Motoristas de aplicativos de Goiânia denunciam dificuldades de manter renda e continuar trabalhando

Postado em: 11-05-2022 às 18h47
Por: Ana Bárbara Quêtto
Motoristas ouvidos pelo O Hoje relatam dificuldades financeiras em trabalhar com aplicativos | Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (10/5), viralizou nas redes sociais a imagem de um motorista de aplicativo levando dentro do carro um “mini-mercado”. A publicação gerou mais de 110 mil curtidas e mais de 4 mil compartilhamentos. Apesar do tom cômico da situação, hoje em dia é comum vermos motoristas em condições precárias de trabalho, tendo que oferecer mais que o necessário.

Danilo, de 34 anos, em entrevista ao O Hoje, disse que saiu há um mês de um dos maiores aplicativos do país, por dificuldades encontradas no método de trabalho utilizado pela empresa. “Pegava corrida de fora do aplicativo para ter um rendimento melhor. Tive que oferecer Wi-Fi dentro do carro e também oferecia meus trabalhos como técnico de informática”, disse.

“Acho injusto que a empresa não acarreta com os nossos custos e ainda ficam com 30 a 40% do nosso valor arrecadado. Eles têm a nossa localização em tempo real, se os motoristas pegam alguma corrida fora do aplicativo e eles descobrem, e bloqueiam o motorista. Nós também eramos suspensos”, reforçou Danilo.

Na última quarta-feira (4/5), representantes de uma empresa de transporte por aplicativo organizou um protesto em frente ao Congresso Nacional contra o Projeto de Lei 5587/16, que regulamenta o serviço de transporte individual. De acordo com o plano, a regulamentação (ou possível proibição) dos aplicativos de transporte seria passada para o município e Distrito Federal.

Daniel é completamente a favor do Projeto de lei. “Acho bom o município ter maior controle dos carros que rodam dentro das cidades. É injusto eu rodar com carros de outro município que não pagam os mesmos juros que eu”, explica.

No dia 16 de março deste ano (2022), um grupo de pesquisadores publicou um relatório que dá nota de 0 a 10 para as condições oferecidas para trabalhadores de aplicativos. Considerando empresas com ações no Brasil, a maior nota recebida foi 2. A Uber ficou com nota 1.

Jessiane, antiga motorista, contou para O Hoje que precisou sair do aplicativo por condições financeiras, uma vez que o dinheiro não era o suficiente. “Não compensava mais o salário”, relata.

Não é a primeira vez que as pessoas usam o Twitter para mostrar situações inusitadas dentro do Uber.

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