Sem punição, motobox é desrespeitado na Capital

Postado em: 03-06-2022 às 06h20
Por: Sabrina Vilela
A frota de motocicletas em Goiânia até o momento corresponde a 255.039. Já em Goiás as motocicletas somam 930.481 | Foto: Pedro Pinheiro

Os motoboxs – nome popular para área de espera – são espaços exclusivos para motocicletas localizados antes da faixa de pedestre. Instalados na Capital em outubro de 2020, a medida tem como objetivo reduzir conflitos entre motos e carros e garantir maior segurança aos motociclistas e dar agilidade na saída após a abertura dos sinais. Apesar de intuitivos, a falta de punição para motoristas e a instalação dos pictogramas (figura pintada no chão dentro da faixa representando as motocicletas) estimulam o desrespeito e coloca em risco a vida de milhares de motociclistas. 

Antenor Pinheiro, especialista em trânsito e membro da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), explica que os motoboxs foram introduzidos ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em 13 de outubro de 2020 e a vigência teve início em 13 de abril de 2021. “Mesmo antes da aprovação da lei, muitas cidades brasileiras já utilizavam a faixa de retenção para motos como sinalização experimental. Porém, nesta fase inicial não poderia ser concebida para efeito de penalidade”.

O especialista explica que a punição deve ser aplicada para descumprimento de qualquer sinalização. “Aplicar multa não é uma faculdade da autoridade de trânsito, mas uma obrigação prevista no CTB [Código de Trânsito Brasileiro]. Toda sinalização não acatada gera conduta irregular, logo, passível de penalidade do tipo multa. No caso da ‘área de espera’, se um motorista de veículo (que não seja motocicletas, motonetas e ciclomotores) parar em seu espaço delimitado, deverá ser multado nos termos do CTB. Trata-se de infração leve que gera 3 pontos na CNH e o valor de R$ 88,38”, esclarece.

Pinheiro acredita que essa é uma ótima alternativa para quem anda sob duas rodas. “O objetivo é priorizar os motociclistas na abertura do semáforo, distanciando motocicletas, motonetas e ciclomotores dos carros de passeio e os demais para evitar abalroamentos, colisões etc. Ademais, otimiza a fluidez em tempo e segurança. É preciso cada vez mais implantá-los ”.

Experiências

O empresário Áquila Freitas é motociclista desde 2001, para ele a iniciativa do motobox é ótima ideia e que ajuda a ter mais segurança e contribui para a fluidez no trânsito. Mas, apesar da medida existir há mais de um ano, ele acha que muitos usuários de motocicletas não têm o devido conhecimento. “Antes de Goiania se adaptar eu já tinha ‘motocado’ em Brasília e via sempre por lá essa novidade, então quando apareceu em Goiânia e região eu já sabia usar. Mas percebo que ainda há até motociclistas que param entre os carros, mesmo existindo o motobox e às vezes quando paro no motobox é que o motociclista vê a gente e se posiciona no motobox também. Acho que necessita de uma campanha de informação sobre o assunto”, soluciona.

Áquila afirma que é comum ver desrespeito no motobox, mas para ele isso pode ser algo que não proposital. “Acredito que assim como os motociclistas vez por outra esquecem do motobox e ficam entre os carros, acontece o mesmo com os motoristas”.

Já o fotógrafo José Caliope de Freitas Junior, que optou pela pela motocicleta há um ano e seis meses, acredito que a medida é “excelente para a agilidade dos motociclistas em geral e também para a segurança dos motociclistas pois o livro de ser esmagado quando fica entre dois carros em uma colisão traseira”.

Intuitivo

Segundo o secretário de mobilidade, Horácio Mello, o motobox é um projeto internacional com regulamentação no Brasil. “É um projeto intuitivo que não precisa nem de campanhas para ensinar porque as motocicletas já se aproximam dos semáforos naturalmente quando os veículos ficam parados. O que nós criamos e existe nas normas regulamentadas por lei é o espaço para que eles saiam com segurança, com distanciamento dos outros veículos. Isso facilita até para automóveis para não sair entre motos que causam insegurança e risco de colisão lateral”.

Sobre as multas para esse caso em específico, ainda não estão sendo aplicadas. “Não estamos multando ainda, a multa é por desatenção a sinalização posta. Aliás, multar não é a ideia, mas sim criar espaços em que as pessoas possam entender que o trânsito é um espaço de convivência urbana que precisa respeitar o espaço de cada um”, reforça o secretário. 

Segundo ele, todos os motoboxs estão sinalizados, e afirma que irá colocar em todos os pontos semafóricos gradativamente sem nenhum investimento adicional sobre isso. “Quando nós fazemos nova sinalização, seja por um recapeamento ou revitalização, a gente já coloca ali o pictograma, que o único gasto a mais é a imagem da motocicleta pintada no chão de custo mínimo”. 

Mello salienta que a secretaria tem feito várias campanhas para o motociclista, segundo ele, a prefeitura de Goiânia por meio da SMM pretende fazer uma parceria com profissionais que usam a moto profissionalmente com o objetivo de criar pontos de descanso para eles. 

Troca de carro por moto 

Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) a frota de motocicletas em Goiânia até o momento corresponde a 255.039. Já em Goiás as motocicletas somam 930.481. O Brasil vendeu 94.654 unidades de motocicletas novas no varejo, em abril deste ano. O resultado é 2,1% menor do que o registrado em março, mas 13,8% superior ao total comercializado em abril de 2021. As vendas totalizaram nos três primeiros meses do ano 382.380 unidades, o que representa 27,4% a mais do que no mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados em 12 de maio, são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

“[O aumento das vendas] é um movimento que começou com a pandemia. Muitas pessoas optaram pela motocicleta para fugir da aglomeração do transporte público e para utilizá-la como instrumento de trabalho, atuando nos serviços de entrega. Mais recentemente, há aquelas que escolheram o modal para driblar a alta constante nos preços dos combustíveis”, destacou o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

A produção da indústria de motocicletas fechou o mês de abril com 112.678 motocicletas fabricadas, o que representa uma retração de 7,8% em relação ao mesmo mês de 2021. Em comparação a março, houve queda de 17,4%. No acumulado do primeiro quadrimestre, a produção foi de 439.817 unidades, volume 22,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. (Com informações da Agência Brasil / Especial para O Hoje)

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