Pessoas na extrema pobreza em Goiânia dobra em dois anos

Levantamento aponta que mais de 19 milhões de pessoas estão em condição de pobreza nas metrópoles brasileiras

Postado em: 13-08-2022 às 07h39
Por: Maria Paula Borges
Os indicadores tiveram um aumento significativo em 2021 devido a interrupção do auxílio emergencial no primeiro trimestre | Foto: Reprodução

A 9ª edição do Boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido em parceria pelo Observatório das Metrópoles, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e a Rede de Observatórios da Dívida Social da América Latina (RedODSAL), aponta que mais de 19 milhões de pessoas estão em condição de pobreza nas metrópoles brasileiras. Além disso, o levantamento apresenta que mais de 5 milhões estão abaixo da linha de extrema pobreza.

Segundo um dos coordenadores do estudo e professor da PUC-RS, André Salata, o aumento da pobreza e extrema pobreza já vem acontecendo há alguns anos, mas o maior salto observado foi entre 2019 e 2021. “Passando por 2020, que é um período interessante porque está no meio da crise e ainda assim tem uma melhora em alguns indicadores, em função daquele Auxílio Emergencial de R$ 600 para mais de 65 milhões de famílias durante a pandemia da Covid-19”, explica Salata. 

Os indicadores tiveram um aumento significativo em 2021 devido a interrupção do auxílio no primeiro trimestre e a redução da cobertura e do valor do benefício, de acordo com o professor. “A explicação é o que vinha acontecendo com a renda do trabalho, mas junto com isso teve a decisão do governo de interromper por três meses o pagamento do auxílio, em 2021. Isso foi gravíssimo e fez a pobreza explodir”, ressalta.

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O pesquisador do Observatório e professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), Marcelo Ribeiro, afirma que houve perda na renda real. “A população passou a ganhar 300 reais, em termos de valor nominal, mas com uma renda real bem inferior ao que era no auge do recebimento dos 600 reais”, explica. 

Apesar de pessoas de menor renda terem retornado ao mercado de trabalho em 2020, ainda não foi suficiente para recuperar a renda que haviam tido no período antes da pandemia. Segundo Salata, a decisão do governo de interromper o auxílio foi equivocada. “Dada essa decisão do governo, bastante equivocada, de interromper o auxílio, percebemos esse salto muito grande na taxa de pobreza e extrema pobreza. Claramente, está muito relacionado com a decisão do governo de interromper e reduzir o Auxílio Emergencial”.

Situação em Goiânia

Em Goiânia, alguns índices diminuíram, outros se recuperaram e houve aqueles que sofreram aumento. O coeficiente de Gini, que quanto maior o valor, maiores são as desigualdades de rendimentos, por exemplo, passou de 0,506 (2019) para 0,500 (2021). No Brasil, o número saltou de 0,541 (2019) para 0,544 (2021). 

Em termos de média de rendimento, em Goiânia houve queda de 1.933 (2019) para 1.450 (2021), no geral. Já no que se refere a média dos 40% mais pobres, a queda foi de 600,4 (2019) para 440,2 (2021). 

A razão de rendimento na capital goiana entre os 10% do topo e os 40% da base da distribuição se manteve em 13%, tanto em 2019 quanto em 2021, passando para 9,8% em 2020. Entretanto, a porcentagem de pessoas em situação de pobreza aumentou, passando de 11,1% (2019) para 20,1%, enquanto pessoas em situação de extrema pobreza passaram de 1,8% para 4,1%. 

Em números absolutos, a quantidade de pessoas em situação de pobreza observada foi de 289.513 (2019) para 538.716 (2021). Já pessoas em situação de extrema pobreza foram de 47.445 (2019) para 111.299 (2021).

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