Goianos apostam em vida mais saudável na pandemia

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) um ano antes da pandemia, mostrava que cerca de 20% das pessoas com mais de 18 anos estavam obesas

Postado em: 01-08-2022 às 07h42
Por: Sabrina Vilela
Nutricionista, Karla Cristina de Almeida destaca que o crescimento na procura por especialistas em alimentação foi de 80% no período pós pandemia| Foto: Sabrina Vilela

Ao longo dos anos, os números de doenças associadas à falta de hábitos saudáveis como diabetes, hipertensão, obesidade e várias outras aumentaram. No entanto, nos últimos dois anos foi possível observar um comportamento diferente com relação a estilo de vida mais saudáveis como a prática de exercícios físicos e alimentação balanceada. Uma pesquisa realizada em um laboratório privado em maio de 2021, constatou que alimentar-se de maneira saudável (52%), envelhecer com disposição (41%), dormir bem (40%), não depender de remédios (37%) e estar com a imunidade alta (37%) foram destaque na lista de prioridade dos brasileiros. Para  o levantamento foram ouvidas 2 mil pessoas com idades acima de 25 anos em todo o Brasil. 

Um ano antes da pandemia, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) indicava que cerca de 20% das pessoas acima de 18 anos estavam obesas. Com a chegada da Covid-19 esses números ficaram ainda mais preocupantes . Outra pesquisa do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universidade de São Paulo (USP), indicou que houve aumento de peso na maioria das pessoas, de pelo menos 2 quilos. Para a amostragem foram entrevistadas 14.259 pessoas que aumentaram o peso em média de 19,7%.

Com a busca de um estilo de vida mais saudável as pessoas poderiam mudar completamente a realidade da expectativa de vida da população. Empresária Kely Costa Cabral Xavier,36, explica que passou por várias tentativas no decorrer dos anos para mudar os hábitos alimentares e a rotina de exercícios. Teve muitas idas e vindas até que em 2020, na pandemia, conseguiu ajustar a rotina alimentar e realmente ter resultados.

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Motivação e desafios

O que motivou Kely foi a saúde, pois já estava sofrendo há um tempo com intolerância à frutose e sabia que precisava mudar seus hábitos para amenizar os sintomas. “É claro que quando a estética começa a melhorar isso vai motivando a manter”. Ela teve que fazer adaptações, como ingerir quantidades mais calculadas de alimento, tirar da rotina alimentar açúcares, gordurosos ou ultraprocessados. E mesmo em casa, ela manteve atividade física.

“Busquei informações de profissionais sérios e não restritivos nas redes sociais e fiz um curso para leigos com um deles”. O maior desafio encontrado pela empresária foi manter a rotina de atividade física em casa durante a pandemia. Antes desse período ela já fazia natação, tinha feito pilates e estava começando a fazer musculação. Ela teve que contratar um personal para fazer o acompanhamento dela e do marido em casa durante os exercícios. 

Atualmente, Kely aproveita para dar dicas de alimentação saudável em suas redes sociais. “Hoje uso para incentivar pessoas que, assim como eu, estão tentando ter uma vida saudável. Mas as informações controversas e a ideia de que precisam deixar de comer arroz, pão ou outra coisa que gostam, desanimam a manter um plano mais saudável”. O objetivo de Kely é ganhar mais massa magra e manter a saúde. 

Na saúde e no emagrecimento

A dona de casa, Aline Raquel Miranda,40, e o empresário Áquila Freitas,42, resolveram adotar um estilo de vida mais saudável juntos ao perceberem que estavam ficando acima do peso. Áquila começou primeiro em outubro de 2020 por causa do sobrepeso que acarretou enxaqueca e refluxo. Já Aline começou em setembro de 2021 devido a sua autoestima que estava afetada. “Ao longo dos últimos anos fui engordando aos poucos e com a pandemia as coisas pioraram pois engordei ainda mais. Cheguei a ficar até sem roupas, todas muito apertadas”, relembra. 

Para se sentirem mais motivados a se exercitarem eles resolveram investir em algo que fosse prazeroso para os dois, que é andar de bicicleta. Com o tempo eles contrataram um personal para treinarem em casa. A maior dificuldade que o casal teve foi a mudança de alimentação. Raquel conta que agora tem que ir ao mercado toda semana para comprar legumes e frutas, além de ter que levantar mais cedo para conseguir treinar junto com o marido. 

Para se alimentar melhor, Raquel e Áquila  baixaram um aplicativo gratuito no celular para lançar os alimentos que comem durante o dia a fim de controlar a quantidade de calorias ingeridas. Eles também fazem o uso de balança para pesar os alimentos antes de consumir. “Reduzimos a quantidade de alimentos e optamos por comer coisas saudáveis a maior parte do nosso tempo, como frutas, pães integrais, ovos, legumes, verduras. Também reduzimos consideravelmente o uso do açúcar e o consumo de refrigerantes”.

Raquel conseguiu atingir um peso considerado saudável, mas ainda pretende perder mais 5kg. Já o marido dela atingiu o peso desejado e considerado saudável. Agora é só equilibrar os percentuais de gordura e massa magra.

Aumento na procura por profissionais após a pandemia

Profissional de educação física e personal trainer, Divino Sousa afirma que no período pós pandemia a procura por profissionais da área foi considerável. Segundo, ele teve aumento de cerca de 30%. Porém, no auge da pandemia, os empresários da área física sofreram os impactos do isolamento social. Divino conta que a perda financeira foi em torno de 70%.

Um comportamento que aumentou foi a saída das academias para ter um personal em casa. “Por causa da pandemia veio junto algumas doenças tais como: obesidade,as doenças ligadas a comportamentos, doenças mentais e suas síndromes. Todas essas enfermidades podem ser amenizadas com a prática da atividade física correta”.  

Um perfil de cliente que costuma procurar muito o personal são empresários, e a maioria faz treino com as esposas também. Sousa afirma que a demanda aumentou porque muitas pessoas não sabem como se exercitar e muitos estavam enfrentando depressão e obesidade.  Ele ressalta que manter uma boa rotina de treinos traz muitos benefícios como a pouca ingestão de medicamentos, economizar com alimentação não saudável e gera mais felicidade. Para adotar esse tipo de prática, Divino conta qual é o segredo. “Basta você querer e ter um pouco de força de vontade,todas as pessoas precisam se exercitar para poder viver mais”.

A procura por especialistas em alimentação também registrou aumento na procura. Nutricionista, Karla Cristina de Almeida destaca o crescimento de 80% no período pós pandemia. A especialista percebeu que neste período as pessoas estavam muito preocupadas com a saúde e buscavam uma ferramenta para encontrar informações sobre nutrição com base nas necessidades que estavam enfrentando na pandemia.

Ela acredita que as redes sociais serviram de ajuda para aproximar as pessoas dos profissionais. Para que os nutricionistas pudessem dar assistência aos seus pacientes no período de isolamento, o Conselho Federal de Nutricionistas autorizou as consultas virtuais. “Essa prática se mostrou tão eficaz para nosso trabalho, que ainda hoje é muito utilizada. Atualmente, realizamos consultas tanto online, quanto presencial, e a procura por nossos serviços tem sido crescente”.

Almeida explica que apenas 30% da alimentação é definida pela genética, os outros 70% representam o estilo de vida e a alimentação saudável. Conforme elucida Karla Almeida, a alimentação correta ajuda o sistema imunológico a se manter fortalecido e o intestino saudável, melhora a qualidade do sono,  proporciona mais energia e disposição para as atividades diárias. A boa alimentação é capaz também de nutrir o corpo, pode diminuir a ansiedade e prevenir doenças.

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