Festas juninas em Goiânia retomam ao presencial após dois anos de pandemia

Postado em: 04-06-2022 às 08h29
Por: Ítallo Antkiewicz
As tradicionais festas juninas são realizadas durante todo o mês de junho na Capital | Foto: Pedro Pinheiro

Com a chegada do mês de junho, muitas pessoas já ficam animadas para curtir as festas juninas, comuns nesta época do ano. As celebrações em 2022 retomam o formato presencial, depois de dois anos de pausa por conta da pandemia. Assim, não vai faltar canjica, pé de moleque, bolinhos e as inúmeras várias comidas de milho para aproveitar.

Os pratos típicos de festa junina, um dos principais atrativos da celebração, não escaparam da alta de preços vista nos últimos meses. Mesmo assim, os consumidores não dispensam bons pratos juninos à base de milho, um ingrediente indispensável, que é um dos principais produtos agrícolas brasileiros.

O milho aparece como um dos principais símbolos das festas juninas por ser matéria-prima de diversos pratos normalmente encontrados durante o evento, a exemplos de pipoca, curau, canjica, polenta, cuscuz e milho cozido, mesmo que essas receitas também sejam encontradas e produzidas ao longo do ano.

É justamente a partir do mês de junho que começa a temporada de colheita do cereal nas plantações, com trabalhos que ocorrem até agosto. Sua pluralidade na cozinha só ajuda a tomar conta de grande parte das atenções do público que costuma participar do evento anual.

As tradicionais festas juninas são realizadas durante todo o mês de junho na Capital. Clubes, igrejas, associações e empresas reúnem barracas com comidas típicas e atrações musicais. Há festas com entrada gratuita e também com ingressos que variam de R$3 a R$25.

Várias paróquias da Capital já divulgaram suas programações especiais, com missas e quermesses para os fiéis e público em geral.

Principais eventos juninos em Goiânia

Teve início no último dia 26 de maio, a Festa Social da Paróquia Santo Antônio, localizada na Av. Circular, 212, St. Pedro Ludovico, que acontecerá ainda nos dois próximos finais de semana. Apesar disso, a Festa Religiosa da paróquia começa no dia 1º e vai até o dia 13, com missas às 19h, com exceção dos sábados, que acontecem às 17h. Nos próximos fins de semana, de 2 a 5 de junho, e de 9 a 13 de junho, a igreja retoma sua programação junina, com diversas barraquinhas de comidas típicas, além de decoração temática. O ingresso para entrar custa R$3.

Mais um destaque entre as festas juninas em Goiânia, o arraiá da paróquia Apóstolo São Paulo, localizada na Av. T-7, 295, St. Oeste, acontece nos dias 3, 4 e 5 de junho (sexta a domingo), com entrada franca. O melhor é que você pode aproveitar as delícias típicas no local, ou comprar pelo Drivre-Thru. Na sexta, a programação vai das 19h às 22h, enquanto no sábado e domingo, das 17h às 22h. Sem dúvida, uma boa opção para curtir com toda a família.

Se você ainda está em busca de boas festas juninas em Goiânia para aproveitar, a Paróquia São Francisco também é alternativa. A trezena de Santo Antônio acontece a partir da última terça-feira (31), na sede da igreja, localizada na 9ª Avenida, 111, Setor Leste Universitário. A programação religiosa acontece até o dia 13, com missas às 19h. Já a programação social oferece quermesse com barraquinhas de comidas típicas, sempre após o término das missas. No dia (11) acontece o “Show Bingo” às 20h30, e no dia (12/6), haverá apresentação de quadrilhas, também a partir das 20h30.

O Arraiá das Mães Empreendedoras, será realizado no dia 12 de junho, localizado no Parque Flamboyant, Rua 15, nº 103 -157, no Jardim Goiás, terá cardápio junino, brincadeiras e sorteio de brindes. Os visitantes poderão adquirir roupas, calçados, acessórios, objetos de decoração, arranjos florais, cosméticos e outros produtos.

Entre as festas juninas em Goiânia, o Arraiá Bom Pastor é um dos mais esperados. Realizado na paróquia do Jardim Guanabara, localizada na R. Porto Alegre, Jardim Guanabara, tem previsão para acontecer no dia 23 de junho, a partir das 20h.

Variação nos preços de alimentos juninos

Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o valor médio dos ingredientes mais utilizados na data junina acumula alta de 16% em um ano, o dobro da inflação do período (7,98%).

Milho esteve entre os alimentos com maiores reajustes de preços | Foto: Pedro Pinheiro

Os principais reajustes nos produtos procurados pelos consumidores ficaram com o milho branco para mingau (57,24%), arroz (52,45%) milho branco para pipoca (39,72%), carne bovina (34,4%) azeite de dendê (29,10%), açúcar refinado (29,04%) e da linguiça (27,74%). Com isso, vendedoras desses pratos regionais precisaram ajustar os preços no cardápio, especialmente dos mingaus e comidas acompanhadas de arroz. Entre os itens analisados, apenas a maçã e a batata-inglesa sofreram um recuo nos preços, de 1,57% e 14,54%, respectivamente.

O economista da FGV Matheus Peçanha explica que o aumento do volume de exportações para a Ásia durante a pandemia reduziu a oferta de carne no mercado interno. “A crise hídrica vivenciada pelo Brasil interfere no plantio de cereais e leguminosas como soja, milho e amendoim, o que também pressiona os preços de alimentos consumidos nos festejos juninos”, afirma.

Peçanha ressalta que com a estiagem nos principais pontos de plantio dos cereais e leguminosas, a produção de soja, milho, arroz e amendoim ficaram impactadas. “Isso refletiu no aumento de preços desses produtos in natura, bem como das carnes, que usam milho e soja como ração. Muitos desses produtos não têm substituto”, pontua.

Segundo o economista, essas taxas dependem de condições de safra que, nos últimos meses, não foram muito favoráveis, o que acabou possibilitando essa variação em 12 meses. “Não quer dizer que seja uma situação permanente porque, como são lavouras curtas, a oferta se restabelece rapidamente e os preços tendem a devolver toda essa gordura, todo esse aumento acumulado nos últimos meses. O ponto principal é que esses aumentos não são duradouros”, explica.

Câmbio

Outros itens componentes da cesta, principalmente os derivados do trigo, soja e milho, tiveram aumentos mais fortes porque, no ano passado, ocorreu uma desvalorização cambial maior.

O economista Marcelo Daher pontua que este ano o câmbio anda estável, devolvendo um pouco da valorização nos últimos dias. “O acumulado em 12 meses ainda fica pressionado. Como os preços das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) são negociados em bolsa, em especial milho e trigo, os preços dos derivados subiram muito, apresentando aumentos de dois dígitos. Isso tende a inflar também um pouco a variação média da cesta feita para esse período do ano”, afirma.

Daher pontua que entre os alimentos in natura, como batata-inglesa e couve, não há tendência de que a alta perdure por muitos meses. “A gente está vendo na coleta de preços do segundo trimestre uma desaceleração muito forte nessas famílias ‘in natura’ e ela deve durar, pelo menos, até o final de julho, início do terceiro trimestre”, explica.

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