Ponte da T-8 continua parada

Secretaria de Infraestrutura informa que o projeto de engenharia para retomada da obra foi encaminhado ao Ministério da Integração Nacional

Postado em: 30-04-2018 às 08h00
Por: Sheyla Sousa
Secretaria de Infraestrutura informa que o projeto de engenharia para retomada da obra foi encaminhado ao Ministério da Integração Nacional

Gabriel Araújo*

As obras para a construção da ponte de ligação entre os bairros Jardim América à Vila dos Alpes, na região sudeste de Goiânia, continuam paradas. A implantação de uma ponte no local visa diminuir os congestionamentos que afetam as avenidas T-9 e T-63.

Há cerca de um ano, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) informou a reportagem do O Hoje que a administração municipal irá concluir a Marginal Cascavel dentro de um cronograma que estava em elaboração pela prefeitura. Até o momento, o cronograma não foi divulgado.

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De acordo com Fabiano dos Santos, de 26 anos, que mora e trabalha na região, a última vez que houve alguma movimentação de homens trabalhando foi em janeiro deste ano. “Eles vem e começam a aterrar, param por alguns meses e voltam fazendo a mesma coisa. Nunca passara disso, por isso tem tanta terra por aí” afirmou.

A equipe do O Hoje visitou a área destinada à construção da ponte na última semana e encontrou o local vazio e sem proteção, alguns moradores começaram a jogar lixo e entulho, que vem acumulando e é um local apropriado para a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, vetor de doenças como a dengue, febre amarela e chikungunya.

Carlos Gonçalves, de 31 anos, que trabalha com Fabiano, conta que já são anos esperando a entrega da obra. “Nem lembro quando construíram aquela fundação. Agora quando chove forte sempre cai um pedaço do aterro e ainda não começaram a parte do córrego, a de concretar as laterais”, confirmo.

A redação do O Hoje entrou em contato com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) por telefone e e-mail questionando a paralisação da obra. Em resposta, o órgão afirmou que um novo projeto já foi realizado e encaminhado para o Ministério da Integração Nacional, órgão federal que viabilizará os recursos para execução final da obra.

De acordo com a nota, foram investidos R$ 7 milhões na construção de 120 metros de canalização do Córrego Cascavel, e na execução da parte de edificação da ponte. “A Seinfra está realizando o diagnostico de todas as obras paralisadas na Capital para que todas sejam retomadas e concluídas nesta administração”, completa.

Obras paradas

Goiânia possui 44 obras públicas paradas. Levantamento realizado no início deste mês constata que existem locais com mais de 90% dos trabalhos realizados, enquanto outros não saíram do papel ainda. Para a Prefeitura, 16 destas obras são consideradas prioritárias por estarem ligadas a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra).

Dentre as consideradas mais importantes estão as marginais Cascavel e Botafogo, que precisam de ampliações e obras de reparo. A ampliação da Marginal Botafogo segue atrasada, a obra deve seguir da Avenida Jamel Cecílio a Avenida 2ª Radial. Enquanto a Cascavel continua sem fluxo de veículos devido a falta de investimentos e a problemas contratuais. 

Continuação da Marginal Cascavel segue indefinida 

O projeto de construção de uma via de fluxo rápido para diminuir os congestionamentos na parte sudeste de Goiânia completa 27 anos em 2018. A Marginal Cascavel foi concebida em 1991, com a proposta da prefeitura de interligar a Avenida Rio Verde, em Aparecida de Goiânia, à Avenida Leste-Oeste, na Capital. Foi criada a expectativa de ampliara as obras ao longo dos aos de 1990, mas somente os trabalhos entre a Avenida Castelo Branco e a Avenida T-2 foram concluídos.

A obra completa teria a construção de duas pistas com 2,2 km de extensão, além da canalização do leito do Córrego Cascavel. Na última gestão, o objetivo era fazer uma ligação entre a avenida Castelo Branco e a Avenida Leste Oeste na Vila Santa Helena, a um custo estimado de R$ 40 milhões provenientes do Programa Aceleração do crescimento (PAC),do Governo Federal.

A obra foi paralisada após a divulgação da Operação Monte Carlo, que denunciou o envolvimento de políticos goianos em esquemas que visavam contratos com o Governo do Estado. Na época, a Construtora Delta teve o contrato para a obra suspenso devido ao envolvimento do empresário Carlinhos Cachoeira em pagamento de propina para que contratos fossem liberados. 

A empreiteira que executava a construção da ponte e estava ligada ao escândalo com suspeitas de que contratos foram oferecidos em troca de benefícios com o Governo Estadual.

Dengue

Com a paralisação das obras desde 2011, o local está acumulando lixo, o que aumenta as chances de proliferação do mosquito transmissor da dengue. Em Goiás

O Estado já contabilizou mais de 16 mil casos da doença este ano, o que equivale a um aumento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram cerca de 46 mil casos notificados, sendo 14 mil somente em Goiânia. A Secretaria do Estado da Saúde (SES) afirmou no boletim informativo que investiga 54 mortes e tem 11 confirmadas em Goiás.

De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue é a doença viral que mais se espalha pelo mundo atualmente. Conforme informado pelo órgão, não existem medidas de controle da doença, por essa razão o foco está no combate ao mosquito. “O controle está centrado na redução da densidade vetorial, como por exemplo, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros do mosquito.”, informou em nota.

O Instituto Oswaldo Cruz informou que os principais criadouros do mosquito, segundo pesquisas, são os grandes reservatórios, como caixas d’água, galões e tonéis, são os criadouros que mais produzem Aedes aegypti e, portanto, os mais perigosos. “Isso não significa que a população possa descuidar da atenção a pequenos reservatórios, como vasos de plantas, calhas entupidas, garrafas, lixo a céu aberto, bandejas de ar-condicionado e o poço de elevador. O Aedes aegypti coloca seus ovos, preferencialmente, nas paredes de criadouros com água limpa e parada, bem próximo à superfície da água.”, confirmou. (Gabriel Araújo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian). 

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