Asmego repudia carta de bispo emérito que defendeu acusados

Juiz Wilton Müller Salomão criticou declarações feitas por Dom João Evangelista Martins Terra, 93, que afirma que o bispo Dom José Ronaldo e outros religiosos presos em ação do MP são inocentes

Postado em: 05-05-2018 às 18h00
Por: Katrine Fernandes
Juiz Wilton Müller Salomão criticou declarações feitas por Dom João Evangelista Martins Terra, 93, que afirma que o bispo Dom José Ronaldo e outros religiosos presos em ação do MP são inocentes

O juiz Wilton Müller Salomão, que é  presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), repudiou uma carta escrita pelo
bispo-auxiliar emérito de Brasília. Na carta Dom João Evangelista Martins Terra, defende os religiosos acusados de desviar R$ 2 milhões da Diocese de Formosa e
“excomunga” quem os denunciou. O religioso afirma ainda que a prisão do
Bispo Dom José Ronaldo e outros padres “atropela o direito eclesiástico”. 

O juiz afirma, em comunicado divulgado pela assessoria de
imprensa da associação, que os religiosos não estão imunes à Justiça Criminal. 

Continua após a publicidade

“Embora parte da Igreja antes oficial não queira reconhecer, a República
separou sua estrutura do Estado, tonando seus membros, como qualquer outro
cidadão, sujeitos as leis criminais. […] O artigo 19, da Constituição
Federal, proíbe qualquer tratamento privilegiado aos membros de tais
instituições”.

“Não se pode confundir a atuação jurisdicional e legítima do
Poder Judiciário com agressão ao status religioso de qualquer Igreja,
justamente pelo fato de que na democracia não cabe aos agentes públicos fazer
distinção de pessoas para as tornar, mesmo os religiosos, imunes à Justiça
Criminal”, afirma o juiz.

A Operação Caifás foi deflagrada pelo Ministério Público no
dia 19 de março e apura o desvio de R$ 2 milhões pela Diocese de Formosa. No
último dia 19 de março, nove pessoas foram presas, entre elas o bispo Dom José
Ronaldo. Após menos de um mês detidos em uma ala isolada do presídio de
Formosa, os presos foram liberados por habeas corpus concedidos pela Justiça.
Na saída da cadeia, o bispo, outros quatro clérigos e dois empresários foram
recebidos com festa por parentes e amigos.

Na carta divulgada pelo bispo emérito de Brasília, o
religioso afirma que os responsáveis pela denúncia e prisão dos religiosos
foram “automaticamente excomungados”.

“Atropelaram o direito eclesiástico. Apelaram para o Direito
Civil. E, nesse momento, ficaram automaticamente excomungados. De acordo com o
cânone 1370 § 2, quem leva o bispo ao tribunal civil fica automaticamente
excomungado. Alguns leigos facultosos mamavam verozmente nos bens da Diocese.
Eles e alguns Párocos irresponsáveis depredaram a Diocese comprando alguns
juízes e policiais, pagos nababescamente para corromper secretários venais
(..).”

“Durante dois anos, um sistema jurídico e policial solerte
adestrou padres e leigos corruptos a saturar a internet de calúnias vis contra
o Bispo e os fiéis honestos”, diz um trecho da carta.

 Com informações do G1 Goiás

Veja Também