Superior Tribunal de Justiça. “Portanto, ainda que tenha havido trânsito em julgado no processo originário, ainda há esta ação para ser julgada”, informou o Ministério Público.

Assista ao pronunciamento:

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