Justiça bloqueia avião de ‘Sheik do Bitcoin’ e clientes goianos comemoram

Prejuízos causados aos clientes ultrapassam o valor de R$ 1,5 milhão

Postado em: 20-07-2022 às 07h48
Por: Daniell Alves
Prejuízos causados aos clientes ultrapassam o valor de R$ 1,5 milhão | Foto: Reprodução

Cada vez em mais ascensão no mercado, o investimento em criptomoedas também envolve riscos que podem ser irreversíveis. São moedas virtuais criadas exclusivamente para serem usadas no mundo on-line. Atualmente, a bitcoin é a criptomoeda mais conhecida do mercado. Ela já chegou a ter uma grande valorização, sendo negociada em 20 mil dólares, mas devido a seguidas quedas, hoje ela vale cerca de 8 mil dólares.

Em Goiânia, clientes investiram nas criptomoedas e acabaram se frustrando após perderem dinheiro. Agora, tentam na Justiça reverter o caso. A advogada Dra. Jordanna Lúcia Nogueira, que está representando clientes que foram lesados na Capital, explica que a Rental Coins, uma das principais empresas envolvidas no esquema, se dizia uma espécie de corretora de criptoativos. 

“Os clientes faziam contratos, adquiriam uma quantidade de criptoativos e alugava para a empresa por um valor mensal. Como todo esquema de pirâmide financeira, a estrutura funcionou durante um tempo dando credibilidade e visibilidade para o negócio para que captassem cada vez mais clientes”.

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Contudo, a partir de janeiro deste ano, as empresas cessaram o pagamento dos aluguéis, arranjaram várias desculpas, estipulando prazos e mais prazos, além de promessas de falsas reestruturações. “Além disso, começaram a bloquear o acesso dos usuários as plataformas das demais empresas do grupo (Compralo, Orbank, Rentx), pelos quais os clientes faziam a movimentação financeira”, explica.

A empresa prometia rendimentos fixos mensais de até 13,5% sobre o valor investido, com base na alocação de criptomoedas. Envolvido no esquema, Francisley Valdevino da Silva, o Sheik dos Bitcoins, é alvo de um inquérito da Polícia Federal do Paraná acusado pelos clientes de sustar o pagamento do aluguel de criptomoedas desde outubro do ano passado.

As vítimas afirmam que Francis captou dinheiro, investiu em um ativo digital e sequestrou os recursos, devolvendo para eles uma criptomoeda falsa, chamada Mindexcoin, que não tem valor algum no mercado e não é encontrada em corretoras.

Frustração 

Desse modo, as reclamações e processos judiciais começaram a aumentar, gerando repercussão nacional. “As empresas causaram prejuízos milionários aos clientes que investiram. Tenho clientes que colocaram toda a economia de uma vida no negócio e hoje precisam viver com ajuda de familiares para se reerguerem”, informa a advogada Jordanna.

Foi o caso do empresário Pedro Henrique Cabral Rego, 25 anos, que perdeu R$ 15 mil após investir nas criptomoedas. “Conheci o mercado de Bitcoin/criptomoedas há uns 4 anos de forma bem superficial. De lá pra cá, fui estudando aos poucos e meu primeiro investimento foi na empresa Rental Coins, por confiar nas pessoas que me apresentaram o negócio. Infelizmente foi uma grande frustração”, aponta. 

Mas os planos mudaram totalmente e ele viu sua vida virar de cabeça para baixo após o ocorrido. Isto porque o valor investido seria para arcar com os custos de seu casamento, faculdade e apartamento. “Eu precisei mudar todos os meus planos pessoais pois era o dinheiro que eu usaria para ajudar nos custos do meu casamento, pagar a faculdade da minha esposa. Precisei diminuir o custo de vida e trabalhar dobrado para reverter o prejuízo”, explica. Outro cliente teve um prejuízo de quase R$ 2 milhões, mas preferiu não se expor. 

