Trabalhadores encontram dificuldade de se manter com um salário mínimo

Postado em: 02-05-2022 às 08h22
Por: Redação
O Dia do Trabalhor (1°) foi marcado por protestos entre bolsonaristas e centrais sindicais na Capital | Foto: Reprodução

Por Sabrina Vilela

No dia do trabalho os trabalhadores não tiveram muito o que comemorar. A taxa de desemprego no Brasil atualmente está em 11,1%. A porcentagem já é um pouco menor que no período pré-pandemia, em 2019. Os dados de março foram divulgados na última sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém a recuperação e as oportunidades não são iguais para esse contingente de 11,9 milhões de brasileiros que ainda estão à procura de um trabalho.

Mayra Paula da Costa faz parte do número de brasileiros que perderam o emprego por conta da pandemia. Ela trabalhava como vendedora em uma loja de roupas íntimas na Região da 44, mas em outubro de 2020 ficou desempregada e não conseguiu mais emprego. “Tinha outra funcionária e eu, mas a dona disse que não tinha condições de manter as duas e me mandou embora. Mas, eu fiquei sabendo que por conta da crise a loja fechou há cerca de um ano”. 

Agora, Mayara luta para sobreviver apenas com o que o marido ganha como motorista de Uber. Eles têm três filhos – nas idades de 7 anos, 11 anos e 2 meses – e ela afirma estar cada vez mais desesperada com a situação financeira que só piora por causa do aumento de itens básicos. 

“Tenho uma nenê de apenas 2 meses que precisa de leite Aptamil que custa R$ 49,90. Estamos passando muito sufoco ultimamente. Só estamos conseguindo seguir em frente por causa do trabalho do meu marido e algumas ajudas que recebemos”, desabafa a mãe preocupada. 

Euzamar Alves de Abreu conseguiu preservar seu emprego como camareira em um hotel durante a pandemia. Mas, ela conta que não foi fácil, mesmo não tendo parado. “Eu não perdi o emprego, mas quando começaram a fechar os comércios eu recebi as minhas férias adiantada. Quando eu voltei meu salário teve que diminuir porque não tinha tanto movimento”, relata. 

Euzamar trabalhava dia sim e dia não para ajudar nas despesas da casa onde mora ela, o marido e dois filhos em Goianira. Mas, deixou de receber mensalmente para trabalhar na diária. “Eu só não passei dificuldade porque tinha a renda do meu marido ainda para ajudar”, explica. 

Atualmente Euzamar está mais preocupada por estar desempregada. Ela teve que pedir demissão do trabalho a mais ou menos um mês por causa  de problemas de saúde. Ela pretende procurar outro emprego assim que terminar todos os exames. Apesar do marido trabalhar, ela se preocupa, porque não é fácil sustentar uma família de quatro pessoas. “Está tudo muito caro. Agora que estou desempregada temos que economizar ao máximo”. 

O marido de Euzamar, Bruno Mata Albuquerque tem que ter dois empregos para  tentar driblar os aumentos de itens básicos. “Meu marido trabalha como frentista em Aparecida de Goiânia e quando ele não está no posto trabalha como uber moto. Ele trabalha demais para conseguir sustentar a casa agora”, conta sobre a dupla jornada do companheiro. 

Já Demilson Ferreira trabalha com reciclagem há cerca de 1 ano. Ele teve que ver na reciclagem uma ajuda para conseguir aumentar a renda. “O dinheiro que eu tiro com a reciclagem me ajuda a pagar as despesas”. Ele explica que faz coleta de materiais para conseguir no final do mês um dinheiro para ajudar com os aumentos, “Eu faço coletas e revendo no final do mês. Eu coleto e separo, depois tem determinados caminhões que pegam papelão, outro pega plástico, outro pega sucata, tem também de ferro velho e latinhas”, explica a sua rotina com os materiasi recicláveis. 

Desigualdade no emprego 

Os números do IBGE mostram que há uma grande desigualdade no mercado de trabalho seja entre as regiões, entre as diferentes idades ou a escolaridade de cada um. Entre as mulheres, por exemplo, a taxa de desemprego ainda é de 13,4%, enquanto para os homens está em 9,2%, de acordo com os dados do IBGE para o 4º trimestre de 2021, os mais recentes disponíveis.

No Nordeste, que tem a economia muito dependente dos serviços e que mais sofre para se recuperar, a taxa de desocupação é de 13,8%. É um número bem diferente do Centro-Oeste (9,5%) e do Sul (6,8%), onde ficam os principais pólos agropecuários do país.

Em Santa Catarina, um dos maiores produtores de frango do país, a taxa de desemprego é de apenas 5,4%, a menor do Brasil. Nos produtores de soja e milho Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, está na faixa dos 6%. Na Bahia, por outro lado, onde estão os piores índices, 16,5% dos trabalhadores ainda estão sem emprego.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país conta com 12 milhões de brasileiros sem trabalho e renda formal. A pesquisa aponta ainda que a inflação pode chegar a 6,5% neste ano. A Pnad destaca que a renda do trabalhador teve queda de 8,8% no trimestre no último mês de fevereiro, se comparado com o mesmo período do ano passado. O Serasa por meio do Mapa de Endividamento mostra que cerca de três a cada dez pessoas no Brasil estão inadimplentes e sem emprego. 

Procon divulga mais uma alta de preços 

O Programa de Defesa do Consumidor (Procon Goiânia), divulgou, na última quarta-feira (27) uma pesquisa mostrando o reajuste de 7,64% no preço da cesta básica, que saltou de R$ 562,66 para R$ 634,60, ou seja, houve aumento de R$ 71,94 no custo médio da cesta. O estudo do Procon foi realizado entre os dias 12 a 18 de abril, em 12 redes de supermercados de Goiânia.

Foram coletados preços de 30 produtos que compõem a alimentação de uma família composta por quatro pessoas. Conforme a pesquisa, entre os itens que mais sofreram reajuste estão: o quilo da banana nanica (195,27%), tomate saladete (141,25%), pão francês (114,45%), farinha de mandioca (111,14%) e banana prata (110,82%).

Atos no Dia do Trabalhador 

O Dia do Trabalhor (1°) foi marcado por protestos entre bolsonaristas e centrais sindicais na Capital. As manifestações  do ato pró-governo aconteceram na Praça Tamandaré e Setor Oeste. Já a da Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi realizada na Praça do Trabalhador e no Setor Norte Ferroviário. 

“Emprego, Direitos, Democracia e Vida”, esse foi o tema da mobilização realizada pela CUT que contou também com apresentações artísticas e serviços para a população como cortes de cabelo e aferição da pressão arterial. Já os manifestantes a favor do presidente em exercício, contaram com apoio de parlamentares como Major Vitor Hugo (PL-GO),  ex-senador Wilder Morais (PL).

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