Motoristas denunciam que postos subiram preços antes da redução

Na última semana, a Petrobras cortou em R$ 0,22 o preço do litro do diesel, o que significa queda de 3,5%

Postado em: 19-08-2022 às 07h39
Por: Sabrina Vilela
O consumidor que sentir que o posto não estiver de acordo com aquilo é praticado pode entrar em contato com o Procon | Foto: Wagner Pereira

A Petrobras anunciou no início da semana a redução de 4,85% no preço da gasolina vendida nas refinarias. Na prática, o preço passaria de R$ 3,71 para R$ 3,53 no litro do combustível. Sobre a redução do valor, a estatal afirmou que “é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

Esse é o terceiro reajuste da gasolina no ano. O mais recente ocorreu em julho. Na última semana, a estatal cortou em R$ 0,22 o preço do litro do diesel, o que significa queda de 3,5%. Mas, essa não é a realidade presenciada por motoristas ao longo dessa semana. 

A denúncia feita pela maioria dos motoristas é de que os preços de algumas bombas aumentaram e em seguida deram a redução sugerida pela Petrobras ou então um valor acima do que estava anteriormente. Juliano Kécio Veras é motorista de aplicativo desde 2019 e afirma que sentiu que em determinados postos aumentaram o preço para diminuir em seguida. “Essa situação interfere diretamente porque precisamos de combustível para rodar”. Essa semana o preço mais barato que ele encontrou foi R$4,39, mas a média está de R$5,27. Para conseguir economizar o motorista não deixa passar oportunidades, se ele está em uma corrida e observar que tem um lugar mais barato ele aproveita para abastecer. 

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Foto: Wagner Pereira

Com Chicão Driver – como é chamado –  não é diferente. Para economizar ele está usando mais o etanol, que também foi observado alta mas está mais acessível. “O meu carro é mais econômico, por isso o etanol está durando mais, mas está mais caro também”. Chicão é motorista de três transportes por aplicativos e gasta em média R$700 com combustível por semana. 

Ele salienta que as fiscalizações em postos devem ser mais efetivas para ajudar o consumidor. “Já liguei para fazer denúncias com relação aos abusos em postos, mas me disseram que comparecerem após 30 dias para verificar”. Ele é motorista por aplicativo desde fevereiro de 2018 e uma forma de economizar é usar uma bandeira específica. “Não sou de aproveitar promoções, porque eu percebo que o combustível não rende”. 

Motorista de aplicativo há mais de 2 anos, José Carlos Filho afirma que no início da semana o combustível estava mais barato, contudo teve um aumento expressivo recentemente. Ele começou a trabalhar na área em janeiro de 2020, dois meses depois a pandemia mudou muita coisa com relação ao seu negócio. “Desde que começou a pandemia a situação por conta dos combustíveis está difícil. Estou pensando em sair da Uber porque não está compensando”. José Carlos gasta diariamente R$170 em gasolina. 

Oscilação de preços é normal 

Presidente do Sindiposto, Márcio Andrade não acredita que houve um aumento no preço dos combustíveis em postos para em seguida baixar. “Muitos postos fazem promoções, baixam seus preços, e depois voltam para a margem normal de venda. Essa oscilação acontece constantemente no mercado durante todo o ano. Essa oscilação de preços é natural não apenas dos postos, mas de comércios no geral , eles mudam de acordo com as promoções feitas”, detalha. 

O presidente explica que os preços no mercado de combustível são livres em toda cadeia, existe uma liberdade na prática de preços . “Então, o empresário tanto da refinaria quanto da distribuidora e postos podem definir os preços a serem praticados e isso é dinâmico no mercado. A qualquer momento ele pode aumentar, baixar”.

Ele esclarece ainda que é levado em conta pela Petrobras para aumentar ou diminuir os preços são os valores do mercado internacional, ou seja, é vista a cotação do combustível e do petróleo no mercado internacional para fazer a definição do preço usando essa referência no Brasil. Então, as reduções das últimas semanas aconteceram porque o preço do petróleo e o dólar baixaram seus valores. 

Fiscalização

O Procon é responsável por vistorias de prováveis abusos em situações que podem comprometer o consumidor. Muitas denúncias foram realizadas em Goiânia devido a alta em combustíveis conforme afirma o presidente do Procon Goiânia, Júnior Café. Ele afirma que são realizadas ações cotidianamente tanto em combustíveis como de outros locais. 

“Fizemos várias operações junto com o Inmetro e a ANP, fomos em vários postos e foram verificados em vários locais a questão da precificação , produtos impróprios, medidas, bomba baixa. Tudo referente a prestação de serviço e o que é oferecido pelo consumidor foi verificado”. 

Os locais em que o Procon identificou irregularidades, em conjunto com o Inmetro e ANP foram autuados e o processo irá correr para que façam as defesas.Já no que se refere aos valores foram pedidos nos postos cópias das notas fiscais para certificar de que aqueles valores praticados realmente está condizente com aquele percentual que ele tem que aplicar na sua venda. “O que não podemos aceitar são preços abusivos. A gente percebeu que houve uma alteração para mais dos valores, mas em sequência uma diminuição”.

O consumidor que sentir que o posto não estiver de acordo com aquilo é praticado pode entrar em contato com o Procon presencialmente ou pelo site da prefeitura na aba do Procon.

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