Veículos apodrecem nos pátios

Donos de veículos apreendidos em operações contra embriaguez ao volante arcam com prejuízos pelas más condições que conservação oferecidos nos pátios do órgão em Abadia de Goiânia e Goianira

Postado em: 28-04-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Donos de veículos apreendidos em operações contra embriaguez ao volante arcam com prejuízos pelas más condições que conservação oferecidos nos pátios do órgão em Abadia de Goiânia e Goianira

Denise Soares*

Os carros e motos apreendidos durante as operações “Balada Responsável” do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (DETRAN-GO) por irregularidades como débitos, sobretudo licenciamentos (Art. 230), falta de manutenção (pneu careca), embriaguez ao volante, que é o foco do projeto, ou falta de habilitação, são encaminhados para os Pátios de Recolhimento, Guarda e Devolução do órgão localizados em Abadia de Goiânia e Goianira. Os espaços são amplos gramados e com brita, cercados com tela e monitorados 24 horas por dia, mas não dispõe de infraestrutura necessária para conservação da frota.

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Não há cobertura o que deixa os veículos expostos à ação do tempo e sujeitos a deterioração. Hoje, 5.389 veículos estão no pátio de Abadia de Goiânia, sendo que destes são 2.561 automóveis e 2.644 são motocicletas, 64 reboques, 29 bicicletas, seis caminhões e 85 meios de condução cotados como outros. Já no pátio de Goianira há 481 veículos, sendo 254 automóveis, 158 motocicletas, oito reboques e mais 60 outros meios de locomoção.

O prejuízo para os donos destes veículos pode chegar a níveis altos. Pois, para reaver o veículo é preciso sanar as pendências que culminaram na apreensão do veículo, além dos custos de diária do pátio, cujo valor é de R$ 2,33, e do guincho. Somado a isso, está o reparo das peças e avarias na lataria causados pelo processo de mau condicionamento. 

Após a efetivação da apreensão, o proprietário legal tem o prazo de 90 dias para procurar o Vapt Vupt do DETRAN-GO regularizar a situação portando documento pessoal; CNH do condutor que vai retirar o veículo; CRLV ou DUA de pagamento dos débitos. O veículo também pode ser retirado por pessoa jurídica ou por terceiros munidos dos documentos necessários. 

Depois desse período, o bem pode ser incluído na lista de levantamento da comissão do órgão que organiza os leilões. Quando isso ocorre o usuário tem mais um prazo para resolver o caso e retirar o veículo. Enquanto o cidadão corre para resolver a pendência, os veículos permanecem a mercê do clima, sujeitos a deterioração. 

Além dos danos ao patrimônio, o mau condicionamento traz danos à saúde da população que mora próximo a esses locais. Sem a cobertura devida os veículos podem acumular água no período de chuvas e virar criadouro do mosquito Aedes aegypt, transmissor de doenças como a dengue, zika, chikunguya e febre amarela.

Projeto

Infelizmente, o problema não é recente e não ocorre apenas no âmbito estadual. Em Goiás não existem projetos de leis, resoluções, decretos ou qualquer medida legal que garanta a melhoria da estrutura dos pátios de acomodação de veículos apreendidos para diminuir os danos a esses patrimônios. 

Segundo o DETRAN-GO, também não existe a intenção de promover esta melhoria, pois a perspectiva do órgão é dar oportunidade para os usuários resolverem as irregularidades no ato da operação em que o condutor da motocicleta ou do automóvel foi parado, bem como do comprimento do prazo para regularização e retirada do veículo dos pátios evitando os danos. 

Leilões

Até 2013, a frota capturada nas operações contra embriaguez ao volante era colocada amontoada no espaço da sede do DETRAN-GO, na Cidade Jardim, com manutenções a cada três meses e os leilões demoravam anos para ocorrer. Em julho de 2014, os veículos foram transferidos para o pátio da cidade de Abadia de Goiás, liberando cerca de 40 mil metros quadrados que passaram a ser utilizados como estacionamento de usuários. (Denise Soares, especial para O Hoje) 

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