Sasha Meneghel e o marido, João Figueiredo, também tiveram prejuízo de R$ 1,2 milhão. De início, o casal investiu apenas R$ 50 mil, mas depois assinaram mais dois contratos que ultrapassavam R$ 1 milhão. Francis diz que ofereceu um acordo para o casal, porém os dois preferiram seguir as orientações dos advogados e mantiveram a ação judicial. 

Erros de gestão 

Em sua defesa, Francis nega que o aluguel de bitcoins, taxas que chegaram a 13,5% ao mês de juros, seja uma pirâmide disfarçada. “Pensam que é pirâmide, que é golpe. As pessoas, desesperadas, acham que perderam o dinheiro. Não sonego imposto. Disseram que até tomaram o meu passaporte, mas ele continua comigo”, informa.

Segundo ele, os problemas de seu grupo empresarial, do qual a Rental faz parte, tiveram início no último ano e somente, em maio deste ano, teria tomado conhecimento da gravidade. Francis afirma que tudo isso ocorreu por “erros de gestão”. Ele explica que delegou a gestão do aluguel de bitcoins a terceiros, para cuidar de outros ramos de atuação do grupo, sem saber das taxas de juros oferecidas aos clientes. 

Decisões na Justiça 

Até o momento, de acordo com a advogada Jordanna, os juízes têm concedido a liminar de arresto cautelar nas contas das empresas para o bloqueio de valores em dinheiro. No entanto, as empresas já esvaziaram as contas e todos os bloqueios vieram com um retorno negativo.

“No último dia 18, em um processo meu, o juiz deferiu também a consulta e o bloqueio de veículos, incluindo a pessoa física do cabeça de todo o esquema, o Sr. Francisley Valdevino. Além disso, foi deferido também o bloqueio de transferência da aeronave CESSNA AIRCRAFT – modelo: 680, nº de série 680-0184 e PREFIXO: PP-BST, de propriedade da Ré ITX ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, como medida cautelar”, aponta.

Os processos ainda estão em fase inicial, de citação e abertura de prazo para que as empresas apresentem a defesa. Nesta semana, ocorre uma audiência em dos processos para saber se haverá proposta de acordo por parte das empresas.

Como funciona a locação de criptomoedas

A Braiscompany, empresa de Campina Grande e maior gestora de ativos digitais da América Latina, foi a primeira empresa no Brasil a trabalhar com a locação de ativos digitais. De acordo com Fabrícia Ais, presidente do Conselho Administrativo da Braiscompany, a locação de cripto funciona de forma bem parecida com a locação de um imóvel.

“Para fazer um contrato de locação é bem simples, a pessoa interessada em ser cliente dessa modalidade de negócio precisa ter ou comprar um valor mínimo em ativo digital (como o bitcoin, por exemplo). A partir daí ela assina o contrato de locação e passa a custódia desse ativo para a empresa por um período, que no nosso caso, o tempo mínimo de contrato é de um 12 meses”, explica Fabrícia.

O aluguel referente à locação do ativo é variável e atrai aquelas pessoas que estão acostumadas aos mercados financeiros mais tradicionais, que garantem retornos de maneira conservadora. No entanto, quando se trata de criptomoedas, essa taxa de locação está completamente dentro dos padrões, como explica a trader especialista em criptoativos, Aline Costa.

“O mercado de ativos digitais é muito rentável, um dos principais pontos que contribui para isso é que ele funciona diariamente, 24 horas por dia e 7 dias por semana, sendo assim, nós conseguimos aproveitar as oportunidades em qualquer momento, dia de semana, final de semana e feriado”. 

Ainda de acordo com a especialista, as criptomoedas possuem volatilidade e liquidez muito altas, especialmente nos principais ativos. “E devido a essa alta volatilidade, é comum operações com 10%, 20%, 30% de ganhos ou mais. Assim, o trader, com uma boa gestão, consegue ter altos ganhos nas suas operações”, explica Aline. Segundo ela, a locação de criptomoedas é uma ótima oportunidade para quem quer comprar criptomoedas, mas ainda não sabe como operar no mercado e ter lucros.

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