Pedestres e ciclistas se arriscam em pinguela durante travessia

Moradores de Senador Canedo afirmam que a ponte, que tem mais de 30 anos, caiu há seis meses logo após uma enchente

Postado em: 04-05-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Moradores de Senador Canedo afirmam que a ponte, que tem mais de 30 anos, caiu há seis meses logo após uma enchente

Gabriel Araújo*

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Uma ponte utilizada por pedestres e ciclistas na divisa de Senador Canedo com Goiânia está caída há cerca de seis meses e coloca a população em risco. Crianças de uma escola estadual próxima precisam atravessar para frequentar as aulas e pais cobram a substituição da estrutura, localizada sobre uma nascente. De acordo com moradores da região, a ponte é antiga e foi derrubada durante um temporal.

Localizada entre a Vila São João e o residencial Santa Marta, a ponte é utilizada devido à proximidade de duas escolas e de pontos de ônibus, país precisam levar e buscar as crianças devido ao medo de quedas. A estrutura está quebrada em duas partes e só se mantém devido às vigas de metal, volume de água do córrego chega a altura da ponte e durante chuvas, a população precisar caminhar por quase dois quilômetros para atravessar o córrego.

O trabalhador autônomo Lindomar Tavares, de 44 anos, afirmou que uma criança sofreu uma fratura no pé após cair da estrutura quando ia para a escola. “A gente ta sofrendo muito com isso, é uma falta de respeito com os moradores. Muita gente usa a ponte para ir trabalhar e, de manhã, as mães passam por aqui para levar as crianças para a escola. Não tem segurança nenhuma aqui, se uma criança cair pode até acontecer uma fatalidade”, contou.

Já o morador João Gomes Carvalho, de 43 anos, afirmou que a ponte é a ligação entre os bairros e a movimentação de pessoas é muito grande. “Tem mais de 30 anos que tem essa ponte. Foi o pessoal da Vila Galvão que fez e tinha gente que passava de cavalo por aqui. Nossa preocupação é com a segurança, o povo ta sofrendo demais”, disse.

A redação do O Hoje entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura de Senador Canedo e recebeu a resposta por meio de nota. A prefeitura afirmou que um processo de licitação já foi aberto para a construção de uma nova estrutura, com mais segurança e maior para a locomoção de pedestres. Segundo o órgão, a obra está localizada na divisa do município com Goiânia e que, aguarda somente o processo legal para o início dos trabalhos.

No local, uma grande quantidade de entulho foi deixada sobre uma nascente e alguns moradores temem que isso acabe com o fluxo de água. “O pessoal veio aqui e deixou esse monte de entulho, a gente acaba com medo de matar a nascente que é um patrimônio nosso”, contou Carvalho.

Meio Ambiente

O lixo de construção fere o código ambiental, conforme o Ministério do Meio Ambiente (MMA), as Áreas de Preservação Permanente, conhecidas como APP’s, foram instituídas pela última versão do código florestal em maio de 2012. Essas áreas buscam proteger o solo e corpos d’água de ocupação inadequada, além da prevenção de inundações e enxurradas. “A função ecológica de refúgio para a fauna e de corredores ecológicos que facilitam o fluxo gênico de fauna e flora, especialmente entre áreas verdes situadas no perímetro urbano e nas suas proximidades”, afirma o órgão.

Para o MMA, o não seguimento destas normas é prejudicial tanto para o meio ambiente quanto para as populações dos centros urbanos. “Os efeitos indesejáveis do processo de urbanização sem planejamento, como a ocupação irregular e o uso indevido dessas áreas, tende a reduzi-las e degradá-las cada vez mais. Isso causa graves problemas nas cidades e exige um forte empenho no incremento e aperfeiçoamento de políticas ambientais urbanas voltadas à recuperação, manutenção, monitoramento e fiscalização das APP nas cidades”, completou.

A Lei nº 12.651 estabelece normas sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal e busca o controle e a prevenção dos possíveis danos causados ao meio ambiente provenientes da exploração indevida das florestas. 

Moradores de diversas regiões enfrentam problemas com locomoção 

A população de diversas áreas periféricas da Grande Goiânia sofre com a falta de estrutura dos bairros. Em outubro do ano passado, uma ponte no bairro Colinas de Homero, em Aparecida de Goiânia, apresentou problemas estruturais. A população reclamava da falta de segurança e na dificuldade na locomoção para o trabalho e escolas, onde o ponto de ônibus mais próximo estava há quase três quilômetros do local. A estrutura foi construída para que a população pudesse se locomover entre os bairros após a queda de outra ponte, cerca de 16 anos, mas não estava passando por manutenção e já apresentava buracos.

Este ano, estudantes que moram na zona rural de Goiânia, próximo ao Sítio do Recreio Ipê, não estava frequentando as aulas devido à falta de transporte escolar. O problema se repetiu em abril, quando alunos continuaram prejudicados após a prefeitura afirmar que estava em processo final de contratação de motoristas. Pais afirmam que a falta de vans se tornou normal. “O problema começou no ano passado. A van começou a faltar por falta de combustível, às vezes a van estragava”, lembrou uma moradora.

Na Capital, a ponte na Avenida 2º Radial, sobre o Córrego Botafogo, sofre com a falta de sinalização e proteção para os pedestres. O local está com obras paradas desde novembro de 2016, e está sem grades de proteção nas laterais.

Em matéria no jornal O Hoje, publicada na última semana, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) afirmou que uma equipe seria encaminhada ao local para realizar vistoria e programar os serviços necessários. O Hoje voltou ao local e constatou que nenhuma mudança ocorreu. Novamente tentamos entrar em contato com a Seinfra, mas as ligações não foram atendidas.

Problemas políticos 

Além dos problemas estruturais, a cidade de Senador Canedo ainda enfrenta problemas políticos. Há mais de um ano, o atual prefeito da cidade, Divino Lemes, enfrenta uma denúncia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do vice-procurador geral eleitoral, Nicolao Dino, que pede a renúncia do atual político.

Lemes governou a cidade de 1997 a 2004 e teve o registro cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TER-GO) a pedido da coligação encabeçada pelo ex-prefeito Misael Oliveira (PDT) por ter sido condenado por improbidade administrativa. Apesar disso, o TSE, em junho do ano passado, negou recurso e permite que o prefeito de Senador Canedo siga no comando da cidade.

Na ocasião, o advogado do prefeito, Janúcio Dantas afirmou que a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) foi dada por um ministro e, mesmo após recurso da PGE, ainda será avaliada por um colegiado. Enquanto a situação segue indefinida, Divino Lemes continua à frente do município. (Gabriel Araújo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian). 

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