Vale prevê mais 13 anos para eliminar barragens como Brumadinho

O método utilizado na barragem da Vale se rompeu em Brumadinho (MG) em janeiro de 2019 e causou a morte de 270 pessoas, além de provocar devastação ambiental

Postado em: 19-08-2022 às 09h24
Por: Rodrigo Melo
O método utilizado na barragem da Vale se rompeu em Brumadinho (MG) em janeiro de 2019 e causou a morte de 270 pessoas, além de provocar devastação ambiental | Foto: Bruno Costalonga Ferrete/Zimel Press

O programa da Vale para eliminar todas as suas barragens construídas pelo método de alteamento a montante prevê a conclusão do processo até 2035. Há alguns meses, a mineradora firmou acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em pagar indenização de R$ 236 milhões por não cumprir os prazos definidos na Lei Estadual 23.291/2019, conhecida como Lei Mar de Lama Nunca Mais.

O atual cronograma, indica que 40% das estruturas estarão eliminadas ainda este ano. No entanto, em alguns casos, os processos demandarão mais tempo.

O método de alteamento a montante era utilizado na barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG) em janeiro de 2019, o que causou a morte de 270 pessoas, além de provocar devastação ambiental.

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Em 2015, outro desastre similar já havia ocorrido. Na tragédia, 19 pessoas morreram e dezenas de municípios mineiros e capixabas ao longo da bacia do Rio Doce foram afetados pela lama. Os resíduos escoaram após a ruptura de uma barragem construída com a mesma tecnologia pela mineradora Samarco, que tem como acionistas a própria Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

Programa da Vale de descaracterização

Ao todo, o programa de descaracterização, criado em 2019 após a tragédia de Brumadinho, engloba 30 estruturas, das quais nove já foram eliminadas: seis localizadas em Minas Gerais e três no Pará. As 21 restantes estão todas em cidades mineiras, sendo que em três delas o processo deverá ser concluído ainda este ano.

A Vale alega que cada estrutura é única e tem peculiaridades que devem ser levadas em conta. Por isso, em alguns casos, o processo exige mais tempo. No caso das barragens que se encontram em nível crítico, há um desafio adicional: trabalhar com equipamentos não tripulados, retirando trabalhadores da área de risco.

Segundo Frank Pereira, gerente executivo do Programa de Descaracterização da Vale, há um esforço inédito de desenvolvimento tecnológico.

“É algo que aconteceu no passado com as barragens de geração de energia. O Brasil virou uma referência no mundo. Pode ter certeza que, após Brumadinho, também seremos referência em barragem de mineração. Isso vai acontecer por causa do escrutínio, do julgamento da engenharia, da criticidade que estamos colocando em cima disso. Não só a Vale, mas a indústria de mineração como um todo”, afirma Frank.

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