Bares e restaurantes devem movimentar R$ 7 bilhões na economia goiana em 2022

Postado em: 03-05-2022 às 08h00
Por: Redação
Goiás conta com 20 mil bares e restaurantes, sendo 17 mil empresas do setor na região metropolitana do Estado | Foto: Pedro Pinheiro

Por Sabrina Vilela

Os botecos são os lugares certos para aquelas conversas despretensiosas entre amigos ou até para quem quer curtir aquele jogo de futebol fora de casa. Segundo informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Goiás), a estimativa é que o setor de bares e restaurantes movimente no Estado mais de R$ 7 bilhões em 2022 com a retomada das atividades. Após mais de dois anos do começo da pandemia da Covid-19, bares e restaurantes ainda enfrentam dificuldades para operar. De acordo com dados levantados pela  Abrasel, 38% dos estabelecimentos tiveram prejuízo em fevereiro, uma melhora significativa em relação a janeiro, com 43%. Outros 26% tiveram lucro (também uma melhora em relação a janeiro, 22%) e 34% ficaram em equilíbrio.

Aquela comida simples, mas bem saborosa que pela beleza já é possível comer com os olhos. E como principal característica: não precisar comer com talher, apenas com as mãos. As comidas de boteco fazem sucesso em Goiás pelo sabor e praticidade e embora tenha passado por altos e baixos na pandemia agora a expectativa é que o setor de bares e restaurantes movimente no Estado mais de R$ 7 bilhões em 2022.

Criado em 1986 como um negócio de família, o Bar do Chicão passou de pai para filho colecionando boas memórias gastronômicas. O atual proprietário do boteco, Ronaldo Gladiston Viana tinha apenas 1 mês de vida quando seu pai,  Francisco de Assis Viana, começou  a trabalhar com o boteco.

“Foi meu avô que construiu o bar e deu para o meu pai começar o negócio.Eu desde pequeno comecei a trabalhar no meio, de início sem querer mas depois tomei gosto. Minha mãe sempre me ajudou e depois que eu me casei, a minha esposa começou a ajudar também”, relembra.

O bar atende atualmente a faixa de 3 mil clientes por mês e já foi premiado duas vezes no concurso Comida di Buteco e isso favoreceu o aumento no número de clientes. “Foi muito importante para o crescimento do bar, abriu um monte de possibilidades. Já crescemos muito e estamos fazendo uma reforma no momento para conseguir atender da melhor forma possível nosso cliente”. O bar emprega atualmente 12 funcionários além de Ronaldo, a mãe e a esposa que também colocam a “mão na massa”. 

Durante a pandemia, a família Viana pensou que não iria conseguir lidar com o negócio em meio a pandemia. “Foi muito difícil mas começamos a fazer marmita, chamamos nossos funcionários, pegamos um empréstimo e acertamos com todos. Ficou só nós aqui de casa trabalhando de início, mas com o tempo foi tudo se ajeitando. Conseguimos contratar todos novamente e  também pessoas novas”, conta orgulhoso das conquistas. 

Sirlei Cipriano Camargo é proprietário do Camargos Chopp, ele trabalha com botecos há cerca de 22 anos. Sirley afirma que foram mais de duas décadas se dedicando a fazer o que ama. “É uma história de muita dedicação e amor com o boteco, é muito prazeroso pra mim.

Ter recebido o prêmio foi muito importante, melhorou muito nosso crescimento”, conta o dono que também já foi premiado duas vezes.

No boteco do Sirley, 14 pessoas estão empregadas e o estabelecimento recebe cerca de seis mil clientes mensalmente. “Durante o período da pandemia foi muito complicado,tivemos de adaptar e investir em Delivery, porém não demitimos nenhum funcionário”. 

O Boteco do Filhote também é premiado pelo concurso Comida di Buteco na edição de 2019. Ele existe desde de março de 2015 e tem como proprietários Darli Mesquita de Sá e Mário Rodrigues Gonçalves. Eles começaram de baixo em uma pequena sala no Jardim América e depois mudamos para o Parque Trindade, local que permanece até hoje. O segredo para conseguir manter os negócios apesar da dificuldade é ter amor pelo que faz.

“O boteco nasceu da nossa paixão por comida boa, especialmente por peixes. Antes íamos longe pra comer um bom peixe, daí pensamos, por que não abrir um bar especializado em peixes? Graças a Deus está dando certo, apesar das dificuldades que passamos nesse período de pandemia, conseguimos superar e permanecer abertos ao público”, relembra Darli Mesquita.

