Por falta de manutenção, buracos dominam Eixo Anhanguera

Crateras atrapalham a circulação de ônibus e elevam riscos a segurança de passageiros. Última grande reforma ocorreu em 1998

Postado em: 26-04-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Crateras atrapalham a circulação de ônibus e elevam riscos a segurança de passageiros. Última grande reforma ocorreu em 1998

Gabriel Araújo*

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A maior linha de transporte público da Grande Goiânia, o Eixo Anhanguera sofre com a falta de manutenção no asfalto que compõe o percurso dos ônibus, o que gera buracos e coloca a vida dos passageiros em risco. A linha foi inaugurada em 1976 e é o segundo corredor específico de transporte coletivo do Brasil, sendo considerado um dos primeiros modelos dos atuais Ônibus de Transporte Rápido (BRT).

Em 2011, logo após o início da concessão de 20 anos vencida pela Metrobus Transporte Coletivo S/A, foram investidos cerca de R$ 4 milhões na restauração da pista central da Avenida Anhanguera, local por onde circulam os ônibus do transporte coletivo. No período, o objetivo era substituir todo o asfalto da via, para acabar com os problemas estruturais.

De acordo com o professor de Engenharia da PUC Goiás, Jorge Rodrigues dos Santos, o asfalto da Capital sofre devido à falta de planejamento e manutenção. “O pavimento asfáltico tem uma determinada vida útil, que pode chegar a 20 anos se existir um plano de manutenção adequado e frequente. Sem a manutenção, com as chuvas frequentes e o tráfego que aumenta a cada ano, se não me engano são 7% de aumento por ano, o pavimento é mais solicitado e acaba sofrendo danos estruturais”, afirmou.

A redação do O Hoje entrou em contato com a Metrobus, empresa de economia mista que tem o Governo Estadual como maior acionista e responsável pelos serviços oferecidos no Eixo Anhanguera desde 2011, que afirmou não ser encarregada da manutenção do asfalto da via e indicou o contato com a prefeitura de Goiânia. 

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), por sua vez, afirmou que a responsabilidade sobre o local é do governo estadual. A reportagem entrou em contato com a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), que negou a responsabilidade na manutenção da massa asfáltica do local e não soube informar de quem era a obrigação.

Para o professor, os problemas começam com as fissuras no asfalto. “Nessa época de chuva a água, com a ação do tráfego, desagrega o pavimento e começam a aparecer fissuras e trincas que se tornam o que chamamos de ‘couro de jacaré’ que viram as famosas panelas. Sem uma manutenção, o que ano passado era apenas uma rachadura acaba como um grande buraco hoje, o que torna o dirigir mais perigoso já que os motoristas, ao desviarem dos buracos, podem acabar causando algum tipo de acidente”, afirmou. 

Terminais e plataformas passam por mudanças  

O Eixo Anhanguera possui 13,5 km de extensão e 43 anos desde sua implantação. São cinco terminais e 19 estações elevadas de embarque e desembarque que sustentam um sistema que transporta mais de 250 mil pessoas por dia. 

De acordo com a Metrobus, as linhas de ligação que partem dos terminais representam 35% do total da rede. Ainda segundo o órgão, dos 18 municípios que compõe Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, 15 possuem linhas que integram diretamente nos terminais do Eixo Anhanguera, tornando o sistema o mais importante da Grande Goiânia.

No último dia 23 de fevereiro, a Polícia Militar passou a ter equipes fixas nos terminais de Goiânia. A ação tem o objetivo de diminuir os índices de criminalidade nos locais que contam com uma grande movimentação de pessoas. Batizada de Embarque Seguro, a operação terá equipes obsevando à movimentação em todos os terminais da Capital e estará preparada para agir em casos de roubos e outras ocorrências. A ação teve início no Terminal Padre Pelágio, na penúltima sexta feira de fevereiro e deve continuar por tempo indeterminado.

Na última semana, o secretário de segurança pública e administração penitenciária, Irapuan Costa Júnir, anunciou que policiais estarão nos terminais e plataformas do Eixo-anhanguera em Goiânia. Para Irapuan, outra ação será a utilização de policiais à paisagem (p-2), que passarão a atuar dentro dos veículos do transporte coletivo da Capital goianiense. Totens de segurança serão instalados em vários terminais. Até o momento, 533 novas viaturas foram adquiridas pela SSP.

Para o anúncio, o governador do Estado, José Eliton, lembrou que a SSP irá mudar a forma como o boletim de ocorrência deve ser feito. A partir da mudança, os procedimentos de lavraturas de Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO) passarão a ser realizados pela policial militar já na viatura e depois ratificado pela Polícia Civil. “A expectativa com esta medida é de agilizar procedimentos, especialmente em municípios do interior onde o cidadão tem que deslocar para outra cidade para fazer registros desta natureza”, completou.

Pagamento

A partir desta semana os passageiros do transporte coletivo poderão recarregar o cartão fácil com o cartão de débito em terminais da Grande Goiânia. De acordo com a Redemob, empresa responsável pelo gerenciamento dos terminais, o objetivo é dar novas opções de pagamento aos usuários, e melhorar a segurança ao diminuir a quantidade de dinheiro em circulação durante os transportes. A recarga usando o cartão de débito pode ser feita nas máquinas de autoatendimento disponíveis nos terminais. Até a última semana somente era possível comprar crédito com dinheiro.

Além disso, o sistema permite a compra de passagens individuais na versão em papel que tem validade de um dia. A medida chega após a notícia de que o bilhete de embarque SitPass vai deixar de existir.

Violência

Em uma matéria publicada em fevereiro deste ano, O Hoje informou que cinco casos de violência foram registrados em uma semana. Somente no dia 23 de fevereiro três pessoas acabaram sendo assaltadas e esfaqueadas no transporte coletivo. Na época o Corpo de Bombeiros informou que o primeiro caso ocorreu por volta de 7h30, no Terminal das Bandeiras. Na ocasião, um homem de 36 anos teve o celular roubado e, ainda que sem reagir, foi atingido por uma facada no abdômen.

Outro caso de violência se deu na plataforma no Eixo na Rua 20 no Setor Central. Imagens de câmera de segurança mostram um sujeito tentando entrar na plataforma do Eixo pela área em que os ônibus passam. Impedido em um primeiro momento, ele retornou ao local, tirando um facão de dentro da calça e atingindo um vigilante. De outro ângulo, antes de atingi-lo, é possível ver que o homem chegou a ameaçar algumas pessoas que aguardavam para entrar no ônibus.

Ambulantes

No mês passado, a RebeMod e a Polícia Militar (PM) começaram uma operação para retirar os comerciantes ambulantes dos terminais de ônibus da Grande Goiânia. A operação visa apenas orientar e coibir a atuação dos camelos nos terminais, diminuindo a quantidade de lixo e o comércio de mercadorias de caráter duvidoso.

A RedeMob afirmou, na época, que a ação iria proporcionar mais segurança e mobilidade para a população. “Os ambulantes sujam os terminais com frequência, comercializam produtos de origem “duvidosa”, atrapalham o fluxo das pessoas e tornam o ambiente sujeito a criminalidade, facilitando a atuação de marginais, que fomentam o tráfico de drogas entre outros atos ilícitos.”, informou a nota. (Gabriel Araújo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian). 

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