Compras online aumentaram na pandemia e permanece como preferência entre consumidores

Antes da pandemia a média de entregas realizadas era de 40,5%, mas por volta de 2021 o percentual já subiu para 66,1%

Postado em: 24-05-2022 às 08h25
Por: Sabrina Vilela
Antes da pandemia a média de entregas realizadas era de 40,5%, mas por volta de 2021 o percentual já subiu para 66,1% | Foto: Pedro Pinheiro

A pandemia da Covid-19 trouxe muitas mudanças de hábitos na vida das pessoas, entre elas alguns empregos passaram a se popularizar mais, como a de entregador que ganhou mais força nos últimos dois anos. Antes da pandemia a média de entregas realizadas era de 40,5%, mas por volta de 2021 o percentual já subiu para 66,1%. Esses índices são para pessoas que costumam fazer pedidos apenas uma vez por semana. Se for realizado diariamente o índice saiu de 14,2% para 22,1% segundo dados da pesquisa Consumo Online Brasil, realizada pela Agência Edelman. 

O designer para redes sociais, Nilson Schafer Neto pede pelo menos uma vez na semana entregas na casa dele. Ele faz parte da parcela de pessoas que aumentou esse hábito durante a pandemia e adotou como facilidade para o dia a dia. “Eu costumo pedir comida em geral como sanduíche, comida japonesa, pizza, ração para os animais e remédios da farmácia”, pontua. 

Ele explica que quando ele pede via aplicativo de delivery e pelo whatsapp em estabelecimentos com entregador próprio tem diferença no valor final. “Geralmente o valor da entrega é maior quando feito por aplicativo delivery, quando faço o pedido por ligação a taxa é mais baixa. Mas,o pedido vai de acordo com a necessidade, por exemplo, a comida na maioria das vezes pedimos pelo aplicativo, porém outros produtos como para os animais pedimos pelo telefone ou whatsapp”. 

Continua após a publicidade

Amanda Thainá Freitas é proprietária de uma pizzaria no Parque das Flores, região Norte de Goiânia, ela trabalha no ramo há mais de seis anos, mas está no setor há apenas quatro meses. Ela sempre optou em ter entregador próprio, mas ela tem parceria com uma empresa de delivery para entregas mais distantes, 

“Aqui na pizzaria não compensa ter apenas iFood porque a maior parte dos pedidos são feitos pelo próprio whatsapp então o nosso entregador que faz, mas no aplicativo saem pedidos de locais longe então até compensa fazer com o entregador do próprio aplicativo”, relata. 

Ela conta que ter o entregador do próprio estabelecimento é mais econômico. “A taxa de entrega vai de acordo com o local de cada pessoa, mas fica mais barato para a gente quando faz a entrega sem vínculo com o aplicativo porque sai com o frete duas vezes mais caro”.

Já a boleira Amanda Guillard está na área há quase dois anos e ela optou recentemente por ter o próprio entregador. Ela de início fazia as entregas com a mãe,mas conforme aumentou o número de clientes foi ficando mais difícil e viu a necessidade de contratar um entregador. 

“O meu público maior sempre foi pelo WhatsApp, parentes , amigos que pediam para apoiar e participo de grupos de setores que é pelo zap, mas delivery é muito bom também.O delivery acaba tendo mais gastos pela taxa que eles cobram por pedido, então prefiro o entregador particular”, conta a microempreendedora que tem o próprio entregador e o aplicativo delivery.  

Ela explica que embora o ateliê seja em um lugar bem localizado a maior parte dos clientes preferem receber o produto em casa ao invés de retirar no local. “Moro em frente um prédio, então tem bastante retirada no local, mas não se compara com as entregas, muitos preferem pagar uma taxa para entregar do que ter que sair do conforto da sua casa. Cobro 1,00 por km, para não ficar tão puxado para o cliente eu pago a metade da taxa também”, 

Após a pandemia, o foodservice também teve que se adaptar com o investimento em delivery com retirada de pedidos para a viagem | Foto: Pedro Pinheiro

Entregadores 

Após a pandemia, o foodservice também teve que se adaptar com o investimento em delivery com retirada de pedidos para a viagem e vendas pelo drive thru. Os gastos com delivery somaram R$ 40,5 bilhões em 2021, 24% a mais que em 2020.

A visitação em sites de aplicativos também teve alta, foi 2,2 bilhões, 13% a mais que no ano anterior, e o ticket médio dos consumidores foi de R$ 18,22, sendo também 10% maior. 

Felipe Marques resolveu trabalhar como entregador recentemente para complementar a renda como motorista de aplicativo. Ele faz as entregas em uma pizzaria na parte da noite e as viagens pela manhã. “Eu trabalho apenas para uma pizzaria, não faço entregas por aplicativo. Mas, pelo que já conversei com outros colegas quando o trabalho é pelo aplicativo, o rendimento financeiro é um pouco melhor”. 

Apesar de ganhar um pouco menos para trabalhar exclusivamente para um lugar ele acha mais vantajoso. “Assim eu trabalho menos, porque como as entregas são mais próximas da pizzaria eu pego menos trânsito, é mais seguro e faço mais corridas por ser próximo”, esclarece. 

Já Paulo Rodrigues trabalha como padeiro na parte da manhã e entregador a noite em uma pizzaria,para ele esse serviço é mais “um bico”, por isso trabalha apenas em um lugar. “Mesmo que eu use a minha moto compensa porque é um dinheiro extra que eu ganho”, conta. 

Compras Online

Também foi analisada a relação das pessoas com as compras online em geral. Os pontos positivos que os consumidores apontaram são: praticidade (98,3%), o controle dos gastos (89,9%) e o planejamento (87,6%). O smartphone é o aparelho mais usado para compras online (98,6%), seguido pela smart TV (83,1%), pelo notebook (81,9%) e pelo desktop (51%).

Entre as pessoas consultadas, 84,5% disseram comprar pela internet e pagar com meios digitais com frequência, 98,8% afirmaram gostar da experiência, 68,2% responderam que conhecem bem esse tipo de transação; e 31,8% reconheceram que ainda precisam aprender mais.

O programador Itallo de Oliveira Bessa faz compras online diariamente levando em consideração alimentação e itens para repor o seu estoque para o trabalho como revendedor. Ele fica de olho em promoções na internet e revende esses produtos, que na maioria das vezes é tecnológico.”Eu optei por trabalhar online no início da pandemia porque os produtos eram muito baratos se comparado com as lojas físicas e eu consigo recuperar meu dinheiro de volta”, conta. 

Ele faz as entregas pelos Correios visto que são para todo o Brasil. “Meu investimento inicial foi de R$1000 e eu tenho preferência por essa modalidade porque posso fazer meu próprio horário e ser meu próprio chefe”, finaliza. (Com informações da Agência Brasil, Especial para O Hoje). 

Veja Também