Reclamações contra telemarketing ultrapassam 25 mil registros em Goiás

O Procon-GO ficou responsável pelas denúncias e afirma que os números já correspondem a 91% do total de 2021

Postado em: 22-09-2022 às 09h00
Por: Sabrina Vilela
O Procon-GO ficou responsável pelas denúncias e afirma que os números já correspondem a 91% do total de 2021. | Foto: Tânia Rego

Queixas envolvendo ligações de telemarketing já ultrapassaram a marca de 25 mil durante o período de janeiro até a primeira semana de setembro de 2022. A quantidade de denúncias e reclamações representa 91% do total recebido em 2021, que contabilizou 27.254 durante o ano todo. 

Superintendente do Procon Goiás, Levy Rafael Cornélio explica que os dados mostram que as empresas têm sido agressivas, partido para cima do consumidor e é função do órgão coibir esse tipo de prática abusiva por parte das empresas de telemarketing ativo. 

“Os problemas são intermináveis, são ligações uma atrás da outra em horários totalmente aleatórios, como por exemplo, antes das 8h da manhã e até mesmo após às 22h. São os mais diversos artifícios que essas empresas de telemarketing ativo utilizam”. 

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O superintendente orienta a efetivação de reclamações junto ao Procon, por meio do site proconweb.ssp.go.gov.br na opção ‘Não perturbe’ para que possa cadastrar até três números de titularidade do consumidor, com o mesmo CPF. Após isso as empresas terão o prazo de até 30 dias para cessar com as ligações. Se mesmo assim não interromperem as chamadas, a empresa poderá ser autuada. 

Cornélio destaca que não adianta fazer o bloqueio como se fosse a ligação de alguém, a melhor solução é cadastrar o número pessoal. “Não compensa porque hoje em dia existem os robôs que geram números aleatórios e é impossível que salve todos. Já houve casos de gente ter mais de 20 números salvos, mas não adianta porque sempre terá um novo número para te importunar com relação a isso”, explica.

Essas empresas que não cumprirem com a medida podem ser autuadas e as multas variam de R$750 até R$11 milhões de acordo com o faturamento e o potencial ofensivo que elas representam ao consumidor . “A partir de agora o Procon elevará o tom e vai passar  a autuar as empresas que não estão cumprindo as determinações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Por exemplo, foi determinado que todas as empresas de telemarketing ativo devem ter o 0303 no seu prefixo, assim o consumidor define se quer atender ou não a ligação. 

Atrapalha quem trabalha em casa

Ednalva Maria Silva, 47, trabalha de casa como costureira e costuma receber ligações de telemarketing o dia inteiro por quase todos os dias da semana. Ela conta que isso a deixa muito frustrada e é uma forma de atrapalhar o seu serviço. 

“Às vezes ligam e não falam nada e a gente fica perguntando, esperando dizer quem é e desligam. Passam 10 minutos e liga novamente. Atrapalha porque eu atendo achando que pode ser uma ligação importante, de alguém conhecido”.

A costureira afirma ter recebido várias ligações oferecendo referentes a empréstimos de bancos em que pedem para ela confirmar os dados. Segundo ela, eles ligam para confirmar se realmente a solicitação foi feita ou não. “Já reclamei no banco, mas eles falam que quando ligarem é para ignorar. Só que se ignorar eles insistem e ligam novamente. Eu acho que os bancos têm que arranjar um sistema de segurança maior para que isso não aconteça. Para não ter acesso aos nossos dados, números de telefone, RG ou CPF. Quando eles ligam já está tudo em mãos”.

Silva relata que na última semana recebeu a ligação de um banco no qual dizia que foi solicitado um pedido de empréstimo, mas ela nem sequer foi ao banco, ou ligou. “A mulher [telefonista] disse que foi feito pelo aplicativo. Então, eu falei que não tenho experiência com celular e quando eu preciso de ajuda meu filho resolve para mim”. Para ela, a situação é desgastante porque sempre pede para não retornarem a ligação, afirmam que irão colocar a observação no sistema, mas voltam a ligar no dia seguinte. 

Anatel autoriza bloqueio de chamadas feitas por robôs

Em junho de 2022 a Anatel expediu medida cautelar com duração entre junho e setembro com o objetivo de evitar ligações de telemarketing abusivas. Essas chamadas são conhecidas como robocalls, ou seja, realizadas por robôs. O disparo de chamadas com duração de até três segundos é considerado inadequado pelos serviços de telecomunicações.

A medida permitia que o usuário da linha tivesse o prazo de até 15 dias para tomar providências a fim de evitar sobrecarga na linha. Após o período estipulado, as operadores deveriam bloquear as chamadas dos usuários a fim de gerar excesso de ligações.  

Durante a primeira semana de junho a Anatel contabilizou a realização de 4,08 bilhões de chamadas curtas de um total de 6,33 bilhões. Já de 4 a 10 de setembro foram 2,31 bilhões de um total de 4,07 bilhões. A redução no prazo de três meses foi de 1,77 bilhão de chamadas curtas por semana. Esse número representa cerca de 43,38% do tráfego de chamadas desde o início da medida. 

No que se refere às chamadas curtas, houve redução de 64% na primeira semana de junho e 56% entre 4 e 10 de setembro. Os dados indicam que o período de três meses, reduziu um mês de tráfego referente a chamadas curtas das redes de telecomunicações.

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