Investimento em startup cai, mas fica acima do período pré-pandemia

Cenário de incertezas econômicas contribuiu para a redução significativa nos investimentos, mas o cenário não é de caos

Postado em: 19-07-2022 às 08h07
Por: Sabrina Vilela
Cenário de incertezas econômicas contribuiu para a redução significativa nos investimentos, mas o cenário não é de caos | Foto: Carlos Magno

Os investimentos em startups brasileiras sofreram um tombo de 44% no primeiro semestre do ano. Nos seis primeiros meses, o setor deixou de receber quase U$$ 3 bilhões a menos que no mesmo período do ano passado. O cenário de incertezas econômicas contribuiu para a redução significativa nos investimentos, mas o cenário não é de caos, já que as aplicações foram maiores que os primeiros semestres de 2019 e 2020, anos pré-pandemia. 

Por se tratar de investimentos de alto risco, as empresas e investidores têm dado preferência por operações em empresas com caixas mais sustentáveis em detrimento do crescimento exponencial, principal característica das startups. 

O gerente de inovação do Hub Cerrado, Carlos Magno, explica que a redução nos investimento culminaram nas demissões em massa por startups como Ebanx, Facility, Olist e QuintoAndar. Apesar da instabilidade, o mercado segue aberto e com muitas oportunidades para quem quer empreender e trabalhar.

Continua após a publicidade

Magno explica que o crescimento e expansão das startups são garantidos por fundos de investimento. “Com os juros elevados no último ano, é natural que, agora, os investidores busquem ativos que ofereçam menor risco”. Essa cautela dos investidores demanda um projeto bem estruturado para furar a desconfiança. Contar com uma equipe capaz de desenvolver soluções para problemas corriqueiros e capacidade de crescimento saudável é fundamental, explica.

Desde 2020, muitas startups apresentaram crescimento elevado e houveram muitas contratações. “O Brasil ganhou 10 unicórnios – empresas que atingiram US$ 1 bilhão de valor de mercado – apenas em 2021. O mercado está se reajustando e isso é muito normal no mundo dos negócios. Há vários indicadores que apontam que precisaremos de muitos profissionais no mercado digital nos próximos anos. Apesar da turbulência, não há motivo para pânico”, tranquiliza.

Desafios para o investidor

O advogado, especialista em direito empresarial, tecnologia e startups, Rafael Pinto, argumenta que as startups em fase inicial são ainda maiores. Por esse motivo, investimentos em startups early stage geralmente são feitos via contratos. “Basicamente, é uma forma de empréstimo financeiro, mas com a possibilidade do investidor escolher se e quando quer converter o empréstimo em participação societária”, pontua.

Pinto argumenta que o cenário de crescimento é reflexo do amadurecimento do mercado e que o ano de 2021 foi determinante para a consolidação das operações. “Conforme dados da Anjos do Brasil, em 2021 os investimentos anjo retomaram o patamar de R$ 1 bilhão investidos. O aumento em relação a 2020 é de 17% e representa a recuperação dos níveis pré-pandemia”.

Crescimento foi experimentado mesmo durante a pandemia

A pandemia não foi um empecilho para o crescimento da startup de Rômulo Prudente Filho que, operando totalmente em home office, viu o faturamento dobrar. “Devido ao novo cenário colocado pelas restrições da pandemia, nossos possíveis clientes (indústrias com vendas indiretas) resolveram antecipar sua transformação digital e começaram a demandar soluções como as nossas, mas o mercado não tem muitos fornecedores prontos e com a qualidade que temos, assim estamos crescendo muito”, conta. 

Mesmo com os pontos positivos, ele afirma que passa por dificuldades no mercado, especialmente para se conectar com indústrias tradicionais. A ‘Implanta’ atua como solução para crises logísticas e desabastecimentos que empresas tradicionais passaram e estão passando como reflexo da pandemia.

Os planos de Rômulo para a empresa é aprimorar processos e implantar outro nível de gestão, que seja aderente ao novo tamanho e as expectativas de clientes novos. “Estamos em franco processo de internacionalização e participamos de um programa do Governo de Goiás chamado Inova Export que deve nos preparar para uma internacionalização madura. Também estamos tentando nos aproximar do CEIA da UFG para aprimorar nossos projetos de Inteligência Artificial”.

Mercado atrativo

Cynara Bahia começou seu investimento na Total Energy em 2016 com apenas dois sócios e cada um trabalhando em seu próprio computador. Hoje está na área de tecnologia voltada para varejo de perecíveis.“É bom porque traz um diferencial, é possível abrir rápido o mercado e com poucos recursos”. Incentivos fornecidos pelo Sebrae Goiás e iniciativas do governo federal e estadual como “Conecta Startup Brasil – com seminários, cursos, bolsas do CNPQ -, Programa sem telha” e vários outros a ajudaram a começar nesta empreitada. 

O apoio da Universidade Estadual de Goiás (UEG) através do projeto de incubadoras foi essencial para alavancar os negócios. A startup gerencia um aplicativo para repositores e promotores de vendas conectados com gerentes e proprietários de empresas do ramo alimentício. No sistema é possível catalogar a validade dos produtos para que não haja desperdício nas gôndolas.“Quando eles são notificados da validade dos produtos eles decidem se fazem queima de estoque, vendem mais barato e qualquer outra forma para que não fique com os produtos vencidos”.

Veja Também