Berço de Goiânia, Campininha das Flores mantém seu charme há 212 anos

Aniversário do bairro é comemorado no dia 08 de julho por ser a provável data da chegada dos desbravadores dos estados de Minas Gerais e Goiás na região

Postado em: 09-07-2022 às 08h33
Por: Redação
Aniversário do bairro é comemorado no dia 08 de julho por ser a provável data da chegada dos desbravadores dos estados de Minas Gerais e Goiás na região | Foto: Reprodução

Maria Paula Borges / Lorenzo Borges / Raphael Bezerra

A chegada de mineradores em 1810 deu origem ao primeiro município de Goiás. A cidade de Campininha das Flores se transformou em Campinas e foi incorporada no município de Goiânia durante a construção da capital por Pedro Ludovico Teixeira. Até 1907, Campinas era denominada como Vila, passando, apenas em 1914, a ser elevada a condição de município.

O setor se destaca pelo seu acervo histórico entre casas, casarões e prédios que acompanham o desenvolvimento do Estado. Seu legado comercial forte atrai clientes de todas as regiões do país.  Para Goiânia, o bairro incorporado à cidade não representa apenas a memória. Ele, na verdade, faz parte da história.

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Biblioteca Municipal Cora Coralina na Avenida 24 de Outubro

Ao abrir mão da sua autonomia de sede municipal para integrar o projeto de desenvolvimento político e econômico do Estado em 1935, Campininha ficou conhecida como a mãe de Goiânia, conforme explica Horieste Gomes, professor aposentado de história da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e autor de livros sobre Campinas. 

O bairro cresceu muito com o tempo. As indústrias de base que contavam com serralheria, marcenaria, metalúrgica, cerâmica e olarias deram espaço para o imponente comércio atacadista e varejista.

Na análise de Horieste Gomes, entre 1930 e 1950, a Campininha era tranquila e acolhedora e estava dentro dos padrões de sustentabilidade. As décadas seguintes, entre 1950 a 1970, marcaram o início acelerado do processo especulativo de loteamento e do rompimento com o projeto arquitetônico de Goiânia. A partir dos anos de 1970 há o início da expansão verticalizada e continua a expansão horizontal.

212 anos de Campinas

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A data escolhida para comemorar o aniversário de Campinas é devido a provável chegada dos desbravadores ao marco zero da fundação do antigo arraial, em 1810, que foi transformado em um município goiano. A então cidade de Campinas foi incorporada como bairro de Goiânia durante a construção da capital por Pedro Ludovico Teixeira. 

Historicamente, mineradores chegaram à Campinas para garimpar ouro às margens do ribeirão Anicuns, mas, ao não encontrar, começaram o povoamento da região na atual Vila Santa Helena. Em 1853, a povoação aumentou ainda mais para a freguesia, passando a fazer parte da antigamente chamada Vila de Bonfim, que atualmente leva o nome de Silvânia. Até 1907, Campinas era denominada como Vila, passando, apenas em 1914, a ser elevada a condição de município. O comércio local é concentrado principalmente nas avenidas 24 de Outubro, Anhanguera e adjacentes. 

Em novembro de 1935, Campinas deixou de ser município para virar bairro da capital, fato que, segundo o jornalista Iuri Godinho, não aconteceu em quase nenhuma outra cidade. O jornalista afirma também que o antigo município era um local plano e por esse motivo a capital veio para cá, além de ter água.

Moderna 

nstituto de Educação em Artes Professor Gustav Ritter

“Quando Goiânia foi fundada, Campinas já tinha algumas coisas. Tinha um lugar avançadíssimo para qualquer cidade do mundo, que era um convento de padres redentoristas, que eram alemães. Eles só não tinham uma hidrelétrica própria, eles captavam energia, se eu não me engano do Cascavel. Eles faziam seu próprio vinho e sua própria cerveja, onde hoje é a Vila São José”, relata Godinho.

Além disso, ainda de acordo com o jornalista, foi o primeiro bairro identificado com o time de futebol que é o Atlético.

Godinho explica também que, apesar do comércio extenso, Campinas não pode ser considerado um polo comercial. “Campinas era uma cidade, então já tinha um comércio. Não é um polo comercial, é um bairro que tem um comércio. Campinas tem um comércio normal de roupas, móveis, de usados, de equipamentos eletrônicos e computador, de produtos para som e para festa”.

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Sobre a descaracterização, o jornalista não enxerga como algo negativo. “Campinas foi descaracterizada com o passar do tempo, mas é uma coisa normal, não é um defeito. O fato de ser descaracterizada, de ter raras casas históricas, não quer dizer que é ruim, quer dizer que é um progresso. Em toda Goiânia tem casas que foram destruídas e vão continuar destruindo. Então é um progresso”, diz.

Outra curiosidade apontada por Godinho, a rua Ademar Ferrugem leva o nome do primeiro goiano, que era residente de Campinas, que morreu na Segunda Guerra Mundial, em combate na Itália, entretanto, o jornalista afirma que o nome correto seria Aldemar Ferrugem. 

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