Segundo ela, a premiação foi apenas o resultado de muita dedicação que  ajudou a “mostrar a qualidade dos nossos pratos e como trabalhamos com alegria”. Eles têm um quadro fixo de cinco funcionários e outros quatro extras para trabalhar nos feriados e finais de semana. Darli garante que tem clientes fiéis. 

“Temos uma boa média de clientes fiéis, que acabam se tornando amigos e frequentemente vão comer e muitos clientes que vão de longe devido a repercussão do concurso. Atendemos em média 3 mil pessoas por mês”, fala com orgulho. 

Darli conta que não foi fácil manter o ritmo na pandemia e que a solução para lidar com o problema permanece até hoje para facilitar  as entregas. “Durante o período da pandemia,  ficamos somente no delivery, uma modalidade que não trabalhávamos antes, e deu tão certo que hoje é parte essencial do faturamento do bar”, conclui. 

Expectativa de crescimento

Segundo informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Goiás), a estimativa é que o setor de bares e restaurantes movimente no Estado em mais de R$ 7 bilhões em 2022. Investimentos têm sido feitos pelos proprietários de estabelecimentos em estrutura, criação de novos postos de trabalho e ampliação de horário de funcionamento, informa a associação. 

Os dados da Abrasel Goiás revelam que somente em Goiânia, o segmento é responsável por empregar mais de 50 mil trabalhadores. São 20 mil bares e restaurantes em Goiás, sendo 17 mil empresas do setor na região metropolitana do Estado. O presidente da Abrasel, Danilo Ramos, conta que mesmo com o fechamento de algumas empresas por causa de efeitos pós pandemia a expectativa é boa. “Só na cidade de Goiânia mais de mil empresas do ramo tiveram que fechar as portas. Mas, mesmo  estando em dificuldade, elas estão retomando as atividades”. 

O presidente destaca que com o aumento da matéria prima básica para a fabricação de comida de boteco é necessário cautela nesse momento. “A inflação está praticamente generalizada para o setor de alimentos e gás de cozinha. O aumento está fazendo com que as empresas não tenham rentabilidade para pagar seus passivos”. Ele destaca que dívidas acumuladas por causa dos fechamentos da pandemia são difíceis de saldar por causa do retorno financeiro que não é o mesmo, agora com itens básicos mais caros. 

Dados apontam ainda que 45% das empresas que estão no Simples Nacional – regime tributário que apresenta facilidades do ponto de vista financeiro e prático para micro e pequenos empreendimentos- estejam com parcelas atrasadas. Destas, 69% pretendem aderir ao  Programa de Reescalonamento do Pagamento de Débitos no Âmbito do Simples Nacional (Relp)

O prazo para resolver pendências é até o dia 29 de abril para. A pesquisa mostra que 19% dizem não ter como aderir ao Relp até esse prazo.

Uma das alternativas que ajudaram as empresas a não fecharem completamente as portas na pandemia foi ter aderido ao serviço de entregas, delivery. Quase quatro em cada cinco estabelecimentos consultados fazem entregas de refeições. Cerca de 35% fazem entregas ou decidiram fazer após o início da pandemia. Já 81% operam o delivery por meio de uma plataforma de entregas, como os aplicativos, combinada ou não a canais próprios, como site, telefone e WhatsApp. Entre estes, há um domínio absoluto do iFood: 94% disseram ter entregas feitas por esta plataforma

Concurso

Em Goiás, a edição de 2022 do Comida di Buteco reúne 48 estabelecimentos de Goiânia e Aparecida de Goiânia, que concorrem ao título de melhor boteco de Goiás. O concurso acontece até o próximo domingo, 8 de maio. Neste ano, o tema para elaboração dos pratos é livre e todos os petiscos, no Brasil inteiro, terão preço fixo de R$ 27,00.

O Comida di Buteco elege o ‘Melhor Buteco’ de cada circuito e não o melhor petisco. Para escolher o vencedor o público e um corpo de jurados vão aos locais participantes, votam e elegem o campeão. São levados em consideração:petisco, atendimento, higiene e temperatura da bebida. 

Em 2022, na primeira etapa do concurso (abril a maio), em cada uma das cidades participantes, os botecos pré-selecionados apresentam os petiscos criados especialmente para a competição. O petisco leva 70% do peso da nota e as demais categorias 10% cada uma. O voto do público vale 50% do peso total e dos jurados 50%. 

Na segunda etapa, em junho, uma nova comissão de jurados, escolhida especificamente para esse momento, vai visitar os campeões de cada cidade, avaliando a performance nas mesmas quatro categorias (petisco, atendimento, temperatura da bebida e higiene). Cada campeão recebe três jurados. Elege-se aí o ‘Melhor Buteco do Brasil’, que será conhecido e premiado em julho de 2022.

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