Sábado, 10 de junho de 2023

Jornalista denuncia Guarda Civil Metropolitana por intimidação

Situação aconteceu na manhã desta sexta-feira (31)

Postado em: 31-03-2023 às 15h41
Por: Redação
Situação aconteceu na manhã desta sexta-feira (31) | Foto: Reprodução

Por Ana Júlia da Cruz Costa e Ícaro Gonçalves

Mais um episódio de violência contra jornalistas goianos foi registrado na manhã desta sexta-feira (31/3), desta vez envolvendo a Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia e o jornalista, comentarista e apresentador Rosenwal Ferreira. Na ocasião, a GCM estava em operação de fiscalização juntamente com auditores fiscais de posturas em frente a um prédio comercial, no setor Nova Suíça.

Rosenwal é conhecido há décadas na imprensa goiana por importantes trabalhos em TVs e rádios da capital. Em entrevista ao O Hoje, ele relata que foi intimidado verbalmente diversas vezes pelos guardas após questionar sobre o motivo da fiscalização.

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Entenda

De acordo com a prefeitura, o serviço de fiscalização ocorreu após uma denúncia contra vendedor de lanches que estaria atuando irregularmente na região. Segundo testemunhas, o vendedor trabalha há seis anos em um ponto próximo à sede das rádios Terra, Jovem Pan e Bandeirantes, já sendo conhecido pelos jornalistas das emissoras.

Rosenwal é conhecido há décadas na imprensa goiana por importantes trabalhos em TVs e rádios da capital | Foto: Arquivo pessoal

Ele já havia sido notificado para desocupar o local anteriormente após queixa do proprietário. Na ocasião, o episódio foi denunciado por Rosenwal em seus programas devido ao excesso de viaturas dispensadas para a fiscalização — foram cinco veículos.

“Fui ao ar e disse que a fiscalização tem mesmo que existir. Mas chegar armada até os dentes para fiscalizar um cara que está fritando bolinhos é muito ruim. Estão gastando o dinheiro do contribuinte. Uma viatura seria suficiente, o cara não é um bandido”, relatou.

O jornalista disse que após a denúncia, outros comunicadores da imprensa goiana endossaram suas falas. Já nesta sexta, uma nova ação foi empreendida contra o ambulante, desta vez com seis viaturas da GCM.

“Eu fui lá falar com eles e questionar quem comandava a operação. Assim que eu parei de filmar eles começaram a me ameaçar. Um me chamou de ladrão e desonesto, outro disse que iria ‘me pegar’. Outra dupla se aproximou do meu carro e anotou minha placa. Em certo momento um deles chegou a destravar o coutre e colocar a mão na arma. Houve muita truculência”, descreve Rosenwal ao O Hoje.

Em outro momento, o jornalista questionou os auditores fiscais, solicitando informações sobre a operação e o motivo para o alto número de servidores envolvidos. “Um deles chegou a virar as costas para mim”, disse.

Rosenwal afirma que chegou a questionar o comandante da GCM sofre o caso, mas não obteve respostas conclusivas. “O que eles estão fazendo? Houve clara intimidação e abuso de poder”, denuncia o jornalista.

Em vídeos do momento da operação, é possível ver o jornalista indagando as autoridades a respeito da quantidade excessiva de veículos envolvidos no trabalho. Em certo momento, quando mais jornalistas chegam ao local, os guardas retornam às viaturas e deixam o local. Assista:

Posicionamentos

Questionada pela reportagem, a Guarda Civil Metropolitana afirma que “as ações policiais da Guarda Civil estão dispostos no Procedimento Operacional Padrão.” A organização ainda disse que “não compactua com nenhuma forma de desvio de conduta” e que abrirá um procedimento administrativo para esclarecimento dos fatos.

Confira a nota na íntegra:

A GCM de Goiânia informa que o fato ocorrido se deu em apoio ao serviço de fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh). O vendedor irregular já havia sido notificado e, espontaneamente, desocupou o local.

Sobre a possível ameaça, o jornalista Rosenwal Ferreira entrou em contato com a GCM e foi devidamente orientado a formalizar denúncia na Ouvidoria e Corregedoria da Instituição.

A GCM informa que o jornalista já havia solicitado uma entrevista, para a próxima quarta-feira (05/04), para esclarecer os fatos sobre a quantidade de viaturas na operação.

As ações policiais da Guarda Civil estão dispostos no Procedimento Operacional Padrão.

O comando da GCM não compactua com nenhuma forma de desvio de conduta. Após a denúncia chegar à GCM, um procedimento administrativo será aberto para esclarecimento dos fatos“.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh) solicitando mais informações sobre a fiscalização, mas obteve retorno. O espaço para posicionamento permanece em aberto.

Sindicato dos Jornalistas de Goiás

O caso foi denunciado ao Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor). Em nota, a entidade afirmou apurar o caso e se colocou à disposição para auxiliar o profissional em relação às medidas cabíveis. Confira:

O sindicato dos Jornalistas de Goiás vem, publicamente, repudiar a ação de membros da GCM – Guarda Civil Metropolitana – de Goiânia, na manhã de 31 de março de 2023, quando foram questionados, em via pública, pelo jornalista Rosenwal Ferreira pela necessidade do uso de varias viaturas para dar proteção a fiscais que tentavam autuar um simples trabalhador que busca ganhar a vida vendendo pastel e não oferecia perigo algum.

O jornalista foi intimidado por membros da GCM apenas por questionar esse uso de força, com tantas viaturas e policiais fortemente armados. O mesmo uso excessivo visto na atuação da GCM contra participantes do carnaval de rua de Goiânia e contra estudantes que comemoravam o vestibular em parque da cidade. Melhor seria a GCM dizer como está vigiando as escolas públicas, diariamente vitimas de furtos de equipamentos pela clara ausência de vigilância. Também deveria dizer à população como está protegendo prédio públicos municipais, muitos deles vandalizados por falta de atuação da guarda. Essa ineficiência tem trazido milhões de reais de prejuízos aos cofres municipais.

A GCM é paga como dinheiro do povo goianiense, para proteger o patrimônio e ajudar a defender a população. E não para constranger qualquer cidadão que questione uso excessivo de força em sua atuação. Cobramos do prefeito de Goiânia que atue para recolocar a GCM em sua função original e fazê-la prestar um serviço a altura dos desafios da cidade.

A Diretoria“.

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